Johan van Legen © Instituto TIBÁ

Nota de Pesar: Arquiteto e urbanista Johan van Lengen

A personalidade marcante do profissional deixou herança valiosa à bioarquitetura brasileira e mundial

O arquiteto e urbanista holandês Johan van Lengen faleceu na última sexta-feira, 30 de julho, aos 91 anos de idade. Nascido em 1930, na cidade de Amsterdã, veio para o Brasil para trabalhar na atual capital, Brasília, mas não teve êxito. No entanto, no Rio de Janeiro, integrou a equipe do reconhecido colega Sergio Bernardes.

Mudou-se para a Califórnia, onde morou por alguns anos, mas, na década de 70, o professor de Bioarquitetura e Tecnologia Intuitiva Natural deixou os Estados Unidos para se dedicar à busca por melhoramentos em moradias populares.

 

Quando caminhava na favela, admirava a criatividade das pessoas e a falta de medo em fazer as próprias coisas. Havia muitas lojas, salões de beleza, uma creche e até uma estrutura de torre. Enquanto os governantes não os ajudavam, eles se viravam como podiam. Percebi imediatamente alguns erros estruturais. Algumas casas já estavam inclinadas, sendo mantidas por outra, ou por suspensão improvisada. Então eu pensei: ‘Aqui estou eu, tendo o conhecimento, posso ajudar muito simplesmente espalhando-o’”, declarou Johan em entrevista ao TIBÁ Rio.

 

Trabalhando para a Organização das Nações Unidas (ONU) – Índia, Tunísia e Honduras -, bem como para a Secretaria de Desenvolvimento Social do México (SAHOP), Johan introduziu novas soluções para a construção de moradias – as famosas cascajes e outras técnicas de plastocimento -, saneamento e energias renováveis. Este foi também o início do ‘Manual do Arquiteto Descalço’, publicação de 1984 considerada como indispensável para a compreensão e o emprego de tecnologias apropriadas em construção.

Um interesse vital na cultura e formas das populações indígenas, levaram Johan a muitos encontros com as tribos nativas do Brasil. Ao trabalhar no plano de reurbanização da cidade de Manaus, ele experimentou dúvidas sobre a introdução de nossas visões de organização urbana nessas áreas. O fascínio pela arquitetura indígena foi seguido por uma pesquisa contínua em diversos sites ao redor do Brasil e eventualmente, condensado no livro ‘Arquitetura dos Índios’.

Ao voltar para país, fundou o Instituto de Tecnologias Intuitivas e Bioarquitetura (TIBÁ), um instrumento ativo até hoje, e dedicado à disseminação de sua arquitetura entremeada à natureza.

 

 

 

* Com informações do Instituto TIBÁ