© Francisco de Almeida Lopes / Via CAU/BR

Rodoviária de Londrina, de Artigas, é tombada como Patrimônio Cultural do Brasil

Processo considerou principalmente o valor artístico da construção que, por sua vez, trata-se da primeira do arquiteto a ser tombada pelo Iphan

A antiga Rodoviária de Londrina (PR), de autoria do arquiteto João Batista Vilanova Artigas, agora é Patrimônio Cultural do Brasil, mediante aprovação anunciada na última quarta-feira, 19 de maio, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – inédita obra do renomado profissional e expoente arquitetônico a ser tombada pelo órgão.

O processo de tombamento começou em 2009, a pedido da Superintendência do Iphan no Paraná. No ano seguinte, a prefeitura da cidade contratou um projeto de restauro, que teve sua primeira fase finalizada em 2019. O edifício, que abriga o Museu de Arte de Londrina há quase 30 anos, assim como sua área envoltória passam, portanto, a enquadrar-se como bens protegido por leis nacionais, a fim de que toda e qualquer intervenção seja previamente notificada e aprovada pelo órgão de tombamento nacional.

De acordo com o arquiteto e professor Eduardo Carlos Comas, relator do processo, “a razão principal para o tombamento é o valor artístico da obra. É um exemplar representativo do Artigas em uma fase em que ele está dialogando com a arquitetura carioca, especialmente com a influência de Oscar Niemeyer”. Depois dessa fase, Artigas viria a ser conhecido por sua Arquitetura Brutalista, influenciando grandes nomes como Paulo Mendes da Rocha.

 

É na verdade uma celebração do movimento. Em 1952, não havia precedente para uma rodoviária com qualidade plástica fora do comum. O Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, fora inaugurado poucos anos antes. A cobertura em arco inclinada pode ser pensada como uma folha que se dobra como um origami”.

 

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Segundo o professor Comas, Londrina trouxa a Artigas uma grande oportunidade profissional. Junto de Carlos Cascaldi, sócio de Artigas, o arquiteto edificou diversas obras em uma ‘cidade nova’, que crescia impulsionada pela prosperidade das fazendas de café na região norte do Paraná. “Foi uma alavancagem na carreira dele”, relata Eduardo. A rodoviária, com sua fachada de vidro, funcionava como vitrine de Londrina aos recém-chegados desde 1948, ano de sua inauguração.

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR), Milton Zanelatto Gonçalves, salienta que na ocasião da construção da Rodoviária, a expansão econômica de Londrina e do Norte do Paraná atraía migrantes de todo o Brasil, dispostos a desbravar uma terra que lhes prometia riquezas. “Desta maneira, o local passou a representar o momento da chegada, uma espécie de portal do Norte do Paraná. Os desbravadores que chegavam eram recebidos por um belo exemplar da Arquitetura Moderna brasileira”, frisa Milton.

 

Para as arquitetas e arquitetos, o tombamento da Rodoviária de Artigas significa o reconhecimento de uma obra magistral. Para o Brasil, representa o reconhecimento de um período épico da história nacional, o momento em que uma terra agreste se fez civilização!”, finaliza Zanelatto.

 

Representante do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) no Conselho Consultivo do Iphan, o arquiteto Nivaldo Andrade destaca que o tombamento da Antiga Rodoviária ajuda a inserir Artigas “no lugar merecido” em se tratando de reconhecimento pelo conjunto de sua obra como Patrimônio Cultural Brasileiro, junto dos grandes Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi, Lucio Costa, Paulo Mendes da Rocha, e outros. “Ele é o grande representante da Escola Paulista de Arquitetura. Que outras obras de Artigas venham a ser tombadas, como a própria Faculdade de Arquitetura e Urbanismo USP”, afirma Nivaldo.

*Com informações do CAU/BR