Rio de Janeiro © Divulgação

UIA2021RIO: Abertura é marcada pela preocupação com o futuro das cidades

“Nesta semana de julho, reunimos todos os debates, ouvimos as vozes mais proeminentes da arquitetura de todo o mundo, e nos oferecemos para uma proposta que reconheça, na cidade do século XXI, nossos desejos e esperanças (...). Temos a convicção de que isso é possível e o congresso pode ajudar nesse caminho", Sérgio Magalhães, presidente do Comitê Executivo do UIA2021RIO

Neste último domingo, 18 de julho, a cerimônia virtual de abertura do 27º Congresso Mundial de Arquitetos (UIA2021RIO) contou com falas de autoridades do Rio de Janeiro e de grandes representantes nacionais e internacionais de Arquitetura e Urbanismo, marcando o início da programação principal do congresso, que se estende até o próximo 22 de julho. O evento de boas-vindas, conduzido pelo eixo temático do Congresso, “Todos os Mundos. Um só mundo. Arquitetura 21”, suscitou a discussão com o desenvolvimento de cidades mais inclusivas e conscientes quanto ao meio ambiente, à diversidade e às necessidades de um mundo globalizado, sobretudo, no pós-pandemia.

Com apresentação de Igor de Vetyemy, Comissário Geral do UIA2021RIO e Co-Presidente do Departamento do Rio de Janeiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/RJ), participaram da cerimônia de abertura: o governador do Estado do Rio, Cláudio Castro; o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes; o presidente do Comitê Executivo do UIA2021RIO, Sérgio Magalhães; o presidente da UIA, Thomas Vonier; a presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Maria Elisa Baptista; a presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU), Nadia Somekh; a presidente da Federação Nacional de Arquitetos (FNA), Eleonora Mascia; e o representante do Comitê de Honra do UIA2021RIO, Oskar Metsavaht.

Thomas Vonier, presidente da UIA, organização global que representa mais de 3 milhões de arquitetos de diferentes nacionalidades, pontuou o feito único e a relevância do UIA2021RIO. “Nossos colegas brasileiros transformaram esse evento que nos coloca todos juntos e nos permite alcançar arquitetos em todo o mundo. Hoje, mais de 80 mil pessoas de 195 países estão participando dessa programação online. É o maior congresso UIA que já tivemos. Esses próximos cinco dias serão únicos, um momento profundo, seja digital ou ao vivo, enquanto ponderamos como a arquitetura pode melhor servir às pessoas e às comunidades em qualquer lugar”.

No vídeo de abertura, um passeio pelos marcos arquitetônicos e culturais da cidade do Rio de Janeiro aproximou os quase 90 mil participantes do congresso à cidade sede do evento, enaltecendo seu título de primeira Capital Mundial da Arquitetura, atribuído em pelas UNESCO e União Internacional de Arquitetos (UIA) em 2019. As vozes dos arquitetos Jaime Lerner e Paulo Mendes da Rocha, que faleceram ainda no último maio, chegaram aos congressistas por vídeos gravados com os profissionais em uma homenagem aos seus trabalhos e obras.

“Tivemos a honra e a responsabilidade de ser a primeira Capital Mundial da Arquitetura. O título da UIA nos energizou ainda mais e foi prova de que a história de mais de 450 anos está muito bem contada nas ruas, edifícios e no modo de viver do carioca. Espero que as reflexões desse congresso nos ajudem e impulsionem ainda mais nessa missão de transformação contínua”, exclamou Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.

Neste sentido, Sérgio Magalhães, presidente do Comitê Executivo do UIA2021RIO, ressaltou quanto à importância do conteúdo programático do evento, que inclui palestras dos maiores nomes da arquitetura mundial, além de mesas-redondas com profissionais premiados internacionalmente, apresentações de trabalhos, atividades culturais e premiações.

 

Nessa semana de julho, reunimos todos os debates, ouvimos as vozes mais proeminentes da arquitetura de todo o mundo, e nos oferecemos para uma proposta que reconheça, na cidade do século XXI, nossos desejos e esperanças para um mundo melhor. Nós temos a convicção de que isso é possível e o congresso pode ajudar nesse caminho. O mundo precisa ser menos desigual, mais atento ao planeta e ao clima, e as cidades precisam corresponder ao nosso desejo de humanidade”, pontuou.

 

Já o arquiteto português Álvaro Siza Vieira, também vencedor do Prêmio Pritzker (1992), participou da cerimônia de abertura enfatizando o diálogo arquitetônico promovido pelo UIA2021RIO como essencial e irrestrito:

 

A arquitetura atravessa um tempo difícil, sujeita a um equívoco bastante generalizado: ser um luxo caro. A arquitetura não é um luxo. É um serviço que não se satisfaz para além do que lhe compete com menos do que a beleza. É também uma forma de combater a desigualdade. Só pelo diálogo e pelo debate se pode desmontar esse e outros equívocos”.

 

Entidades Brasileiras de Arquitetura presentes!

Desde 2014, quando o Rio de Janeiro foi escolhido para o sediar o evento, todo o comitê organizador do Congresso apontou a singularidade do momento para enaltecer o ofício da classe de arquitetos e sua importância na construção das cidades, conforme afirmou a presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU Brasil), Nadia Somekh.

 

Nossa ideia não era só mostrar a arquitetura brasileira, mas trazer todos para discutir nossos graves problemas. Hoje, temos 25 milhões de moradias precárias no território brasileiro, como vamos melhorá-las? Com a possibilidade de fazer um trabalho amplo com nossos arquitetos, temos esse compromisso de ampliar e sensibilizar a nossa população da importância do nosso ofício”, discorre.

 

Em consonância ao apontamento de Somekh, a presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Maria Elisa Baptista, esperançosa em um momento de abalos políticos, diz ser fundamental olhar para o futuro com consciência e crítica, postura que se constrói também pelas discussões a serem proporcionadas pelo UAI2021RIO:

“Estarmos aqui compartilhando experiências, reflexões, ideias e propostas, representa uma esperança necessária neste momento crítico para a humanidade, em que a vida no planeta está em risco pelos efeitos da mudança climática e degradação dos ecossistemas, agravados pela pandemia, que, de modo avassalador, expôs principalmente os mais pobres. Manifestamos nossa adesão incondicional à democracia e à defesa das dimensões cultural e civilizatória da arquitetura”, defende.

A necessidade de combater as ameaças contemporâneas no campo do trabalho e do estudo da arquitetura e do urbanismo, trazidas pelas atuais relações em um mundo tecnológico e em constante transformação, foi igualmente discorrida pela fala da presidente da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), Eleonora Mascia:

Temos que debater o futuro das cidades que queremos, mais inclusivas e com políticas voltadas aos direitos dos cidadãos, como, por exemplo, o direito à assistência técnica para habitação de interesse social. Precisamos buscar um novo mundo possível sem desigualdades, que ofereça um ambiente saudável e pleno de oportunidades para o desenvolvimento de um mundo sustentável”, finalizou.