Claudia Andujar, a luta Yanomami (Foto: Claudia Andujar)

Trienal de Milão apresenta mostras de Claudia Andujar e Enzo Mari

O conteúdo das mostras de Andujar e Mari, ambas abertas para visitação desde o último sábado (17/10), dedicam-se respectivamente ao retrato do contexto amazônico brasileiro, bem como do grupo indígena Yanomami, e à retrospectiva da trajetória profissional de Mari

A Trienal de Milão 2020 com prazer apresenta as exposições “Enzo Mari – curadoria de Hans Ulrich Obrist com Francesca Giacomelli” e “Claudia Andujar, a luta Yanomami”, conjuntamente abertas ao público no último sábado (17/10), mas com períodos expositivos diferentes – enquanto a primeira se estende até 18 de abril de 2021, a segunda permanece no local até 17 de fevereiro do mesmo ano.

A mostra da brasileira Claudia Andujar, apresentada pela parceria com a Fundação Cartier, consiste numa retrospectiva de cinco décadas dedicadas aos Yanomami, grupo indígena com existência ameaçada. Enquanto o território está, mais do que nunca, comprometido pela mineração ilegal de ouro, a exposição assumiu relevância potencializada pelo contexto de ajuda humanitária e crise ambiental exacerbada pela situação pandêmica de hoje.

Estou ligada ao indígena, à terra, à luta do povo. Tudo isso me comove profundamente e talvez eu sempre tenha procurado a resposta para o significado da vida neste núcleo essencial. Eu estava tentando me encontrar e parece que fui conduzida para a selva amazônica por esse motivo e de maneira instintiva”, pontua Andujar.

 

Com base em quatro anos de pesquisa neste arquivo fotográfico, a exposição apresenta curadoria de Thyago Nogueira, chefe do departamento de fotografia contemporânea do Instituto Moreira Salles no Brasil, e congrega mais de trezentas fotografias, instalação audiovisual, bem como uma série de desenhos Yanomami e um filme especial. A exposição irá explorar o extraordinário de Claudia Andujar e sua contribuição para com a arte da fotografia, além de sua principal atuação como ativista de defesa dos direitos humanos do grupo indígena.

Para tanto, a mostra é dividida em duas seções refletindo a natureza dual de uma carreira dedicada entre arte e ativismo. A primeira seção apresenta fotos da artista que retratam seus primeiros seis anos morando junto aos Yanomami, com o intuito de exibir seus próprios desafios em interpretar visualmente uma cultura complexa. O segundo, baseado em seu tempo de ativismo, revela a fotografia como potente ferramenta de luta da autora em clamar por mudanças políticas.

 

 

Já em relação à coletânea de Enzo Mari, a exposição é dedicada às obra e história desse importante designer, artista, crítico e teórico artístico, que, por sua vez, deixou, com pesar, o universo do design mundial neste último 19 de outubro após seu falecimento. A mostra inclui projetos, maquetes, desenhos e materiais, muitos dos quais inéditos, do acervo de Mari, recentemente doado ao Centro de Estudos Avançados em Artes Visuais (CASVA) da cidade de Milão.

A grande retrospectiva na Trienal é, portanto, uma oportunidade única para mergulhar na longa carreira de Mari, de mais de 60 anos, oferecendo novas ideias interpretativas e chaves para a leitura de uma atividade ligada ao design, ensino, à arquitetura, filosofia, e arte gráfica.

O projeto da exposição está dividido em uma seção histórica, curada por Francesca Giacomelli, e em uma série de contribuições de artistas e designers internacionais – a saber Adelita Husni-Bey, Tacita Dean, Dominique Gonzalez-Foerster, Mimmo Jodice, Dozie Kanu, Adrian Paci, Barbara Stauffacher Solomon, Rirkrit Tiravanija, Danh Vō e Nanda Vigo, além de Virgil Abloh pelo projeto de merchandising – convidados a prestarem homenagem a Mari através de instalações específicas no local e novas obras especialmente encomendadas. Uma contribuição particular é a de Nanda Vigo que, em obra inédita concebida para a exposição antes de sua morte, reinterpreta duas das obras mais famosas de Mari, “i 16 animais” e “16 peixes”.

A exposição também inclui uma série de entrevistas em vídeo por Hans Ulrich Obrist que ilustram as constantes tensões éticas de Mari, a profundidade de sua compreensão teórica e suas habilidades de design com as quais deu forma a sua atuação essencial.

 

 

Enzo Mari – curadoria de Hans Ulrich Obrist com Francesca Giacomelli
Local Trienal de Milão
Período 17 de outubro de 2020 a 18 de abril de 2021
Design expositivo Paolo Ulian
Diretor artístico Lorenza Baroncelli

Claudia Andujar, a luta Yanomami
Local Trienal de Milão
Período 17 de outubro de 2020 a 7 de fevereiro de 2021
Curadoria Thyago Nogueira, em colaboração com o Instituto Moreira Salles Brasil

Informações adicionais
Ingressos € 10 (integral) | € 8,50 (reduzido)
Bilhete único para todas as exposições da Trienal € 15
Horário de funcionamento quarta a domingo – 12h às 20h (fechamento do balcão às 19h)
Site Trienal de Milão