"Lembranças de uma doce primavera", por Nove, 2014 (Foto: Divulgação)

Festival de realidade aumentada resgata obras apagadas em São Paulo

Como primeiro evento deste nicho na América Latina, o intuito é trazer, para o presente, artes desgastadas pela ação do tempo a partir de circuitos a pé realizados até o próximo 28 de dezembro

Reconhecida mundialmente por sua relevância na cena de arte urbana, a capital paulista recebe a primeira edição do ‘Fest.AR – Graffitis Apagados de São Paulo’, que conta com a participação de obras de 13 artistas de diferentes linguagens da arte urbana que marcaram a vida cultural da cidade nas últimas quatro décadas. Com a proposta “Um celular na mão, uma nova perspectiva em arte”, o festival ocorre até 28 de dezembro de 2020 em um circuito virtual que, para ser experienciado, depende de caminhadas pelas ruas da cidade.

Para vivenciar o Fest.AR, o interessado necessita baixar gratuitamente o aplicativo em seu celular, que indicará os locais dos antigos grafittis através de geolocalização. Ao direcionar o aparelho para o local indicado, será possível visualizar a obra que um dia esteve naquele local, fotografá-la e filmá-la (inclusive consigo no cenário), como se fosse a recomposição real atualmente.

Idealizado pela artista multimídia, pesquisadora em memória digital e patrimônio contemporâneo e especialista em experiências com múltiplas plataformas e indústria de XR, Giovanna Graziosi Casimiro, o festival traz ainda curadoria da produtora cultural Vera Santana, além de co-curadoria pela artista Prila Maria e realização da MOVA.

O processo curatorial buscou valorização e a reunião das diferentes linguagens da arte urbana de São Paulo, que consistem em um patrimônio histórico do município, promovendo um diálogo da cultura com a população e a própria cidade, de uma maneira diferente do que já foi feito até agora, respeitando e integrando todas as linguagens da rua”, pontua Vera Santana, que também coordenou o trabalho de pesquisa histórica e imagética norteadora da linha curatorial do festival.

A respeito das seleções que integram a mostra, destacam-se as obras geométricas de 6emeia, os lambe-lambe marcantes de Bueno Caos, o “veracidade” de Mauro Neri, o graffiti de Nina Pandolfo (uma das primeiras mulheres a ter reconhecimento na cena urbana), a empena vibrante de Nove, a Escrita de Rua de Loba Gi, o graffiti de Rui Amaral, a serigrafia de SHN, a pintura de Subtu, as letras de Sujeitas e o graffiti de Tinho.

 

 

Além das vivências nas ruas, o Fest.AR promove oficinas virtuais gratuitas que podem ser realizadas por qualquer parte do país. Nelas, os participantes têm contato com as questões teóricas da realidade aumentada e, em um segundo momento, vão poder criar suas próprias artes com uso da técnica. As oficinas ministradas por Giovanna Graziosi Casimiro estão em curso desde o último 5 de dezembro – mediante inscrições pelo festar.art.br -, repletas de conteúdos teóricos e atividades práticas sobre realidade aumentada como instrumento de ocupação urbana. As obras desenvolvidas pelos participantes vão compor a Galeria Fest.AR 2020/21, que poderá ser acessada pelo site e redes sociais do festival a partir do dia 19 de dezembro.

O festival traz uma reflexão muito importante sobre a preservação do patrimônio histórico da nossa contemporaneidade, incluindo a efemeridade da arte urbana como marco da característica cultural de São Paulo. Tanto o estudo quanto o resgate da memória só puderam ser realizados trazendo a tecnologia como aliada neste trabalho”, declara Giovanna Graziosi Casimiro, idealizadora do Fest.AR

A iniciativa do Fest.AR tradicionalmente resgata o patrimônio histórico cultural de São Paulo a partir da recomposição virtual de obras efêmeras (graffiti, lambe-lambe, letras, bombing, serigrafia e estêncil) em pontos da Avenida Paulista, Rua da Consolação e Centro, todas apagadas pelo tempo e pelo movimento natural da metrópole. “O Fest.AR é um encontro intergeracional da arte urbana paulistana, que traz a possibilidade mágica da obra de Jaime Prades, realizada em 1987, estar presente no mesmo tempo em que são apresentadas as letras politizadas da OPS(Vismoart) feitas em 2018”, comenta Santana.

 

Saiba mais nas redes sociais* do Fest.AR (Instagram; site).
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O aplicativo Fest.AR já está disponível na Google Play e, a partir de 15 de dezembro, na Apple Store.