© Kees Hummel

Studio Libeskind inaugura Memorial Nacional dos Nomes do Holocausto em Amsterdã

Aberto ao público no último domingo (19/9), o primeiro monumento em homenagem às vítimas holandesas do Holocausto simboliza memória, esperança e reforço de consciência política e histórica

O Comitê Holandês de Auschwitz, juntamente ao Rei da Holanda, inaugurou no último domingo, 19 de setembro de 2021, o Memorial Nacional dos Nomes do Holocausto (National Holocaust Memorial of Names) que homenageia todas as 102 mil vítimas holandesas sem sepultura demarcada. Passados mais de 75 anos após a Segunda Guerra Mundial, “é de valor inestimável para os enlutados ter um lugar onde possam lembrar seus entes queridos. Isso significa que os nomes das vítimas do Holocausto não serão esquecidos”, informa o descritivo.

Projetado pelo Studio Libeskind, em colaboração com o parceiro local Rijnboutt, o Memorial encontra-se ao longo da via principal Weesperstraat, eixo importante do Bairro Cultural Judaico, em Amsterdã, que também abriga ainda o Museu Histórico Judaico e a Sinagoga Portuguesa. Com 1.700 metros quadrados, os quatro volumes representam as letras hebraicas לזכר (em português, “Em memória de”), dispostos em configuração retilínea no eixo norte-sul da via.

 

 

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“A lembrança não é apenas para aqueles que viveram a guerra, mas também para a experimentação daqueles que não viveram – filho, netos e gerações seguintes. Além disso, o memorial aumenta a consciência histórica dos caminhos conduzidos por uma guerra, e reforça os ocorridos especificamente da Segunda Grande Guerra”, explica Jacques Grishaver, presidente do Comitê Holandês de Auschwitz.

À medida que os visitantes entram no memorial, encontram passagens articuladas por paredes de tijolos de dois metros de altura, levando à mensagem da Lembrança – cada um dos quatro volumes possui espelhos com acabamento em aço inoxidável. Ao todo, 102 mil tijolos recebem inscrições dos primeiro e último nomes, idade e data de nascimento de cada vítima, oferecendo-lhe tangível homenagem – além deles, mais mil tijolos em branco eternizam as vítimas desconhecidas.

 

Os holandeses perderam a maior porcentagem de sua população judaica no Holocausto, e este é o primeiro memorial em homenagem às vítimas dessa nacionalidade (…). Minha conexão pessoal como filho de sobreviventes tornou ainda mais importante fazer parte deste projeto significativo. Espero que se torne um lugar de contemplação, esperança e importante lembrete para sempre lutarmos contra o ódio em todas as suas formas”, declarou o arquiteto Daniel Libeskind.

 

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O tijolo, material onipresente na Holanda e em cidades da Europa Ocidental, combinado com as formas altamente reflexivas do aço, fazem a conexão entre o passado e o presente holandês. Na intersecção entre eles, o estreito vazio cria a ilusão de que as letras metálicas pairam no ar, como uma representação de interrupção na história e cultura do povo holandês. “Este vazio suspenso separa o bairro entre presente e futuro, e o momento no qual famílias judias holandesas desapareceram”, complementa o descritivo. Ainda, o memorial apresenta um elemento interativo que permite aos visitantes a colocação de pedras ao lado dos nomes nos tijolos, semelhante à forma de homenagear em túmulos.

Para oferecer mais espaços de contemplação e reflexão, abaixo do nível da rua cria-se um caminho através dos quatro volumes, onde estão dispostos bancos de pedra para pausas durante o percurso.

 

 

Daniel Libeskind é filho de sobreviventes do Holocausto e arquiteto de renome mundial responsável pelo projeto de memoriais importantes, incluindo o Museu Judaico de Berlim, o primeiro a contar a história dos judeus na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial; o master plan para o World Trade Center pós 11 de setembro; o Monumento Nacional do Holocausto em Ottawa, Canadá; o Ohio Statehouse Memorial, nos EUA; o Felix Nussbaum Haus, na Alemanha; e mais recentemente, o projeto do novo centro e memorial Árvore da Vida, em Pitsburgo, na Pensilvânia, local do pior ataque antissemita da história dos EUA.