O arquiteto, no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), obra de sua autoria finalizada em 1995 © Via VEJA/SP

Paulo Mendes da Rocha recebe Medalha de Ouro 2021 da UIA

“As conquistas de Paulo Mendes da Rocha, ao longo de sete décadas, ilustram claramente um compromisso que valoriza a arquitetura como gesto público”, aponta o júri

A medalha de ouro da União Internacional do Arquitetos (UIA) 2021 foi concedida ao arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, a quem será feita a entrega oficial durante a ocasião do Congresso Mundial de Arquitetos (UIA2021RIO), a realizar-se, de maneira inédita, on-line em julho deste ano. Concedida trienalmente por ocasião de tais congressos, a principal comenda e os prêmios UIA reconhecem os profissionais cujos méritos, talentos ou realizações têm abrangência internacional, nos mais diversos campos da arquitetura.

Composto pelos arquitetos e urbanistas Nadia Somekh (presidente do CAU/Brasil), Kai-Uwe Bergmann (Dinamarca), Eva Jiricna (República Tcheca), Victor Leonel (Angola) e Thomas Vonier (EUA) – representantes das cinco regiões da UIA -, o júri “apreciou o trabalho único de Mendes da Rocha como o de um ousado iconoclasta cujo trabalho levou a arquitetura a novos patamares de virtuosismo técnico. Seu trabalho também incorpora fortes elementos pessoais e sociais de integridade, refletidos em sua habilidade de transcender fronteiras enquanto mantém um senso fundamental de lugar conectado a sua terra natal e cultura”, e complementou: “as conquistas de Paulo Mendes da Rocha, ao longo de sete décadas, ilustram claramente um compromisso que valoriza a arquitetura como gesto público”.

Entre outras honrarias, Paulo Mendes da Rocha já recebeu o Prêmio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-americana, em 2000; o Prêmio Pritzker, principal comenda da Arquitetura, em 2006; o Leão de Ouro da Bienal de Veneza de 2016, ano em que também lhe foi concedido o Imperiale Praemium (Prêmio Mundial de Cultura em Memória de Sua Alteza Imperial o Príncipe Takamatsu do Japão);  e a Medalha de Ouro Real de 2017 do Royal Institute of British Architects (RIBA).

Aos 92 anos, Paulo Mendes da Rocha é um dos expoentes da chamada Escola Paulista, grupo de arquitetos modernistas liberado por Vilanova Artigas. São de sua autoria projetos como Ginásio do Clube Atlético Paulistano, um de seus primeiros trabalhos, com João De Gennaro; o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE); a reforma da Pinacoteca do Estado, com Eduardo Colonelli; o Sesc 24 de Maio, um dos mais recentes, com MMBB Arquitetos; e o Museu da Língua Portuguesa, com o filho Pedro Mendes da Rocha, todos em São Paulo. Outro trabalho recente é o novo Museu dos Coches, em Lisboa, aberto ao público em 2015, além do Cais das Artes, em Vitória, Espírito Santo, sua cidade natal, em construção, projetado em parceria com o Metro Arquitetos.

 

 

Assim como a Medalha de Ouro, demais prêmios UIA foram concedidos neste ano. Confira os vencedores:

Prêmio Robert Matthew para Ambientes Humanos Sustentáveis

© Astrid Eckert / TU Muenchen

O júri concedeu o prêmio por unanimidade ao arquiteto burquinense Francis Kéré por sua implementação de visões utópicas e pragmáticas. O uso inovador de técnicas de construção locais e a sensibilidade para a cultura e a comunidade são emblemáticos em seu trabalho, um compromisso com os valores fundamentais da arquitetura sustentável à escala humana.

Prêmio Jean Tschumi por Contribuições Escritas na Arquitetura


Concedido ao historiador da arquitetura e especialista em conservação Doğan Kuban, um “gigante silencioso” que dedicou seu trabalho ao rico patrimônio arquitetônico de Istambul, Cazaquistão e Turcomenistão. Durante sua vida, Kuban produziu mais de 70 obras examinando a grandeza e a complexidade da arquitetura turca, islâmica e da Anatólia em todo o mundo, deixando recursos e inspiração inestimáveis ​​para futuros estudiosos e arquitetos.

Prêmio Auguste Perret para Tecnologia em Arquitetura


Pela primeira vez, o júri atribuiu o Prêmio a dois arquitetos: à indiana Anupama Kundoo, pelo seu trabalho inovador utilizando técnicas, materiais e princípios de construção locais, sendo extremamente sensível ao ambiente, clima e cultura; e ao francês Rudy Ricciotti, devido ao seu extraordinário domínio do concreto e sua impressionante flexibilidade de formas, ecoando o trabalho de Auguste Perret.

Prêmio Patrick Abercrombie de Arquitetura e Planejamento Urbano


Foi atribuído ao urbanista e professor espanhol Joan Busquets i Grau, em reconhecimento do importante impacto social de sua obra à escala global, citando em particular o seu visionário projeto de renovação urbana para o centro de Barcelona, sua cidade natal. O final da década de 1980, que continua exercendo uma influência excepcional e duradoura no planejamento urbano, inspira futuras gerações de arquitetos e urbanistas.

Prêmio Vassilis Sgoutas de Arquitetura a Serviço da População Menos Favorecida


A David Kaunitz e Ka Wai Yeung, casal australiano que recebe a comenda por seu profundo compromisso com design inovador e sustentável, implementado com participação local;

 


À arquiteta sul-africana Nadia Tromp, por seu compromisso social e suas soluções arquitetônicas simples e pragmáticas que promovem a dignidade humana e o engajamento comunitário;

 


Ao arquiteto chinês Jiansong Lu, cuja abordagem pragmática e elegante da arquitetura moderna melhorou a qualidade de vida dos membros da tribo Huayao, na China, uma minoria étnica que vive nas montanhas Xuefeng, na província de Hunan.

 

O júri também atribuiu duas menções:

 


À arquiteta indiana Brinda Somaya, especialista em conservação e restauração arquitetônica, pelo seu trabalho e filosofia sobre o papel do arquiteto como protetor;

 

© Latak Group

À equipe polonesa Biuro Projektów Lewicki Łatak, que cria espaços inclusivos e tornam reflexiva e prática a vida de pessoas deficientes físicas.