(Foto: cortesia Renzo Piano Building Workshop)

Ponte de Gênova, de Renzo Piano, é finalmente inaugurada

Chamada de PerGenova, a estrutura foi pensada para substituir a ponte Morandi, colapsada em 2018

Projetada por Renzo Piano, a ponte PerGenova foi inaugurada e aberta ao tráfego na última quarta-feira (5/8). Além de cruzar a região de Val Polcevera, na cidade de Gênova, a estrutura foi criada após o trágico colapso da Ponte Morandi, erguida nos anos 60 e colapsada em 2018, desfazendo um trecho de importante ligação viária da região italiana da Ligúria, a rodovia A10.

O projeto foi assumido pelo arquiteto italiano Renzo Piano, que nasceu na cidade e ofereceu ajuda ao governador local. O consórcio PERGENOVA, composto pelas empresas Fincantieri Infraestructure e Salini Impregilo foi encarregado da obra, iniciada em 2019. A ponte foi pensada para cruzar a tal região, passando por cima de uma linha férrea e do próprio rio Polcevera, assegurando uma inserção delicada no contexto. Concebida com aço, pretende se assemelhar a um navio atracado no vale.

Com 1.067 metros de extensão, é composta de 18 piers elípticos de concreto reforçado e 19 vãos cobertos de decks de aço e concreto que chegam a 100 metros de comprimento, formando a base para a estrada suspensa. Embora numerosos, os piers delgados e sem quinas aparentes – lembrando a forma da proa de um barco – pretendem suavizar o impacto visual e a presença no tecido urbano. A forma do deck elevado, mais estreito nas extremidades, remete ao casco de uma embarcação. 43 postes para a iluminação foram inseridos na forma de mastros náuticos, em homenagem a cada uma das vítimas do desastre com a ponte a anterior.

 

 

Apesar do cenário de imensos prejuízos econômicos, humanos e sanitários gerados pela Covid-19, a conclusão e a inauguração da nova ponte desponta associada à melhoria e recuperação do país no presente momento. De acordo com o pronunciamento de Lorenzo Trompetto, presidente da Fundação da Ordem dos Arquitetos de Gênova:

Provou ser uma cidade frágil (…). No entanto, a fragilidade deve ser lida como uma oportunidade de mudar e evoluir, libertando-nos de preconceitos e restrições obtusas. (…) Em um momento de crise econômica global, nossa cidade pode ser um laboratório, um estudo de caso de desenvolvimento, porque é menos ancorada do que as grandes capitais europeias ao desenvolvimento especulativo”.