O arquiteto Manoel Coelho na sede de seu escritório, em Curitiba © Priscila Forone / Reprodução Gazeta do Povo

PROJETO lamenta a perda do arquiteto e urbanista Manoel Coelho

Aos 80 anos, ilustre figura da produção arquitetônica de Curitiba se despede da comunidade e deixa legado de brilhantismo profissional

Na manhã desta quinta-feira (4/3), aos 80 anos, faleceu o arquiteto e urbanista Manoel Coelho (1940-2021), em Curitiba, por complicações de câncer na bexiga e no fígado. Natural de Florianópolis, e radicado na capital paranaense, o “manézinho de floripa”, como a si mesmo se referia, firma-se na história da arquitetura e do urbanismo brasileiros por sua vasta experiência curricular.

Ainda estudante, deu o primeiro passo de envolvimento com a arquitetura pública ao ocupar o cargo de estagiário no Instituto de Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), participando do planejamento urbano de Curitiba – que lhe rendeu a integração à equipe técnica e, posteriormente, o cargo de arquiteto técnico consultor após formar-se, em 1962, na primeira turma de graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde lecionou durante 35 anos e foi coordenador do curso.

Desde 1973, também esteve na área de Planejamento Físico da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), local de desenvolvimento dos projetos de todas as instalações dos Campus Curitiba, Londrina, São José dos Pinhais, Toledo e Maringá.

Foi presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Paraná (IAB-PR) e ocupou a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano de Curitiba. De 1975 a 1980 coordenou o projeto de Desenvolvimento Urbano para a Cidade de Criciúma, Santa Catarina, abrangendo Projeto de Identidade Corporativa, Mobiliário Urbano, Sistema de Circulação, Paço Municipal, Centro Cultural e Centro Esportivo.

Também fez parte da equipe da segunda gestão (1979-1984) do prefeito Jaime Lerner, como secretário de Urbanismo, desenvolvendo suas reconhecidas identidades visuais – é de sua autoria a folha verde que fez parte da logomarca de Curitiba nas gestões de Lerner, Rafael Greca e Cássio Taniguchi -, além da revitalização da Praça Osório, em 2001, com a criação da Boca do Brilho, área específica para os engraxates que, dantes, ocupavam a Osório.

Além dos projetos citados, têm sua assinatura as instalações da Universidade Positivo, o Centro de Exposições do Parque Barigui, o Hospital do Rocio, em Campo Largo (PR), além de mobiliários urbanos de Curitiba, como lixeiras, abrigos de ônibus, e mais.

De acordo com o portal oficial de seu escritório (Manoel Coelho Arquitetura e Design), o arquiteto acumulou prêmios durante a trajetória, destacando a Medalha de Bronze na Bienal Mundial de Arquitetura, ocorrida na Bulgária, em 1983; o Selo de Excelência ao Arquiteto (1992), concedido pela Bienal Brasileira de Design; o Prêmio Projeto Memória do Arquiteto (1996), pelo IAB-PR; o Prêmio Conjunto de Obra (1997), no XV Congresso Brasileiro de Arquitetos Oscar Niemeyer; a Homenagem a ex-presidente do Ano (2012), aos 50 anos do IAB-PR, concedido pelo IAB Nacional; e mais.

Em nota de pesar, Luiz Fernando Jamur, presidente do Ippuc, lamentou a morte do arquiteto:

Grande nome da arquitetura e do urbanismo de nossa cidade, Manoel Coelho fez história e deixa um grande legado de identidade urbanística. Sua atividade nas áreas pública e privada e seus projetos, que privilegiam a escala humana e a harmonia no espaço urbano, seguem como referências e marcos em sua memória”.