Yusuhara Wooden Bridge Museum, 2011 © Takumi Ota Photography

Saiba como foi o VIVAMADEIRA!

Encontro da última segunda-feira (31/5) uniu Kengo Kuma, Marcio Kogan e Renata Furlanetto em uma ponte Brasil-Japão para a troca singular de experiências quanto ao uso da madeira na arquitetura

Realizado pela revista PROJETO em parceria com a Galeria da Arquitetura, e promovido pela URBEM – uma empresa AMATA, na última segunda-feira (31/5) o VIVAMADEIRA reuniu de forma inédita a dupla Kengo Kuma e Marcio Kogan – este acompanhado da arquiteta Renata Furlanetto, também integrante do studio mk27 –, respectivamente representando Japão e Brasil, para uma conversa acerca do uso da madeira engenheirada como alternativa limpa, moderna e eficaz para a construção em altura.

Apresentado por Fernando Mungioli e mediado por Evelise Grunow, da PROJETO, o evento teve sua abertura realizada por Ana Belizário, Gerente comercial e de projetos da AMATA. “Para mostrar alguns cases de aplicação incrível deste material, nada melhor do que chamar dois gigantes da arquitetura mundial”, exclamou Mungioli.

O encontro remoto foi pautado pela apresentação de projetos inspiradores assinados pelos convidados, incluindo comentários e percepções dos próprios arquitetos sobre as características e vantagens da aplicação do material nos mais diversos aspectos construtivos, principalmente no que diz respeito às execuções estruturais.

Iniciando a noite, Kogan e Furnaletto contribuíram com explanações de obras do estúdio entregues no recorte temporal de 2016 até o momento, finalizando com a demonstração de um projeto futuro. Sob a variedade de usos e escalas, a seleção exemplificou as diferentes maneiras e proporções da utilização da madeira na arquitetura assinada pelo escritório, por sua vez, habilidoso em dialogar com o entorno e aperfeiçoar técnicas construtivas baseadas no material.

O destaque foi para o Patina Hotels & Resorts, localizado nas Maldivas, onde o único caminho construído, em madeira, determina um eixo que estrutura as necessidades do projeto – à esquerda, há o edifício principal e a maioria das moradias; à direita, o spa e demais espaços comuns da vila e do beach club. A composição do pavilhão, um dos integrantes do programa, opta por expor a estrutura em madeira desde as fachadas e, no interior, o recorte presente na cobertura é, além de ponto de contato com o externo, ponto central a sua sustentação.

 

 

Na sequência, o público teve a oportunidade de apreciar explicações ao vivo de Kengo Kuma acerca de série de obras que compõem seu portfólio. Nacionais e internacionais, os exemplos são retrato de uma produção autoral que reinterpreta elementos tradicionais da arquitetura japonesa, com inovações no uso de materiais naturais e manipulação das relações e consonâncias entre edifício e entorno. À mescla soma-se a incorporação de um modo de fazer high-tech, de grande relevância às criações das estruturas em madeira concebidas pelo profissional.

Entre as obras destacadas na apresentação estiveram o Nakagawa-machi Bato Hiroshige Museum of Art (2000), o Yusuhara Wooden Bridge Museum (2011), a Japan House São Paulo (2017) [veja também em Revista PROJETO], e outras diversas estruturas constituídas pela técnica tradicional japonesa Chidori que, através do encaixe entre peças de madeira, criam composições resistentes e variadas em escala e complexidade.

 

 

Durante bate-papo posterior, Evelise Grunow, editora executiva da PROJETO, questionou os convidados sobre quais os possíveis balanços que podem existir entre e indústria, inovação e experimentação quando se fala da aplicação da madeira como estrutura em larga escala. “Acho que no século XX existe uma industrialização por meio do concreto e aço. Já no XXI, a madeira pode levar a uma industrialização pautada na sustentabilidade e esse um caminho de suma importância para a sociedade”, pontuou Kuma. “Eu concordo com Kuma. Vamos tentar salvar a Amazônia”, complementou Kogan.

 

Eu acho que temos de lidar com o mundo de forma respeitosa, principalmente em um país como o nosso, que não tem uma indústria construtora em madeira muito desenvolvida. Acho importante que o sistema seja comprovadamente eficiente, qualificado e apresente velocidade. É válido dizer que não temos nem legislação específica sobre estrutura de madeira (…), então é um longo caminho a percorrer. Entretanto, acredito que, pela experiência global, está provado que o sistema é uma boa direção”, finalizou Renata Furnaletto.

 

Confira a transmissão na íntegra!