Eleições CAU/2020: mulheres avançam em representatividade na próxima gestão

Ao todo, são três chapas inteiramente femininas que disputaram as eleições desse ano. Além da CAU+Plural, de São Paulo - eleita e que ainda passará por processo de defesa ao pedido de impugnação admitido -, houve mais uma (vitoriosa) de Santa Catarina, e outra de Mato Grosso do Sul, responsável pelas três únicas mulheres eleitas

Formação da Chapa 1 de São Paulo, CAU+Plural (Imagem: divulgação)

 

O movimento pela busca do protagonismo das mulheres nas instituições representativas de Arquitetura e Urbanismo tem se mostrado gradualmente mais expressivo e apresenta relação direta à composição da classe profissional no mercado de trabalho nacional. Números extraídos do SICCAU revelam que, de todos os arquitetos e arquitetas urbanistas ativos, as mulheres são maioria (64%) em todos os estados brasileiros, sendo que em 22 deles o percentual aumentou ainda mais no ano de 2019 [mais informações no 1º Diagnóstico de Gênero na Arquitetura e Urbanismo].

Em setembro deste ano, a Direção Nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) passou a ser representada por uma presidenta, a arquiteta e urbanista Maria Elisa Baptista que, em quase um século de existência, figura-se como primeira mulher a ocupar o cargo. Nessa mesma linha de reconhecimento de arquitetas e urbanistas, Rosa Kliass foi a primeira mulher condecorada com o Colar de Ouro do IAB (2019), desde a histórica entrega do tal prêmio iniciada em 1967, e, neste ano, Dora Alcântara registrou-se como segunda mulher a receber a que consiste na maior comenda da entidade.

No que diz respeito às eleições do Conselho de Arquitetura e Urbanismo deste ano, apresentaram-se três chapas integralmente femininas de diferentes estados. Além da Chapa 1, CAU+Plural, de São Paulo – que, na votação de 2020, registrou a maior participação de arquitetas e arquitetos na história do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), e apresentou, pela primeira vez, uma chapa com quase 40% dos votos válidos -, participaram do pleito a Mais Arquitetas (Chapa 2), de Santa Catarina – com vitória por 40,5% dos votos – e a Elas por Todos (Chapa 3), do Mato Grosso do Sul, como segunda mais votada, elegendo as únicas três mulheres aos cargos de conselheiras titulares no CAU/MS.

Em comum, o trio aponta como histórico a pluralidade de composição colaborativa, com objetivos que convergem para, dentre outros, equidade de gênero, racial e social na profissão. Em trecho retirado do Plano de trabalho da Chapa 2 Mais Arquitetas (SC), o grupo explica representar os 61% de profissionais mulheres registradas em Santa Catarina, e, por esse motivo, pontua como propósito “ampliar a representatividade feminina no Conselho (…) plenamente atuante, que busque transformar a sociedade e a cidade para tornar a Arquitetura e o Urbanismo uma profissão mais respeitada e reconhecida. Acreditamos que é preciso tratar os profissionais, cidades e regiões com equidade”.

A chapa catarinense, com 17 vagas para conselheiros estaduais, garantiu em nível titular uma representante federal, a arquiteta e urbanista Daniela Pareja Garcia Sarmento, e mais oito eleitas a representantes estaduais – a saber: Valesca Menezes Marques, Carlas Luiza Schons, Rosana Silveira, Silvya Helena Caprario, Claudia Elisa Poletto, Camila Gonçalves Abad, Fárida Mirany de Mira e Dalana de Matos Vianna.

 

 

No que diz respeito à CAU+Plural, a Chapa 1 paulista conseguiu, de maneira inédita, obter o maior número de vagas no Conselho, elegendo 49 cadeiras no plenário. Do total de 77 cadeiras, 52 serão ocupadas exclusivamente por mulheres, o que corresponde à 77% do próximo mandato representado pela parcela feminina – inverso aos números anteriores, com 76% do conselho estadual representados por homens.

A ideia de fazer uma chapa só feminina foi uma estratégia política: conhecendo o processo eleitoral do CAU, se elegermos chapas mistas ou majoritariamente masculinas, nunca vamos ter um espelho daquilo que a nossa profissão hoje, com mais de 60% de profissionais mulheres”, explicou à Casa Vogue Catherine Otondo, eleita representante estadual do CAU/SP pela Chapa 1 paulista.

