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MASP em Expansão: Considerações do METRO Arquitetos

A inter-relação entre METRO Arquitetos Associados e o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o MASP, é longa, cuidadosa e frutífera. A dupla Gustavo Cedroni e Martin Corullon, sócios do escritório, aborda, desde 2015, as infinitas escalas do museu. Ora no design de objetos, ora no planejamento de expografias mundialmente reconhecidas, vem à luz a nova atualização da proposta arquitetônica que expande área, acervo, diálogos e manifestações do potente MASP de Lina Bo Bardi

O projeto arquitetônico do MASP em Expansão é o ousado plano que aumentará em cerca de sete mil metros quadrados a área do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (1968), aquele que marca a paisagem paulistana, na Avenida Paulista, e leva a assinatura da renomada arquiteta ítalo-brasileira, Lina Bo Bardi. Integralmente financiado por doações de pessoas físicas, o novo prédio, batizado de Pietro Maria Bardi – cônjuge de Lina -, funcionará no que foi um dia o edifício Dumont-Adams, vizinho da sede do Museu.

Previsto para ser entregue em janeiro de 2024, o projeto encabeçado por Gustavo Cedroni e Martin Corullon, sócios do METRO Arquitetos Associados, está na mesa há anos – o próprio escritório estabelece uma relação profícua com o MASP desde 2015 -, e agora figura como desdobramento do trabalho que partiu do diagnóstico profundo das necessidades, condições, oportunidades de intervenção física, além do plano de coordenação da intervenção com as prioridades do museu em relação a programação e investimentos.

 

Elaboramos nos últimos anos um Plano geral de Intervenções, que também foi instrumento de diálogo com os órgãos de preservação de patrimônio e fontes de financiamento, numa relação muito produtiva. Vemos, portanto, o edifício como fruto desse trabalho de longo prazo e como oportunidade para resolução de questões limitantes à expansão do museu”, discorre a dupla de arquitetos.

 

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Sabe-se ainda que o novo edifício se trata da atualização/reformulação da proposta anterior de autoria do arquiteto Júlio Neves, responsável pela aprovação de um projeto modificativo e legal do edifício ao que foi parcialmente executado. Neves ocupou o cargo de presidente do MASP por 14 anos (1995 – 2009) que, somados à existência do museu e da Avenida Paulista, também são objeto de consideração à proposta de expansão – isto é, a própria passagem do tempo atualiza a relação do prédio com o entorno, de acordo com mudanças em termos culturais e de fruição urbana, importante cenário levado em conta pelos estágios da proposta de expansão.

 

A transformação é permanente na Avenida Paulista – e nesse local em particular: uma história muito rica e densa. A abertura da avenida aos pedestres e a intensificação da oferta de programação cultural se soma a uma vocação pública do espaço, com sua dimensão política em primeiro plano. Imaginamos a conjunção como uma oportunidade única – arte, cultura, política e espaço público – e esperamos que o aporte de infraestrutura representado pelo projeto possa contribuir para que o MASP continue com participação cada vez mais ativa nessas esferas tão relevantes para o Brasil”, justifica Cedroni e Corullon.

 

 

A relação com o MASP desde 2015 também rendeu ao METRO a missão de redesenhar os icônicos cavaletes de vidro desenvolvidos por Lina Bo Bardi. Ainda nota-se no portfólio do escritório a projeção de 28 exposições no Museu – como Arte da França: de Delacroix a Cézanne (2015), Portinari popular (2016), e A Mão do Povo Brasileiro, 1969/2016 (2016-2017) -, além de criar expografias de mostras como Histórias afro-atlânticas (2018), eleita pelo jornal norte-americano The New York Times como uma das melhores daquele ano.

 

A expansão

Os 14 andares do anexo serão ocupados por cinco galerias expositivas e duas galerias multiuso, representando um aumento de 66% de área expositiva do MASP. O edifício também abrigará restaurante, bilheteria, loja, reserva técnica, salas de aula e laboratório de restauro. Ao final da reforma, a área total do MASP será de quase 18 mil metros quadrados, contrastantes aos 10 mil metros quadrados atuais.

O projeto inclui uma passagem subterrânea já autorizada pela Prefeitura de São Paulo pela publicação em decreto municipal, que conectará os primeiros subsolos do edifício anexo ao histórico MASP, passando sob as calçadas da avenida e cruzando o trecho inicial da Rua Professor Otávio Mendes. Outra transformação importante será a transferência da bilheteria para o novo prédio, liberando totalmente a fruição pública no vão livre.

 

 

O edifício terá os primeiros pavimentos totalmente transparentes, em diálogo com o vão livre; já os andares superiores serão revestidos com chapas metálicas perfuradas e dobradas, que permitirão imagem monolítica sem inviabilizar as vistas da paisagem e a entrada de luz natural através de aberturas.

Tendo em vista a redução de pegada de carbono, o projeto conquista certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), dentre outros fatores, pela iluminação LED e sombreamento da fachada dupla, diminuindo a carga térmica interna e aliviando o sistema de climatização.