Saiba como foi a estreia do Anuário PROJETO 2021!

Após a apresentação de matérias contidas no extenso volume, segundo os comentários de Evelise Grunow e Fernando Mungioli, o evento da última quinta-feira (25/3), integrante do roteiro oficial da Expo Revestir, trouxe um conjunto de grandes nomes nacionais do setor para exporem opiniões e percepções próprias acerca das “Mudanças e perspectivas na arquitetura do Brasil 2020/2021”

Na noite da última quinta-feira (25/3), sequencialmente ao Fórum Internacional de Arquitetura e Urbanismo (FIAC) – Dia do Arquiteto, os expectadores puderam celebrar a estreia do Anuário PROJETO 2021, impresso fruto da união entre revista PROJETO e Galeria da Arquitetura, que resgata a produção arquitetônica brasileira através de 50 obras emblemáticas, concluídas entre 2019 e 2020, e mais 14 projetos em desenvolvimento, desenhados pelas mãos dos maiores escritórios brasileiros de arquitetura do país. Como parte da programação da Expo Revestir, o evento contou com o patrocínio das marcas Knauff Ceiling Solutions, Cebrace, Roca Cerámica.

“A revista PROJETO cumpre a missão de, há de 44 anos, registrar, documentar e debater o melhor da arquitetura brasileira. Como único veículo especializado no tema, temos o constante desafio de nos reinventarmos e estarmos ‘up to date’ com as velozes mudanças na forma de se comunicar. Há um ano, lançamos nossa nova plataforma on-line, pela qual disponibilizamos todas as obras, projetos, entrevistas, artigos publicados em 450 edições da história da revista PROJETO. Mas não só isso, é também em nossa plataforma on-line que passamos a cumprir essa missão de mostrara a excelência do trabalho das arquitetas e arquitetos brasileiros – tudo isso disponibilizado aos assinantes por apenas R$ 2,99/mês. Mas acreditamos muito que a documentação impressa também tem seu papel, de transformar esse conteúdo em objeto palpável, permitir a visão mais amplas aos detalhes, e entender que as nossas edições são referência por décadas. Com isso, seguindo nosso intuito, lançamos mais uma edição, agora, do nosso Anuário PROJETO, que, dessa vez, traz como novidade a parceria com a Galeria da Arquitetura, unindo esforços e ampliando nossa visão (…)”, declarou Fernando Mungioli, Publisher da revista PROJETO, durante a abertura do evento.

Representando a Galeria da Arquitetura, a Gerente de Conteúdo, Fernanda Strazzacapa, comentou com detalhes aquela que se faz como novidade da presente edição do Anuário: a “experiência híbrida” do leitor que, além de poder conferir obras publicadas em papel e em telas, agora tem o acesso a vídeos dos maiores arquitetos brasileiros, comentando seus trabalhos e enriquecendo a experiência de leitura.

Em 2020, a Galeria e a PROJETO uniram forças para criar o Apaixonados por Arquitetura [confira na PROJETO] (…) e, a partir de então, essa parceria evoluiu e nós criamos juntos o Anuário 2021. Além de produzirmos parte do conteúdo, a novidade foi a inserção dos vídeos de obras, já tradicionais na Galeria, onde arquitetos têm a possibilidade de explicar os processos criativos aplicados aos projetos. Em algumas obras, existem QR codes, que direcionam o leitor diretamente aos vídeos produzidos. Acredito que o mercado ganhou em muito pois, a peça física será entregue também a todos os escritórios que estão cadastrados na Galeria da Arquitetura – aproximadamente 2 mil -, além dos consumidores da PROJETO e Galeria, e newsletters. Foi um prazer participar desse projeto e estamos muito felizes com o resultado”, concluiu Fernanda.

Na sequência, uma breve apresentação feita por Evelise Grunow, Editora Executiva da PROJETO, contextualizou os expectadores sobre o que é, para a PROJETO, um anuário. Em suas palavras, “uma seleção livre do que publicamos on-line, tanto na revista quanto na Galeria, em um ano, sem pré-estipular categorias, ou quantidade de projetos em cada uma. Acreditamos que, a partir de nossas publicações, temos um retrato eficiente da produção arquitetônica”.

Ao passar por parte das matérias contidas no volume, fez comentários sobre obras concluídas (e em elaboração) residenciais, institucionais, urbanas, demonstrando o denso conteúdo presente no Anuário 2021 e abrilhantando não somente os arquitetos e arquitetas representados pelos projetos expostos, mas também todos aqueles que compõem a edição.

Em seguida, a mesa-redonda composta por Gianfranco Vannucchi, Presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA) e Sócio-diretor do Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados; Otávio Zarvos, Diretor-presidente da Idea!Zarvos; Marta Moreira, sócia do escritório MMBB; e Daniel Mangabeira, sócio do escritório BLOCO Arquitetos, discorreu sobre o tema “Mudanças e perspectivas na arquitetura do Brasil 2020/2021”.

Através de relatos do cotidiano da arquitetura vivenciado em 2020 – experiências, mudanças na forma de projetar, trabalhar e se relacionar com equipes e clientes -, bem como por menções sobre encomendas surgidas no período, o eixo de discussão introduziu o questionamento: “O que esperam os arquitetos em 2021?”.

No nosso segmento, ao contrário da maioria da economia, estamos em uma onda de prosperidade enorme. Por um lado, por mais que tenhamos adversidade na parte de encontros, o clima de crescimento é muito positivo – obviamente excluindo a tragédia que é a pandemia (…). Temos então a euforia de toda a equipe, devido estarmos fazendo projetos novos, e o desafio de como conduzir nosso processo criativo – um de nossos principais pilares – da mesma forma de antes. Vimos, com o trabalho remoto, que foi possível tirar um excesso de reuniões; entretanto, no que necessitamos da criatividade, sinto que demoramos mais tempo para chegar a um resultado (…). Também sinto que a cultura da empresa fica prejudicada”, afirmou Otávio Zarvos.

Corroborando com a opinião de Otávio, Vannucchi pontuou: “No começo, achei que iríamos fechar, mas o mercado teve uma grande surpresa. O trabalho remoto tem dois lados. É bom, mas é péssimo. Estamos reformando nosso escritório para fazermos um sistema híbrido, assim que possível, e para ali conter espaços apenas de reunião e criação. Mas ainda assim sinto que temos de nos encontrar de vez em quando (…)”. Para o arquiteto, o cenário também impulsionou o investimento expressivo em tecnologia para o escritório.

De acordo com Daniel Mangabeira, apesar do boom no mercado de arquitetura e construção, atentou para os contrastes ainda mais expressivos mediante o cenário pandêmico: “Os escritórios dessa conversa trabalham com um público de alto poder aquisitivo, que aumentou a demanda por construção. Porém, esse momento aumentou a disparidade, e vejo que precisamos estar atentos a esse dado (…). A classe C e D, a classe média-baixa, que vinha construindo, parou”.

Também introduzida a questão sobre o encaminhamento dos edifícios corporativos, frente à desocupação parcial, que tende a permanecer, Marta Moreira explicou sobre a conveniência do uso misto e a possível conversão de edifícios, hoje corporativos, em residenciais:

Acho interessante pensar os edifícios corporativos virando residências, ou sendo dotados de usos mistos, o que viemos tentando fazer. A questão de aproximar a casa do trabalho é uma mudança importante de dinâmica da própria cidade (…). Analisando, também existem casos de lajes muito grandes, que talvez exijam pensar transformações maiores – por exemplo, a abertura de vazios, ou outras estratégias que viabilizem entrada de luz, ventilação, etc., para efetivar um uso residencial”.

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