Da esquerda para a direita, Charles Renfro, Laurent Troost e Gringo Cardia (Imagem: Divulgação)

Referência em conteúdo, FIAC 2022 desponta! Confira recortes!

Parte da programação da Expo Revestir, o Dia do Arquiteto do Fórum Internacional de Arquitetura e Urbanismo (FIAC) ofereceu, ao volumoso público virtual, apresentações e debates junto do significativo quadro de arquitetos nacionais e internacionais - a saber Charles Renfro (Diller Scofidio + Renfro), Gringo Cardia (Gringo Cardia Design) e Laurent Troost

Na última quinta-feira (10/3) foi realizada a 20ª edição do Dia do Arquiteto – Fórum Internacional de Arquitetura e Urbanismo (FIAC), tradicional evento integrante da programação da Expo Revestir.

Em formato totalmente virtual, pelo segundo ano consecutivo, o encontro gratuito e aberto ao público, sob a curadoria da revista PROJETO – e patrocínio das marcas Coral e Dexco, além do apoio de Artefacto -, recebeu os ilustres Charles Renfro (Diller Scofidio + Renfro), Gringo Cardia (Gringo Cardia Design) e Laurent Troost; assim como Rodrigo Ohtake, Luisa Konzen (Hype Studio) e, novamente, Laurent Troost em sequencial lançamento oficial do Anuário PROJETO + Galeria da Arquitetura 2022, que contou com bate-papo mediado por Fernando Mungioli e Evelise Grunow, respectivamente, Publisher e Editora Executiva da PROJETO.

A abertura do ciclo foi mediante apresentação individual de Charles Renfro, arquiteto estadunidense e sócio do renomado escritório Diller Scofidio + Renfro (DS+R), que na tarde de conteúdo expôs projetos audaciosos, também exemplos do mote da DS+R sobre a promoção de “diálogo entre cidade e pessoas”, como parques públicos, salas de concerto e universidades mundo afora. Na ocasião, Renfro deu enfoque a obras de uso educacional – precisamente a seis que integram o portfólio do escritório, desenvolvidas nos últimos 12 anos.

 

Supervisionei muitos desses edifícios para Ensino Superior [e] o que o distingue não é, simplesmente, que apresente boa arquitetura, ou que incorpore os ideais da instituição que o financia, mas sim o fato de que nos permitem fazer uma arquitetura a serviço da pedagogia, que funciona como uma ferramenta para a educação dos estudantes, fomenta as causas das instituições e dos programas para os quais foram criados. Esse é um lugar muito nobre e potente para a arquitetura”, pontuou o arquiteto.

 

Charles Renfro, no Dia do Arquiteto do FIAC 2022 (Foto: Divulgação)

 

Entre os destaques estiveram o Centro de Artes Granoff, da Universidade Brown; Edifício McMurtry de Arte e História da Arte, da Universidade de Stanford, na Califórnia; dois Edifícios para a Universidade Columbia, em Nova Iorque; e mais dois encomendados pela Julliard School – o primeiro em Nova Iorque, e o segundo em Tianjin, na China.

 

 

Na sequência, o programa deu início ao debate “Cultura e Cidade”, estrelando o brasileiro Gringo Cardia, artista e arquiteto graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e fundador do Cardia Design, e Laurent Troost, arquiteto belga naturalizado brasileiro e residente em território nacional desde 2008, que acumula passagens por diversos escritórios importantes, dentre eles OMA, de Rem Koolhaas, Studio Arthur Casas e Bernardes Arquitetura, antes de constituir escritório próprio, em Manaus.

Com perguntas dirigidas por Evelise Grunow, a dupla falou de suas trajetórias profissionais, fontes pulsantes de inspiração e atuação de peso no setor arquitetônico e urbano. Particularmente para Gringo, natural do Rio Grande do Sul, o caminho para a cidade do Rio de Janeiro, em tempos de graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez com que se estabelece definitivamente na capital carioca, como via de mão dupla e uma das grandes fontes influenciadoras de seu trabalho.

 

Arquitetura e cultura são indissociáveis, e a faculdade aqui na UFRJ me mostrou várias janelas possíveis de movimentos artísticos que estão diretamente relacionados com a arquitetura. Justamente isso foi me fixando aqui no Rio, que é um grande produtor de cultura no Brasil. A partir daí fui me tornando um arquiteto mais ‘multimídia’ – nos anos 90 esse termo estava começando a ser pronunciado. Assim comecei a me especializar em várias ‘mídias’ – música, teatro -, passando por vários canais de expressão, chegando ao que faço hoje: ‘tudo junto e misturado’”, declarou o arquiteto.

 

Gringo Cardia, no Dia do Arquiteto do FIAC 2022 (Foto: Divulgação)

 

Igualmente Laurent Troost fez declarações e comparações envolvendo o próprio olhar crítico acumulado ao longo de sua vasta bagagem de experiências profissionais no Brasil e no mundo, correlacionando com a temática central de discussão da tarde – neste caso, a “cultura como importante meio para a criação de equipamentos e planejamento urbanos”.

“A experiência que tive em planejamento urbano, na Europa, foi sempre na criação de cidade ou bairros novos, o que fazia com que o desenvolvimento fosse muito mais orientado pelo mercado, isto é, a cultura não tinha uma representatividade no processo. Acho que há uma grande diferença entre Europa e Brasil, em termos de momento de criação de cidade – e isso está relacionado à cultura. Portanto, vejo que na Europa há uma cultura institucionalizada, então quando há o desenvolvimento urbano, o ponto de partida pode ser um equipamento cultural, mas sempre vinculado a muitos outros aspectos igualmente importantes para a ‘criação de lugares’. Já no Brasil me parece que ainda não há essa institucionalização tão grande, onde se vê a forte presença da cultura popular, conduzindo muitos desenvolvimentos de requalificação urbana à implantação de equipamentos públicos, mas sem correlação com os outros pontos”, discorreu Laurent.

 

Laurent Troost, no Dia do Arquiteto do FIAC 2022 (Foto: Divulgação)