Cena da série "Monumentos", episódio 1 "Monumento" | Crédito: Divulgação

SescTV: Série inédita Monumentos inaugura em maio

Série documental será exibida no dia 23 de maio, às 20h, e conta com 12 episódios que propõem uma reflexão sobre a preservação e as transformações do patrimônio cultural hoje

O SescTV apresenta a série inédita Monumentos na programação deste mês de maio. Com produção da Ebisu Filmes e Loma Filmes, direção de Paulo Pastorelo e criação em parceria com a professora Lucília S. Siqueira (Unifesp), a série documental se organiza em 12 episódios, aguçando a sensibilidade dos espectadores para os dilemas do patrimônio cultural. A série será exibida a partir do dia 23 de maio, às 20h, e também estará disponível sob demanda no site do canal.

Monumento é aquilo que nos faz lembrar. Abordando diferentes tipos de bens culturais em vários lugares do Brasil, os episódios fomentam a reflexão sobre a preservação e as transformações no patrimônio hoje e expõem maneiras específicas de transmitir e de circular conhecimentos, tradições e memórias”, informa o descritivo.

 

 

A data de estreia foi ainda antecedida pela live ‘Monumentos: Uma leitura sobre os mais diferentes vestígios do passado’, parceria entre o Sesc Ideias e o SescTV, no último 17 de maio. Com mediação do professor José Tavares Correia de Lira (FAU-USP), participação do diretor Paulo Pastorelo e da professora Lucília S. Siqueira (Unifesp), coautora da série, a conversa abordou a proposta da série e dos temas dos episódios, e pode ser conferida na transmissão salva, através do link.

 

Sobre os episódios

  1. No episódio Monumento, o primeiro da série, discute-se como se criam os monumentos e como o tempo modifica a maneira de olhá-los. Motivo de grandes festejos e acalorados debates no século XIX, a estátua equestre de D. Pedro I, localizada na Praça Tiradentes no Rio de Janeiro, figura hoje silenciada na paisagem urbana da cidade. Partindo desse primeiro monumento público do Brasil, o episódio explora o contraste com as estátuas que homenageiam Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e Tom Jobim, situadas na orla sul carioca, que parecem não perder a capacidade de atrair os olhares e os afetos dos passantes.
  2. Em Álbum de Fotografia, memórias são revisitadas a partir de álbuns de fotografias de família, como singelos monumentos da vida privada. Lá estão guardados registros de momentos passados que só o vai e vem da memória é capaz de fazer aparecer.
  3. Na sequência, no episódio Coleção, é apresentado o sentido de uma coleção, vista como uma espécie de monumento do olhar e dos interesses do próprio colecionador, aqui representado na figura Emanoel Araujo, artista plástico e curador do Museu Afro Brasil.
  4. Já a passagem do tempo e seu potencial para atiçar o olhar investigativo em busca da totalidade perdida são mostrados em Ruína, episódio seguinte, que retrata o processo de restauração e preservação das ruínas de Alcântara/MA em contraposição ao Pico do Jaraguá/SP, ruína do tempo geológico.
  5. Com base nos depoimentos de um monge budista e de uma senhora de origem judaica sefardita, o episódio Relíquia trata da relação que indivíduos e grupos estabelecem com as relíquias. Vemos como essas diferentes tradições fazem circular as relíquias entre gerações, tomando-as como objetos de devoção e atribuindo-lhes sentidos e poderes.
  6. Em Restauro, sexto episódio da série, as opções e os limites do restauro são vistos a partir dos resultados alcançados para um convento franciscano colonial em Alagoas e no rosto de um senhor, recuperado com prótese após perder parte da face numa cirurgia de câncer de pele.
  7. A importância das cópias na atualidade é discutida no episódio homônimo, Cópia, no qual o mercado de bens piratas, um cartório lotado de documentos e uma dupla de gêmeos, colocam em suspensão os sentidos que atribuímos para o que é original, autêntico, simulacro e cópia.
  8. No episódio Patrimônio, o processo de patrimonialização de um bem cultural imaterial é visto a partir da experiência dos índios Wajãpi, do Amapá, cujas expressões gráficas e orais foram registradas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2002.
  9. Em Saber, mostram-se diferentes maneiras de transmissão e aquisição de saberes: de um lado um cirurgião cardiovascular com seus residentes ao longo de uma cirurgia-aula, do outro, um físico que constrói conhecimento em laboratório sob controles metodológicos estritos.
  10. A partir do trabalho de um professor universitário de línguas antigas e da experiência de um imigrante haitiano no aprendizado do português em um Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos de São Paulo, o episódio Língua reflete sobre as línguas como lugares de fronteira, meio para se transitar entre sociedades e culturas.
  11. Já em Vestígio, as políticas de memória e de apagamentos do evento conhecido como o “Massacre do Carandiru” são tateadas a partir da reunião de vestígios dispersos nos registros oficiais da polícia, nos papéis do patrimônio, nos museus e no espaço urbano do Parque da Juventude.
  12. Por fim, em Mausoléu, último episódio da série, o túmulo monumentalizado do médium Chico Xavier em Uberada/MG, que mobiliza visitantes e acolhe suas variadas manifestações de fé e de afeto, contrasta com a cripta da família imperial em São Paulo, que pede apenas silêncio e reverência.

