Vencedores da 17ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza

Destacam-se projetos colaborativos e experimentais, a favor da regeneração social e ambiental.

Foram anunciados há pouco na laguna vêneta os vencedores do conjunto de prêmios da 17ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza. Ocorrida nesta tarde de 30 agosto de 2021, a cerimônia de premiação agrega aos já pré-anunciados Leão de Ouro pelo conjunto da obra, concedido a Rafael Moneo, e ao Leão de Ouro especial, In Memoriam, dedicado à arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, os prêmios Leão de Ouro pela Melhor Participação Nacional – Emirados Árabes Unidos -, Melhor Participação na Mostra Central do evento – para o coletivo alemão RaumlaborBerlin -, e o Leão de Prata para jovem profissional ou equipe: Foundation for Achieving Seamless Territory (FAST). Além destes, foram ainda conferidas duas menções honrosas para pavilhões nacionais: Rússia e Filipinas.

 

 

Wetland é o nome da mostra abrigada no pavilhão dos Emirados Árabes Unidos. Nela, uma estrutura prototípica de grande escala – 7 metros de altura por 5 metros de largura – é a justaposição de 3 mil blocos de cimento criados por equipe de profissionais e conjunto de instituições liderados pelos curadores Wael Al Awar e Kenichi Teramoto, que resultam da reciclagem de água residual de processos fabris. A iniciativa foi  apontada pelo júri como “um importante experimento que nos encoraja a pensar na relação entre resíduo e produção em ambas as escalas local e global, e que abre novas possibilidades construtivas entre artesania e elevada tecnologia”.

 

 

Instances of Urban Practice, mostra organizada pelo RaumlaborBerlin, documenta dois projetos de ocupação urbana em andamento: The Flowting University e Haus der Statistik. O primeiro, em área degenerada limítrofe ao antigo aeroporto Tempelhof – equipamento inativo desde 2008 mas que foi um dos primeiros aeroportos de Berlim -, e o segundo em uma edificação abandonada que, outrora escritório governamental da antiga Alemanha Oriental, está sendo transformado em habitação social, local de arte, cultura e aprendizado. Kazuyo Sejima, presidente do júri, explicou a motivação para a concessão do prêmio: “É uma aproximação projetual colaborativa que evoca a responsabilidade coletiva a favor da regeneração cívica visionária”. Ao que Benjamin Foerster-Baldenius, que representou o coletivo na cerimônia em Veneza, respondeu: “Estamos muito felizes em demonstrar que projetos baseados na empatia podem ser realistas. Não esperávamos pelo prêmio! Estamos acostumados a receber o segundo lugar, por causa do nosso experimentalismo”.

O júri internacional desta edição da bienal foi composto pela japonesa Kazuyo Sejima, presidente, pela peruana Sandra Barclay, (Perù), pela libanesa Lamia Joreige, pela escocesa Lesley Lokko e pelo italiano Luca Molinari (Italia). Tradicionalmente ocorrida na semana inaugural da bienal, no mês de maio, nesta edição a cerimônia de premiação foi realizada no final de agosto por questões de logística relacionadas à epidemia do Covid-19.