Projeto Smart City Toronto é abandonado perante cenário pandêmico

Mesmo após dois anos e meio de desenvolvimento, o Sidewalk Labs, escritório responsável pelo projeto, alega que a "incerteza econômica sem precedentes" do momento desestrutura o plano de ação e compromete as principais intervenções da proposta

Na primeira semana de maio, o Sidewalk Labs, subsidiário da Alphabet, anunciou o abandono do projeto de um bairro inteligente na cidade de Toronto, Canadá, devido às condições econômicas desfavoráveis causadas pela pandemia do coronavírus. Daniel L. Doctoroff, CEO da Sidewalk Labs, afirmou em artigo publicado no Medium  que, após diversas reavaliações, concluiu-se que a desaceleração dos setores significaria uma grande barreira para o desenvolvimento do projeto: “Depois de muita deliberação, vimos que não fazia mais sentido prosseguir com o projeto Quayside e avisamos a Waterfront Toronto ontem [6 de maio de 2020]”.

Em 2017, a proposta apresentada pelo escritório venceu a licitação que requalificaria o bairro Quayside e parte das margens do lago Ontário, seguindo preceitos de uma “cidade do futuro”: implementação de alta tecnologia, pavimentação modular adaptável, bairros estruturados em madeira maciça e até capas de chuva para edificações.

“Nos últimos dois anos e meio, somos apaixonados por fazer o Quayside acontecer – de fato, investimos tempo, pessoas e recursos em Toronto, incluindo a abertura de um escritório para 30 pessoas à beira-mar. Mas com a incerteza econômica, sem precedentes, tornou-se muito difícil viabilizar financeiramente o projeto de 4,80 hectares sem sacrificar as partes principais do plano de construir uma comunidade verdadeiramente inclusiva e sustentável, desenvolvida juntamente a Waterfront Toronto”, depôs Doctoroff.

Entretanto, o CEO do escritório acredita que a proposta em particular, mesmo que não executada, permanece como um grande ensaio para refletir sobre as mudanças e atualizações que as cidades carecem para o futuro, principalmente frente às emergências de saúde atuais. A contribuição é também significativa “para o trabalho de enfrentar grandes problemas urbanos, particularmente nas áreas de acessibilidade e sustentabilidade”.