IAB-SP: atualizações na programação da 13ª BIA

Os próximos passos incluem o lançamento do concurso de Co-Curadoria para composição do grande evento de 2022, da consulta pública ao edital e de um encontro virtual especial para apresentação de proposições e esclarecimento de dúvidas dos interessados no processo. Saiba mais!

O Instituto de Arquitetos do Brasil – departamento de São Paulo (IAB-SP), realizador da Bienal Internacional de Arquitetura (BIA), lança no próximo 26 de outubro o concurso para o processo seletivo de Co-Curadoria da 13ª BIA, marcada para se realizar em 2022. As informações completas estarão disponíveis, a partir do próprio dia 26, no site oficial da BIA e as propostas podem ser enviadas até o dia 6 de dezembro. Ainda, entre 10 e 17 de outubro, precede o tal lançamento uma consulta pública ao edital, além de live especial – conduzida por Sabrina Fontenele e Karina de Souza, curadora residente e coordenadora da 13ª BIA, respectivamente – para apresentar proposições e esclarecer dúvidas dos interessados. Esse encontro virtual acontecerá em 19 de outubro, às 19h, com acesso pelo canal do YouTube do IAB-SP.

Diante dos desafios impostos pelo contexto pandêmico do coronavírus, a 13ª BIA de São Paulo traz como provocação central inicial o eixo temático “Reconstrução”, um convite a um amplo debate, com reflexões e propostas que apontem para práticas sociais, arranjos espaciais e as possibilidades de (sobre)viver e transformar a realidade em áreas urbanas e rurais.

Parte-se da ideia de reedificar, refundir e renovar as relações dos grupos sociais com seus espaços domésticos, dos cidadãos com os espaços públicos e das tramas pessoais e profissionais, que ocorrem nos espaços de confinamento e nos de usos coletivos, durante e depois da pandemia”, destaca Sabrina Fontenele, curadora residente desta edição e diretora cultural do IAB-SP.

Sabe-se que o planejamento da Bienal de 2022 teve início antes mesmo do fim da última edição, realizada em 2019, quando a chapa recém-eleita do IAB-SP previa como principal desafio apresentar temas relacionados à cidade democrática, propondo um novo modelo de governança do evento que incluísse extrapolar os limites do Centro expandido da capital paulista. Diante do cenário pandêmico, a junta considerou ainda mais complexos os entraves urbanos anteriormente previstos, assumindo a necessidade de repensar espaços e práticas cotidianas – daí o tema ‘Reconstrução’.

Não obstante, a chapa elenca eixos diretamente relacionados ao central como suportes para a condução da proposta do evento e, por conseguinte, norteadores aos interessados ao concurso de Co-Curadoria – a saber: Democracia, Corpos, Informação, Memória e Ecologia.

Sobre os Eixos

Democracia
Em um país que enfrenta ameaças de recessão democrática, o eixo Democracia sugere pensar como tornar as cidades mais acessíveis, seguras, acolhedoras, convidativas, mas também lugar onde contrastes e conflitos são latentes, discutindo questões sobre a presença das diversas classes sociais, das raças e dos gêneros. Também se propõe que sejam levantadas soluções inovadoras em relação ao planejamento e gestão democrática, a partir de experiências vinculadas ao território.

Corpos
Lança a discussão para a relação entre espaço e temas como interseccionalidade, vulnerabilidades e políticas sociais. Sugere uma reflexão sobre como garantir práticas coletivas tendo em vista questões de saúde pública, discriminação, violência e violações de direitos, de maneira a repensar como garantir acesso, convivência e circulação de pessoas nas cidades. Além disso, anuncia a urgência de garantir programas específicos para grupos específicos, como crianças, jovens, idosos, portadores de necessidades especiais, especialmente nos territórios vulneráveis em meio à crise imposta, ampliando o debate sobre as vulnerabilidades dos corpos nos fluxos pela cidade. Em relação aos espaços arquitetônicos, propõe ainda uma reflexão sobre a flexibilidade dos espaços domésticos, profissionais e institucionais frente ao desafio de garantir usos diversos e saúde coletiva no contexto de isolamento e de retomada das atividades.

