Sesc Pompeia figura entre 25 obras mais significativas do pós-guerra

A arquitetura ímpar de Lina Bo Bardi é a única representante brasileira na lista divulgada pelo The New York Times, na última segunda-feira (2/8)

© Pedro Kok

 

Um dos centros culturais que tem em sua arquitetura uma atração à parte, é o Sesc Pompeia, em São Paulo, assinado pela arquiteta e urbanista ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, neste ano também homenageada com o Leão de Ouro na 17ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza. A obra integra a seleta lista e é o único representante nacional entre as 25 obras mais significativas da arquitetura erguidas no pós-guerra, segundo o levantamento realizado e publicado on-line pelo jornal The New York Times, na última segunda-feira, 2 de agosto.

A pesquisa convidou nomes ilustres da arquitetura mundial, do design e das artes contemporâneas, como Tom Dixon, Toshiko Mori, Annabelle Selldorf, Es Devlin, Vincent Van Duysen, Nikil Saval e Tom Delavan, para apontarem os edifícios mais importantes construídos após a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945).

De acordo com os jornalistas Kurt Soller e Michael Snyder, a tarefa apresentou dificuldades pelo desejo de elencar projetos de todos os continentes, também considerando desigualdades históricas e questões de representatividade racial e de gênero. Ainda assim, Annabelle Selldorf concluiu que “o verdadeiro problema é existirem mais de 25 edifícios importantes”, conforme apontou ao Times.

No que diz respeito ao Sesc Pompeia, o conjunto arquitetônico foi escolhido pelo fato da arquiteta ter mantido a estrutura original da fábrica, trabalhando a ressignificação de estruturas industriais, na época uma novidade – o início do projeto se deu em 1977, e começou a ser construído em 1982, com inauguração após quatro anos, em 1986. Desde 2015 é patrimônio cultural protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em 2016, o jornal britânico The Guardian inseriu-o em sexto lugar na lista das 10 melhores construções e estruturas em concreto do mundo, ficando à frente do Pavilhão Nacional Português, em Lisboa (7º lugar), da biblioteca da escola técnica Eberswalde, na Alemanha (8º lugar), da igreja St John’s Abbey, em Collegeville, Minnesota (9º lugar), e de uma residência em Coliumo, no Chile (10º lugar).

A revista PROJETO convida o leitor ao completo Especial | Lina Bo Bardi: Sesc Pompéia, São Paulo, SP, que conta com texto de Ruth Verde Zein e fotos de Sérgio Gicovate, publicado originalmente na revista PROJETO edição 92 – Outubro 1986, e republicada na revista PROJETO edição 149 – Janeiro/Fevereiro 1992.

 

 

Confira a lista divulgada pelo The New York Times:

  1. Casa Luis Barragán, por Luis Barragán, Cidade do México (1948)
  2. Residência Farnsworth, Ludwig Mies van der Rohe, Chicago (1951)
  3. New Gourna Village, de Hassan Fathy, Luxor, Egito (1952)
  4. Prefeitura de Saynatsalo, de Alvar Aalto, Jyvaskyla, Finlândia (1952)
  5. Edifício Seagram, de Ludwig Mies van der Rohe, Nova York (1958)
  6. Prédio da Prefeitura de Kagawa, de Kenzo Tange, Takamatsu, Japão (1958)
  7. Renovação da Fondazione Querini Stampalia, de Carlo Scarpa, Veneza, Itália (1959)
  8. Convento Sainte-Marie de la Tourette, de Le Corbusier, Éveux, França (1960)
  9. Escola de Artesanato Haystack Mountain, de Edward Larrabee Barnes, Deer Isle, Maine (1961)
  10. Salk Institute de Pesquisas Biológicas, de Louis Kahn, La Jolla, (Estados Unidos, 1965)
  11. Biosfera de Montreal, de Buckminster Fuller (1967)
  12. Edifício da Johnson Publishing Company, de John W. Moutoussamy, Chicago (1971)
  13. Ópera de Sydney, de Jorn Utzon (1973)
  14. Estação de Esqui de Les Arcs, de Charlotte Perriand, Savoie (França, 1974)
  15. Casa Van Wassenhove, de Juliaan Lampens, Sint-Martens-Latem (Bélgica, 1974)
  16. Centre Pompidou, de Renzo Piano e Richard Rogers, Paris (1977)
  17. Indian Institute of Management, de Balkrishna Doshi, Bangalore (Índia, 1983)
  18. Sesc Pompeia, de Lina Bo Bardi, São Paulo (1986)
  19. Termas de Vals, de Peter Zumthor, Vals (Suíça, 1996)
  20. Escola Primária Gando, de Francis Kéré, Gando (Burkina Faso, 2001)
  21. Campus Central da Academia de Arte da China, de Wang Shu e Lu Wenyu, Hangzhou, China (2007)
  22. Mesquita de Bait Ur Rouf, de Marina Tabassum, Daca (2012)
  23. Série ‘Color(ed) Theory’, de Amanda Williams, Chicago (2014-2016)
  24. Grand Parc (transformação de 530 unidades habitacionais em Bordeaux), de Lacaton & Vassal, Frédéric Druot e Christophe Hutin (França, 2017)
  25. Estação Espacial Internacional, vários designers, órbita da Terra (1998-2011, ainda em andamento)

 

Com informações do G1 e Gazeta do Povo