Lumumba Afroindígena e Francine Moura, autores da estátua que celebra o legado de Joaquim Pinto de Oliveira, Tebas (Foto: Ronny Santos / reprodução Folhapress)

Iniciada a implantação que homenageia Tebas, arquiteto negro dos séculos XVIII-XIX

Na última sexta-feira (20/11) começaram as obras de instalação, no Centro da cidade, da estátua que rememora a ampla contribuição desta importante personalidade para a arquitetura da capital paulista

A ação promovida pela Prefeitura de São Paulo, em consonância com Secretaria de Cultura da cidade, concedeu uma estátua em homenagem ao arquiteto negro Joaquim Pinto de Oliveira (1721 – 1811), reconhecido como Tebas, para demarcar sua vasta contribuição à arquitetura paulistana após ser alforriado aos 57 anos de idade. A dedicatória pública ocorreu na última sexta-feira (20/11), em data dedicada a refletir, a nível nacional, acerca da Consciência Negra. O ato de entrega foi, portanto, simbólico, mas a inauguração oficial do monumento será realizada no dia 5 de dezembro.

Sabe-se que a obra é fruto do esforço conjunto entre o artista plástico Lumumba Afroindígena e a arquiteta e urbanista Francine Moura. Incumbidos da tarefa, a dupla é autora de uma estátua de 3,6 metros de altura avaliada em R$ 171 mil, produzida ao longo de dois meses pelo empenho ao lado de uma equipe 90% composta por profissionais negros e que, a partir de dezembro, estará na placa Clóvis Bevilacqua, face leste da praça da Sé.

Esse é um aspecto importante para nós, pois precisamos dar oportunidade para que esses profissionais possam mostrar sua arte, sua potência. Precisamos mostrar que temos arquitetos negros, engenheiras negras que são capazes de fazer boas entregas”, pontua à Folha de S. Paulo, Francine Moura.

Na peça, a dupla intentou transmitir expertise e modernidade que caracterizam a produção de Tebas. Através dos materiais, a combinação entre corrente de ferro e aço inox procuram unir os dois tempos, tanto o período histórico de Tebas quanto a contemporaneidade, respectivamente – linguagem que ficará mais nítida com a deterioração proposital de ambos os materiais.

Por estar suspensa, a simbologia da obra deseja ainda evidenciar a ascensão do presente em relação ao tempo da escravidão – segundo Lumumba, a tal escultura pode ser ainda definida como “afro-futurista”, pois mescla ficção científica, fantasia, história e arte africana.

Tudo foi pensando para ser uma pose de ascensão. Com as correntes no chão, ele alça um voo para a eternidade. Trata-se de algo que vai além do estético. Há esculturas que exaltam assassinos e genocidas, todos retratados como heróis. É justo que um homem como Tebas renasça como herói”, finaliza à Folha de S. Paulo, Lumumba.

Sobre Joaquim Pinto de Oliveira – Tebas

Em 1778, aos 57 anos, Tebas angariou recursos suficientes que garantiriam sua alforria. A partir de seu direito conquistado (ainda assim nada simples de exercê-lo), passou a operar em construções que seriam ícones de São Paulo, com suprema atuação no Centro Histórico da cidade. Há trabalhos executados pela ilustre figura na torre da Matriz da Sé (1750), nos ornamentos das Igrejas da Ordem 3ª do Carmo (1775 – 1778), da Ordem 3ª do Seráfico Pai São Francisco (1783), no Mosteiro de são Bento (1766  e 1798), e mais. Em 1811, Tebas faleceu e após 207 anos, ou seja, em 2018, foi chancelado pelo Sindicato dos Arquitetos do Estado de São Paulo.

 

Saiba mais em Revista PROJETO: Homenagem a Tebas, arquiteto negro, acontecerá no Centro de SP