© Luan Fontes

Estudante brasileiro conquista múltiplas premiações nacionais e internacionais

Primeiramente vencedor da categoria Estudante/Espaços Públicos no concurso ‘Casa Saudável, Cidade Saudável’, organizado pelo CAU/RS em 2020, o projeto de Luan Fontes agora ocupa a segunda colocação no A' Design Awards, além de menção honrosa no Design Educates Awards

O projeto ‘A perder de vista: escola de dança e moradia social emergencial no Rio de Janeiro, Brasil’ é fruto da mente pensante de Luan Fontes, estudante brasileiro de Arquitetura da Universidade do Porto, em Portugal, sob orientação de Mariela Salgado, que propôs um complexo cultural educativo com residências temporárias, edificado por contêineres, para o concurso nacional de ideias ‘Casa Saudável, Cidade Saudável’, organizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS), em parceria com UN-Habitat e a Minimum, em 2020.

Na ocasião, esperava-se por soluções arquitetônicas e urbanísticas de inovação ou melhoria em diferentes escalas e espaços de vivência em áreas urbanas, de modo a propiciar qualidade de vida nas cidades a partir da nova realidade conferida pelos tempos pandêmicos. A proposta de Luan foi, então, a vencedora do concurso brasileiro na categoria Estudante/Espaços Públicos e, neste 2021, passa também a conquistar o segundo lugar na categoria Projetos Sustentáveis e Design Verde no prêmio internacional A’ Design Awards, além de menção honrosa na premiação internacional Design Educates Awards, na categoria Design Arquitetônico.

O local escolhido para a implantação foi a Ilha dos Frades, na zona norte do Rio de Janeiro, em uma região pouco adensada, a apenas 11 quilômetros do centro da cidade. O terreno é caracterizado por planícies e intensa arborização preservada, tendo como vista principal a Ponte Presidente Costa e Silva, que conecta a cidade do Rio de Janeiro à Niterói.

 

© Luan Fontes

 

Tendo como objeto de estudo projetos extensionistas de realocação, bem como o aprendizado advindo da vivência dos moradores, o projeto visa pensar a ilha a partir dos limites que a definem – sejam físico-tangíveis ou sociais -, pressupondo leitura crítica sobre o papel que desempenham na vida destes utentes”, afirma o descritivo da proposta.

 

Pensado durante um semestre inteiro, com estimativa de execução em quatro meses, intenta-se a inserção de 42 contêineres tratados com isolamento térmico, totalizando um espaço construído de 620 metros quadrados para atender a duas necessidades locais: uma escola de dança que anteriormente funcionava em espaços adjacentes à igreja, e três moradias sociais emergenciais para abrigo temporário, sempre levando em consideração a necessidade de uma construção rápida e acessível, com materiais de fácil inserção no local. Sendo assim, o partido respeita os limites da topografia, traçando o eixo da rua paralela ao edifício vizinho, uma igreja datada do século XVIII, dentro dos limites de lotes unificados, aproveitando, sobretudo, o espaço de pequenos cortiços pertencentes aos religiosos.

 

© Luan Fontes

 

“Como resultado, temos um projeto com sistema estrutural 85% mais leve que alvenaria usual, e que leva a metade do tempo para ser executado, quando comparado a outro edifício comum. Já na comunidade, graças ao espaço maior que temos para a área cultural, conseguiríamos dobrar o número de crianças atendidas pela escola de dança, mudando, por conseguinte, a realidade da população jovem local. Contamos também com as áreas de lazer e convívio internas e externas, que tornam os edifícios como peças-chave para a vivência da comunidade. Já as moradias forneceriam não apenas abrigo temporário às três famílias locais, mas também a outras famílias no futuro”, continua o descritivo.

Junto aos movimentos políticos locais e à pesquisa de extensão, o projeto alerta sobre a necessidade de cuidado entre repartições públicas e comunidade para com a população remanescente da Ilha dos Frades, sobretudo, acerca do direito ao acesso à cultura e à moradia digna. “Levanta-se também a importância da preservação histórico-ancestral do sítio através das gerações das famílias que, desde o século XIX, estiveram lá e que, graças ao projeto, continuariam a habitar o local e amenizar, por conseguinte, os efeitos da gentrificação e especulação imobiliária na zona portuária do Rio”, finaliza o texto da proposta.

 

 

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www.luanfontes.co