Museu do Meio Ambiente, no Rio de Janeiro (Foto: Leo Martins / Agência O Globo)

Recuada a ideia de tornar Museu do Meio Ambiente em hotel luxuoso?

Em foco nas últimas semanas, o plano seria converter o espaço carioca em um hotel-boutique. Após fortes ondas contrárias, Ministro do Meio Ambiente do Brasil sugere retração do projeto, que pode ser descartado

O Museu do Meio Ambiente, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), desde o último dia 30 de novembro ocupa os principais veículos de mídia a partir do anúncio de uma possível modificação em seu uso – as instalações que hoje dão lugar a projetos museográficos totalmente dedicados à temática socioambiental poderiam ser concessionadas à iniciativa privada para ali se estabelecer um novo “hotel-boutique”.

Segundo o que aponta Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, na própria segunda-feira (30) o Ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, haveria visitado o local para estudar possíveis parcerias. Em nota emitida após uma semana, ou seja 7 de dezembro, o Ministério admitiu intenção de conceder a construção histórica, datada do final do século XIX, à iniciativa privada.

“O projeto de concessão do espaço ainda está em fase de análise e estudos. (…) A Administração do JBRJ tem buscado soluções para a gestão eficiente dos seus espaços, alguns muito onerosos e subutilizados. A participação da iniciativa privada, especialmente no corredor cultural, tem muito potencial”, cita a nota. Sabe-se que, na origem, o plano também intentava, em segundo momento, conceder outros prédios históricos do Jardim Botânico à administração e operação privadas para, possivelmente, também passarem a funcionar como novos hotéis.

Após o anúncio, uma ampla mobilização civil contrária à ação organizou-se em prol à preservação dos valores históricos e científicos do espaço contando com, dentre outras ações, um abaixo-assinado on-line na tentativa de barrar o intento.

O Museu do Meio Ambiente abriga exposições, palestras e eventos relacionados à causa ambiental e à pesquisa sobre a natureza, fauna e flora. (…) Não podemos permitir que este espaço público seja oferecido à iniciativa privada e transformado em lazer para poucos. O Museu do Meio Ambiente é de todos e assim deve permanecer”, justifica o pedido.

Entretanto, em recente atualização, tem circulado o último posicionamento público de Salles acerca do projeto. Mesmo que não conste como declaração formal, o tuíte (8/12) do Ministro afirma: “A ideia é realizar um estudo para eventual concessão do espaço pouco utilizado do Museu convertendo num hotel-boutique, gerando empregos, recursos e investimentos para recuperação do Jardim Botânico como um todo. Contudo, se preferirem deixar tudo como está …. beleza”. A respeito do tal pronunciamento, o Ministério do Meio Ambiente reiterou que não há nenhuma ação planejada.

Assim como pontuado por Lauro Jardim, “depois de fortes reações contrárias, Salles pisou no freio (…). Embora ainda use o verbo no presente (‘A ideia é realizar estudos para eventual concessão do espaço…’), [ele] disse a interlocutores que não deve levar adiante os estudos”. Porém, o colunista continua e finaliza: “Os planos de concessões deste tipo que possam ser feitos em outros parques e locais sob a responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente, contudo, não morreram”.

Sabe-se que o Museu do Meio Ambiente completou 212 anos em 2020 e é o primeiro da América Latina dedicado especifica e unicamente ao eixo socioambiental, sendo referência global para este nicho de produção científica. Além de exposições, o espaço também é encarregado de organizar e promover programas educativos, assim como debates relacionados ao tema ambiental com o intuito de incentivar participação coletiva e conhecimento colaborativo.