FAUUSP: Proposta vence desafio global de redução de lixo e desperdício

Por meio de um laboratório de design, a equipe da instituição converterá o resíduo das podas de árvores de São Paulo em matéria-prima para a criação de objetos e mobiliário urbano

Empenhados pela busca da redução de desperdícios e de remodelações dos ciclos de produção e consumo atuais, na última semana foram anunciados os 16 projetos inovadores de todo o mundo que sairão do papel por meio da iniciativa do concurso global No Waste Challenge, organizado pela What Design Can Do (WDCD), em parceria com a IKEA Foundation. Cada selecionado tem acesso a 10 mil euros em financiamento para participarem do programa de desenvolvimento real das propostas.

Entre os projetos a serem postos em ação está o ‘Dapoda: design living lab’, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), cujo objetivo é transformar os resíduos provenientes das podas de árvore de São Paulo em matéria-prima para a criação de objetos e mobiliário urbano. A única vencedora brasileira da competição mundial visa experimentar, capacitar e fabricar a partir da madeira oriunda de poda urbana, a fim de unir as necessidades humanas e a valorização de resíduos por meio do modelo de produção em cascata.

 

 

Segundo a equipe, o projeto parte da análise da quantidade de resíduos e de suas diferentes qualidades, tendo vista a busca por possibilidades de fabricação de produtos e componentes utilitários, e dando forma às novas maneiras de aproveitamento das matérias-primas integradas aos princípios da economia circular. Neste sentido, ainda acrescenta:

 

Os métodos e processos envolvidos na valorização dos resíduos da poda de árvores serão sistematizados, de forma que esse conhecimento possa ser transmitido em cursos e oficinas de qualificação profissional, com foco em comunidades vulneráveis, e em colaboração com parceiros externos. Essas experiências vão abordar o teste e o desenvolvimento de projetos, produtos e serviços que tragam impactos positivos econômicos, sociais e ambientais de forma estrutural”, descreve a proposta brasileira.

 

© Produzida pelos autores

 

A tarefa de selecionar os vencedores coube ao júri internacional composto por 12 especialistas em design, empreendedorismo e ação climática. Trabalhando remotamente durante inúmeras sessões, o painel selecionou os 16 vencedores de uma lista de 85 finalistas com muito potencial. Ao final, a comissão avaliadora baseou sua decisão nos critérios oficiais do Challenge: impacto, criatividade e design, viabilidade e escalabilidade. “Recebemos muitas inscrições, o que mostra que designers do mundo inteiro querem fazer parte dessa mudança. Escolher os finalistas e, depois, os vencedores, foi muito difícil para os jurados”, comenta Bebel Abreu, diretora do WDCD São Paulo & Rio.

O próximo passo do desafio é fortalecimento de cada ideia vencedora, aprofundando seu potencial de impacto. Os times irão receber 10 mil euros em financiamento e acesso a um programa de desenvolvimento co-criado pelo Impact Hub Amsterdã – o programa começa com um bootcamp de uma semana e põe em contato especial agentes de mudanças e participantes. Os vencedores também recebem mentoria de profissionais para o desenvolvimento de um modelo de negócios viável e a avaliação de impactos.

 

Em um ano turbulento, o resultado do Challenge mostra que a comunidade criativa está disposta e apta a romper com séculos de pensamento linear e design comprometido”, comenta Richard van der Laken, co-fundador e diretor criativo do What Design Can Do.

 

 

 

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