Em São Paulo, seminário gratuito discute ‘Cidades Educadoras’

Esse é o tema do evento que será realizado por Arq. Futuro, Insper e Latesfip- USP, no dia 30 de novembro (sábado), na capital paulista

Os desafios da escola além dos muros, a cidade no processo de aprendizagem, a potência comunitária e a cidade acolhedora e aprendente são temas do seminário gratuito – quem abre o encontro, no Insper, é o psicanalista Christian Dunker. Ele será acompanhado, em alguns dos cinco paineis previstos para o dia do evento, de especialistas em diversas áreas, incluindo urbanistas e educadores, todos eles reunidos em apresentações temáticas seguidas de debates. (Veja a programação completa no fim desta reportagem).

Para o seminário, parte-se da ideia de que a cidade pode ser considerada como uma escola. Uma escola de convivência e trocas simbólicas, o locus fundamental de aprendizagem da experiência pública, lugar formador do sentimento da urbanidade. Portanto é preciso discutir os sentidos primários da cidade como lugar de passagem e ocupação, como território e espaço, introduzindo a hipótese da cidade como lugar de aprendizado e intervenção transformativa.

“A cidade é uma estranha senhora, que hoje sorri e amanhã te devora”, diz a canção infantil (A cidade ideal, letra e música de Chico Buarque para Os Saltibancos), sintetizando os prazeres e riscos proporcionados pela experiência urbana. Composta no fim dos anos 1970, em meio ao êxodo rural que resultou nos atuais 85% da população vivendo em núcleos urbanos, a cidade dos sonhos e possibilidades é a mesma que nos ensina a erguer muros entre moradores.

As cidades brasileiras cresceram mal, mantendo índices precários de saneamento, segurança, habitação. A chamada cidade informal, autoconstruída e carente de toda infraestrutura, ocupa a maior parte do tecido urbano, mas continua invisível e inacessível aos habitantes das zonas centrais, quando não aos gestores e planejadores.

Se, nas palavras do economista Edward Glaeser, a cidade é “a maior invenção da humanidade”, é preciso admitir que ela foi uma invenção coletiva. Se ela permite o florescimento da cultura, o debate de ideias, o exercício pleno da política e da cidadania é porque representa a realização material de bem comum e, portanto, a permanência do saber acumulado sobre seus problemas e soluções. Assim como enfrentamos o desafio de fazer uma escola inclusiva, é chegada a hora de pensar uma cidade que não se organize pelo princípio da exclusão e pela prática da segregação.

A educação, neste caso, não é prerrogativa da escola, nem de seus professores ou planejadores, se bem que ocorre uma subtematização da cidade nos processos de aprendizagem escolar. Ainda assim é possível pensar em fazer das escolas lugar potencial a partir do qual a transformação urbana possa ganhar impulso.

O evento pretende propor, então, uma reflexão cruzada entre urbanistas e educadores em torno de uma cidade aprendente, o que envolve tanto a consideração curricular e a integração disciplinar de temas urbanísticos quanto o mapeamento e a localização dos recursos aprendentes da malha urbana, particularmente. Isso requer um esforço metódico de oferecer ao jovem conhecimento formal e sistematizado sobre o ambiente em que ele vive, ajudando-o a compreender desde os aspectos físicos da cidade até suas regras de governança; requer, sobretudo, a participação cidadã, ativa e transformadora no contexto de produção e disponibilização de saberes sobre a experiência da cidade. Contra a cidade em estrutura reversível e cambiante que vai do condomínio ao presídio e do shopping center aos bolsões de miséria, propõe-se o retorno da cidade como lugar do comum. Contra a cidade como lugar de deriva dos refugiados em seu próprio país, propõe-se a cidade acolhedora e aprendente. A educação para a cidade requer um novo esforço civilizatório para construir um novo espaço urbano que supere as atitudes ambivalentes de generosidade ou hostilidade, redefinindo a produção do interesse comum mais além do público e do privado. Uma cidade que se torne lugar de encontro, inclusão, diversidade e oportunidade – para todos.

Fonte: Arq. Futuro

Seminário Cidades Educadoras
Data 30/11/2019
Horário das 09h às 16h
Local Auditório Steffi e Max Perlman
Endereço Rua Quatá, 300, Vila Olímpia, São Paulo, SP
Estacionamento Rua Uberabinha, s/n – Vila Olímpia

Inscrições no site do insper

Programação

Abertura | 9h – 9h15
9h – 9h10 – Marcelo Orticelli [Insper]
9h10 – 9h15 – Tomas Alvim [BEĨ Educação e Arq.Futuro]

Painel 1 | 9h15 – 11h
A cidade como lugar de aprendizado e intervenção transformativa – o desafio de fazer uma escola além dos muros

9h15 – 9h45 – Palestra: Christian Dunker [USP]
9h45 – 11h – Debate
– Christian Dunker [USP]
– Carolina da Costa [Insper]
– Sônia Pieri [EE Infanto Dom Henrique]
– Paulo Blikstein [Columbia University]
– Mediação: Tomas Alvim [BEĨ Educação e Arq.Futuro]

Painel 2 | 11h – 12h45

A cidade nos processos de aprendizagem escolar – um lugar de grande potencial para transformação urbana

11h – 11h30 – Palestra: Cláudia Vidigal [Fundação Van Leer]
11h30 – 12h45 – Debate
– Cláudia Vidigal [Fundação Van Leer]
– Wilton Ormundo [Escola Móbile]
– Eloisa Ponzio [Devir]
– Jaison Luppi – E.E. Prof. Adrião Bernardes e ECOATIVA, Grajaú
– Mediação: Edson Diniz [Diretor Redes da Maré]

Almoço | 12h45 – 14h

Painel 3 | 14h – 15h
A potência comunitária – uma reflexão cruzada entre urbanistas e educadores em torno de uma cidade aprendente

14h – 15h – Debate
– Vinicius Andrade [Escola da Cidade]
– Professor Bráz [UNAS]
– Roberto Montezuma [INCITI] 
– Ana Cristina Dunker [Escola Carandá Vivavida]
– Mediação: Christian Dunker [USP]

Painel 4 | 15h – 16h
A cidade acolhedora e aprendente – uma cidade que se torne um lugar de encontro, inclusão, diversidade e oportunidade para todos

15h – 16h – Debate
– Marisa Moreira Salles [BEĨ Educação e Arq.Futuro]
– Christian Dunker [USP]
– Danilo Costa [Vereda]
– Rafael Gomes [Rapper MMoneis – Grajaú]
– Mediadora: Ana Luíza Colagrossi [Espaço Ara Educação]