A partir do grupo de 156 mulheres que compõem a chapa, buscou-se integrar negras, pardas e indígenas, diferentes idades – dos 20 aos 70 anos -, orientações sexuais, composições familiares, e atuações em diversas áreas da profissão e de todas as regiões do estado.

Já a sul-mato-grossense Elas por Todos (Chapa 3), concorrente às dez vagas para representação por conselheiros estaduais do Mato Grosso do Sul, conquistou ao menos três titulares para compor o mandato do próximo triênio, com 37,83% dos votos válidos, consistindo nas únicas mulheres da formação como um todo – são elas: Olinda Beatriz Trevisol Meneghini, Neila Janes Viana Vieira, Lauzie Michelle Mohamed Xavier Salazar.

Sabe-se que, neste ano, foram registrados pedidos de impugnação provenientes de três estados brasileiros: São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Com relação ao estado paulista, a chapa cassada consiste justamente na CAU+Plural, que após vitória nas eleições do último 15 de outubro, apresentou admissão de denúncia pelo CAU/SP por suposta violação do Artigo 22 do Regulamento Eleitoral para as Eleições de 2020, inscrito na página 15, que diz: “As propostas veiculadas em material de propaganda devem estar alinhadas às competências, às funções e às legislações vigentes correlatas ao conselho e não podem possuir conteúdo ilegal ou depreciativo, sob pena de sanções eleitorais e ético-disciplinares”.

A CAU+Plural, por sua vez, afirma que a denúncia é infundada e que ainda possui recursos na Comissão Eleitoral do CAU/BR, ou seja, em nível nacional. “A decisão não traz qualquer consequência para a chapa e em breve conseguiremos invalidá-la. Isso não passará de uma lembrança ruim!”, diz a nota de esclarecimento da chapa.

Isso faz parte do processo eleitoral. Evidentemente que uma chapa só de mulheres dá uma chacoalhada”, afirmou Catherine à Casa Vogue. “[Mas] a nossa junta de advogados respondeu prontamente e, agora, é uma questão jurídica. O que estamos fazendo é recorrer com toda a seriedade e serenidade, sobretudo, e aguardando que a comissão eleitoral faça seu trabalho com transparência, que é o que se espera de um órgão como este”.

Em apoio à CAU+Plural, também se manifestaram as Chapas 3, Conecta_CAU, e 5, CAU + 10, de São Paulo: “Elas, as mulheres da Chapa 01, a partir de uma organização ousada, limpa, propositiva e engajada, venceram as eleições! Entre 29.132 arquitetos e arquitetas de SP que votaram nas chapas, 11.568 escolheram essa grande composição de mulheres fortes, sérias e competentes e que assim como nós da Chapa 03 e Chapa 05, disseram basta! A Chapa 01 teve uma votação expressiva. 39,71% dos votos válidos. Isso é muito e deve ser respeitado. Em um momento do país em que as instâncias democráticas sofrem ameaças e outros órgãos de classe não conseguem organizar eleições sem que a justiça interfira, nós da Chapa 03 e Chapa 05 declaramos que aceitamos, reconhecemos e legitimamos a vitória da Chapa 01”.

Já no Mato Grosso do Sul e em Minas Gerais, os pedidos de impugnação solicitam o recálculo da proporcionalidade dos Conselheiros eleitos, enquanto no estado mineiro a acusação também se refere aos processos de campanha das duas chapas vencedoras (2 e 3), supostamente injustas às demais concorrentes pela também utilização do nome do CAU/MG em suas divulgações eleitorais. Sabe-se que todos os processos devem ser decididos até o dia 27 de novembro deste ano, quando o resultado das eleições será homologado. Acompanhe o calendário.

 

Confira os Extratos de Pedidos de Impugnação e o resultado geral da eleição 2020

 

Extratos de Pedidos de Impugnação – São Paulo

Extratos de Pedidos de Impugnação – Minas Gerais

Extratos de Pedidos de Impugnação – Mato Grosso do Sul

Resultado geral da eleição 2020