 

 

Sobre os realizadores

Paulo Pastorelo (diretor da série)
Arquiteto e urbanista formado pela FAU/USP e mestre em Estudos Cinematográficos e Audiovisuais pela Universidade de Paris 3 – Sorbonne Nouvelle. Em 2007 recebeu o prêmio de “melhor filme” no festival É Tudo Verdade com o documentário “Elevado 3.5”, realizado em parceria com João Sodré e Maira Bühler. Em 2013 voltou ao festival com o documentário “Tokiori – Dobras do Tempo”, uma coprodução Brasil/França/Japão. Também dirigiu os documentários “Vale o Homem Seus Pertences” (2005), “Paisagens da Memória” (2010) e “Viva o Cinema!” (2017).

Profa. Lucília S. Siqueira (co-autora da série)
É professora de História, Memória e Patrimônio no Curso de História na UNIFESP desde 2009, onde integra o programa de mestrado profissional de formação de professores: Prof. História.  Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (1999), foi professora de História do Brasil e trabalhou na Coordenação dos Cursos de Turismo e Administração Hoteleira da Faculdade Ibero-Americana entre os anos de 1990 e 2000. Entre outras publicações, é autora do livro Bens e costumes na Mantiqueira (2005). De 2003 a 2009 trabalhou na PUC-SP, lecionando nos cursos de História, Relações Internacionais e Turismo. Atualmente, tem se dedicado a estudar os problemas da memorialização da escravidão dos africanos e seus descendentes no território paulista.

SescTV
O SescTV é um canal de difusão cultural do Sesc em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o Brasil. Sua programação é constituída por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com variadas expressões da música e da dança contemporânea. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira em conexão com temas universais. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras linguagens artísticas também estão presentes na programação. Conheça o acervo no site.

 

 

Ficha técnica
Direção, argumento, roteiro e pesquisa Paulo Pastorelo
Argumento, roteiro e pesquisa Lucília S. Siqueira
Pesquisa Shirlei Soares
Textos de narração Ana Martins Marques e Daniel Arelli; Giselle Beiguelman; Guilherme Gontijo Flores; João Paulo Barreto Tukano; Júlia de Carvalho Hansen; Luana Chnaiderman de Almeida; Lucília S. Siqueira; Marcelo Ariel; Nina Rizzi; Rappin’ Hood e Ricardo Domeneck
Coprodução Ebisu Filmes e Loma Filmes
Realização SescTV
Mais Brasil, 2021, cerca de 26 minutos cada episódio

 

Série MonumentosSescTV
Estreia 23/5, segunda-feira, às 20h (no canal e sob demanda)
Reapresentações 24/5, terça-feira, às 11h; 25/5, quarta-feira, às 15h; 26/5, quinta-feira, às 21h; 28/5, sábado, às 12h; 29/5, domingo, às 19h
Para sintonizar o SescTV Ao vivo e também disponível sob demanda no site