(Imagem: cortesia Metro Arquitetos)

Projeto Ocupa Rua auxilia a reabertura de comércios em São Paulo

Fruto da parceria entre Metro Arquitetos, Alexandra Forbes e Prefeitura Municipal de São Paulo, a proposta busca viabilizar o retorno das atividades de forma segura ao ampliar áreas úteis de estabelecimentos

O processo se iniciou ainda em maio, quando Alexandra Forbes, colunista na Folha de S. Paulo e crítica gastronômica, visualizou possíveis estruturações entre governo e iniciativa privada para o que seria este momento de reabertura dos comércios em São Paulo, dada a situação pandêmica ocasionada pelo COVID-19. Neste ínterim, duas questões centrais: recuperar economicamente tais estabelecimentos e incentivar, sob condições asseguradas por protocolos de saúde, o retorno dos clientes, sobretudo a bares e restaurantes.

O estudo partiu do convite da jornalista à equipe do Metro Arquitetos: “Começamos, portanto, pelo Centro da cidade. A região possui bares e restaurantes icônicos, mas, nos últimos anos, passou por uma mudança considerável a partir da vinda de novos comércios e serviços, em sua maioria pequenos, que acentuam a ocupação das ruas”, explica Gustavo Cedroni, sócio fundador do escritório.

Considerando a lista de parâmetros de proteção, sem dúvida o principal deles refere-se à diminuição em 50% da capacidade de atendimento dos estabelecimentos para que esteja garantido o distanciamento entre a freguesia. Com lógica, aumentar a área útil garante não somente a frequência desejável, mas também potencializa a recuperação econômica comercial comprometida nos últimos meses.

Sugerimos algumas situações de ocupação de calçadas e leitos carroçáveis, agregando essas áreas de acordo com o distanciamento social previsto pelas normas da Organização Mundial da Saúde (OMS), em períodos de pandemia e pós pandemia”, afirma a equipe do escritório.

Endossada pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas, e Fernando Chucre, Secretário do Desenvolvimento Urbano da cidade, a proposta final pretende organizar os futuros clientes através de estratégias relativamente simples aplicadas, como dito, no que hoje são vagas de estacionamento em meios-fios e calçadas. De maneira resumida, quando o uso estiver destinado a mesas de restaurantes, por exemplo, o piso permanece nivelado através de chapas de alumínio apoiadas sobre a calçada – em outros casos, o mobiliário é apoiado diretamente no piso pintado (verde, azul ou rosa). Enquanto isso, vasos e jardineiras de concreto assumem-se como balizadores tanto entre o limite do leito carroçável quanto entre as próprias mesas dos comércios, sempre cobertas por anteparos.

A princípio, os pontos de intervenção limitam-se às ruas General Jardim, Major Sertório, José Paulo Mantovan Freire e Bento Freitas, beneficiando 26 estabelecimentos. A ideia é que esta primeira fase de implantação permaneça como projeto-piloto para, posteriormente, abranger outros pontos da cidade: “A proposta não deixa de ser uma maneira de colocar o desenho do espaço público [para pessoas] como prioridade na agenda urbana. Entretanto, seu sucesso depende do comportamento do público… Todos nós esperamos que ocupação destes espaços seja com cuidado e responsabilidade para possíveis replicações”, enfatiza Cedroni.