Segundo pesquisa, setor acústico permanece estável durante pandemia

Os resultados foram disponibilizados pela ProAcústica em trabalho realizado junto a parte das empresas associadas à entidade, apontando relações atualizadas sobre seus volumes de vendas, capacidade financeira, perspectivas para um futuro próximo e mais

De 27 de junho a 8 de agosto de 2020, a Associação Brasileira para a Qualidade Acústica (ProAcústica) entrevistou empresas associadas para entender o panorama do setor frente aos impactos ocasionados pela pandemia do Covid-19. Contrário ao que se esperava, os resultados apontaram para redução inferior ao esperado para a atividade da cadeia produtiva de soluções acústicas para áreas construídas e meio ambiente.

“Parte dessa desaceleração menor do que a esperada pela maioria se deve às necessidades criadas pelo isolamento e distanciamento social, como a demanda para a criação de espaços com conforto acústico em home office; melhoria ou introdução da acústica hospitalar em espaços existentes ou em novas unidades de saúde; e a necessidade de criação de ambientes mais estanques às influências externas em diferentes setores durante a pandemia; além de outras situações”, afirma Luciano Nakad Marcolino, presidente executivo da ProAcústica.

Com relação à quantidade de projetos e volume de produção e vendas, a pesquisa mostrou que 48% das 65 empresas participantes seguiram com as atividades em nível semelhante ao anterior à pandemia, enquanto 31% sofreram desaceleração e 22% tiveram efeito semelhante ao do grupo anterior ou permaneceram paralisados.

Já no que diz respeito a questões financeiras, o registro é de impacto negativo para 46% das empresas, neutro para 43% e negativamente severo por 5% – este último quase em empate com o percentual de 6% que demonstra resultado positivo frente ao atual panorama. Em contraponto, 68% afirmaram que a capacidade financeira do momento é suficiente para a manutenção das atividades, 17% garantem nível similar de produção por 4 meses ou mais, seguido por 6%, 3 meses; 5%, 2 meses; e 5%, em estado de limite financeiro.

Outro aspecto significativo do levantamento relaciona-se com o quadro de colaboradores das empresas e situação mantenedora do emprego. Nesse quesito, o dado é bastante promissor, revelando que, mesmo nos primeiros quatro meses críticos de isolamento social, até agosto, 60% das empresas manteve o quadro de colaboradores, 12% ampliou a equipe e 15% reduziu em até um quinto o número de funcionários. Nos casos mais severos, 9% reduziram entre 20% e 50% o número de colaboradores e 4%, entre 50% e mais de 70%.

Quanto às adaptações ao trabalho remoto, 66% afirmaram que o trabalho se manteve produtivo e 23% assinalaram que a experiência se demonstrou promissora – ou seja, 89% com visão positiva ao modelo de trabalho. Neste sentido, 71% das empresas entendem que a sociedade viverá um futuro híbrido, com o uso gradativo de ferramentas virtuais, mas também retornará à rotina de convívio presencial. 15% acreditam que a comunidade global transformará o modo de trabalhar após a pandemia, com intenso uso de ferramentas virtuais colaborativas e o restante, 14%, analisa que os mercados voltarão ao sistema tradicional, pontuando que o distanciamento não proporciona a interação e controle necessários.

A pesquisa da ProAcústica obteve participação de escritórios de arquitetura e engenharia (2%), laboratórios de serviços metrológicos de medição (8%), empresas de instalação e distribuição (11%), escritórios de projeto e consultoria em acústica (32%) e fabricantes de produtos acústicos (48%).