Memória
Entende-se como o agente coletivo que nos confronta diante do estranhamento de um novo mundo e nos conforta em relação às suas permanências, mas também como um processo de reelaboração permanente deste passado no presente e que possui a propriedade de conservar ou de apagar certas informações, lançamos o desafio de compreender como utilizar a preexistência para a reinvenção do cotidiano nas cidades. Este eixo também visa refletir como a arquitetura e a infraestrutura urbana podem colaborar para a construção de uma memória coletiva que torne mais acolhedor o processo de (re)ocupação, (re) construção e (re) significação das cidades.

Informação
Abre horizontes para o debate de políticas urbanas e sociais a partir de uma temática que toca todos os aspectos da vida contemporânea, mas ainda está restrita a especialistas. A ideia é lançar luz sobre as questões de privacidade e proteção de dados, bem como às experimentações com modelos de governança de dados públicos e privados no gerenciamento dos corpos e das práticas cotidianas, estimulando o debate sobre cartografias colaborativas, reconhecimento facial, discriminação algorítmica, internet das coisas e ciência de dados urbanos em uma perspectiva de governança de cidades.

Ecologia
Como tema fundamental para o equilíbrio entre áreas urbanas e naturais, propõe a reflexão sobre o planejamento de cidades atentas ao equilíbrio ambiental e ao desenvolvimento de atividades produtivas, voltados para a qualidade de vida de sua população a partir de temas como mudanças climáticas, cidades de baixo carbono, agricultura urbana e segurança alimentar.

 

Além dos próximos passos preparatórios ao evento principal de 2022, nos últimos meses de julho e agosto, uma série de debates deram início à programação preliminar da 13ª BIA que, segundo Fontenelle, veio com a intenção de contribuir para o fortalecimento de uma rede colaborativa atuante “frente a um pacto social para compartilhar projetos, narrativas, experiências e ferramentas”. Retransmitidos aqui na plataforma da Revista PROJETO, parceira oficial de mídia da 13ª BIA, todos os encontros podem ser conferidos na íntegra:

O conjunto de debates deu ainda continuidade ao processo seletivo acompanhado da figura de uma curadoria residente que possa pensar na edição atual, assim como na construção de um modelo para as edições seguintes, de maneira a tornar o processo de construção do evento ainda mais aberto e representativo. A nova configuração deverá ser experimentada nas próximas cinco edições da Bienal (2022-2032), buscando estabelecer uma rede estratégica de relação com entidades culturais, universidades e poder público, produzindo uma exposição que não se volte somente para especializados na área, mas a todos os interessados a refletir sobre dinâmicas urbanas e arquitetônicas.

Entendendo que as manifestações múltiplas devem ser acolhidas e discutidas, o evento deve priorizar duas áreas da cidade para conectar e integrar ações: uma rede de equipamentos públicos e comunitários nas periferias, onde estão desenvolvidos projetos integrados de transformação urbana e ambiental em diálogo com as comunidades locais – como Jardim Guarani, Jardim Pantanal, Parque Pinheirinho D’Água, Jardim Lapenna e Parque Novo Mundo, em parceria com o Pacto Pelas Cidades Justas; e equipamentos culturais e espaços públicos no eixo da Avenida Paulista, com o intuito de abrigar exposições, debates e atividades que envolvam as populações na cidade.

Este processo buscará contribuir com o fortalecimento de uma rede de colaboração – envolvendo universidades, instituições culturais, movimentos sociais, entre outros – que atuem frente a um pacto social para compartilhar projetos, narrativas, experiências, ferramentas que possibilitem compreensão, atuação e transformação do ambiente e da cultura urbana”, completa Fernando Tulio Salva Rocha Franco, presidente do IAB-SP.

Também estão previstas, para o segundo semestre de 2021, chamadas abertas para selecionar projetos, atividades e intervenções vinculadas à Bienal.

 

Próximos eventos da 13ª BIA
10 a 17 de outubro – Consulta Pública do Edital
19 de outubro – Live sobre Consulta Pública
26 de outubro – Lançamento do Concurso de Co-Curadoria