Marina Kohler Harkot (Foto: Silvia Balan)

Entidades se manifestam com pesar por Marina Kohler

A pesquisadora de mobilidade urbana faleceu, aos 28 anos, na madrugada de domingo (8/11), após ser atropelada enquanto transitava de bicicleta pela Zona Oeste de São Paulo. Acontecimento causa comoção pública

No último domingo (8/11), a cicloativista e pesquisadora do LabCidade da FAU-USP, Marina Kohler Harkot, 28 anos, faleceu após atropelamento ocorrido enquanto percorria, de bicicleta, a avenida Paulo VI, no bairro Sumaré, na Zona Oeste de São Paulo – como não bastasse, o motorista não prestou socorro. A comoção é geral e incita ainda mais a defensoria de melhores políticas de mobilidade urbana, motivo do ato em prol à justiça por Marina promovido também nesse último domingo, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista.

Manifestantes pela Justiça de Maria Kohler, em 8 de novembro, na Praça do Ciclista, Avenida Paulista (Foto: reprodução LabCidade FAU-USP)

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, era mestra e doutoranda pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da instituição (FAU-USP), onde concluiu, em 2018, o mestrado com a dissertação “A bicicleta e as mulheres: mobilidade ativa, gênero e desigualdades socioterritoriais em São Paulo”. Na mesma instituição, Marina atuava como pesquisadora colaboradora do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade) e em suas produções sempre abordava a relação entre planejamento urbano, mobilidade urbana e gênero. Ainda, a pesquisadora contribuía como professora nos cursos livres da Escola da Cidade.

Entidades ligadas ao ciclismo e à pesquisa – como o próprio LabCidade, o Instituto de Arquitetos do Brasil/Departamento São Paulo (IAB-SP) e a Escola da Cidade – lamentaram publicamente a difícil perda. Veja a seguir:

Nota de pesar – LabCidade

Luto por Marina, Luta por Marina!

É com muita tristeza e pesar que o LabCidade lamenta profundamente a morte de Marina Kohler Harkot na madrugada do dia 08/11/2020. Marina foi pesquisadora do laboratório, grande colaboradora de nossos trabalhos e nossas pesquisas. Aluna, companheira querida nas disciplinas, nos cursos de pós-graduação e em seminários. De uma sensibilidade incrível e sorriso fácil, suas pesquisas, extremamente rigorosas, apontavam para uma nova forma da academia olhar para a cidade e transformá-la, engajando-se diretamente em temas candentes do cotidiano das mulheres que passam despercebidos pelas análises frias das políticas que abstraem as diferenças dos diferentes corpos no espaço urbano.

A morte de Marina, ativista e pesquisadora dos temas do feminismo, mobilidade ativa e da cidade é uma perda inestimável, criminosa, e não pode ser em vão. Uma cidade que mata, onde o corpo e a vida não têm nenhum significado, não pode mais ser tolerada. Marina foi morta enquanto lutava. Pois sua luta não se separava da sua vida, do seu corpo em movimento de bicicleta pela cidade. E perdemos, junto com a ativista, uma companheira de vida, da vida que ela nos ajudava a enfrentar com novos olhos.

Nossa melhor forma de homenagear a Marina é reafirmar nosso compromisso com a luta por cidades que protejam a vida.

Marina, sempre brilhante no que escrevia e fazia, seguirá presente em nossos pensamentos e ações, na concretude de suas palavras ao afirmar que para construir cidades mais justas e democráticas as percepções, emoções e afetos que moldam nosso relacionamento com a cidade devem moldar um novo urbanismo.

LabCidade FAU-USP

8 de novembro de 2020.