Richard Rogers, 2010 © Francois Guillot / AFP

Despede-se Richard Rogers (1933-2021)

Com carreira esplendorosa, o arquiteto ítalo-britânico foi colecionador dos mais altos prêmios da arquitetura mundial e deixa grande legado por sua atuação funcional e experimental em projetos

A revista PROJETO lamenta a partida do arquiteto ítalo-britânico Richard Rogers, que faleceu no último sábado, 18 de dezembro, aos 88 anos. O grande arquiteto se soma às sucessivas perdas sofridas pelo meio arquitetônico brasileiro e mundial – somente neste ano, partiram os expressivos Paulo Mendes da Rocha, Jaime Lerner, Ruy Ohtake, e tantos outros queridos e contribuintes por seu fazer projetual.

De acordo com nota oficial:

É com profunda tristeza que os sócios e a equipe da Rogers Stirk Harbor + Partners confirmam a morte de nosso colega, amigo e sócio fundador Richard Rogers. Pelas mais de quatro décadas de trabalho, ele será lembrado como um colega e amigo agregador, completamente livre de status, sempre inclusivo, explorando e olhando para frente.

Homem de imenso impulso e carisma, foi igualmente grande em civilidade e integridade, dedicado à arte e à ciência da arquitetura, do urbanismo, da vida da cidade, do compromisso político e da mudança social positiva. Seu amor pelas pessoas, discussão, partilha de pontos de vista, por novos caminhos e pelo trabalho cooperativo e criativo se refletiu na prática que fundou e que continuou a adotar e desenvolver.

Richard viveu sua família e sua vida profissional como um só. Nossos pensamentos e condolências à família.

Rogers Stirk Harbor + Partners

 

O Edifício Lloyd’s, em Londres © Cortesia Rogers Stirk Harbor + Partners

 

Nascido em 1933, em Florença, na Itália, Rogers se dirigiu à Inglaterra, terra natal de seus pais, após o início da Segunda Guerra Mundial. Foi quando fundou o estúdio de arquitetura Team 4, junto de Norman Foster, Su Brumwell e Wendy Cheeseman, que, apesar de terem concluído poucos projetos, foi base para sua expressão arquitetônica.

Em 1967, após a divisão do Time 4, Rogers estabeleceu o Richard + Su Rogers Architects, com Brumwell, com quem havia se casado. Após três anos se juntou ao arquiteto italiano Renzo Piano, dupla relativamente desconhecida, mas que logo ganhou o concurso para projetar o Centre Pompidou, em Paris, que se tornaria um dos edifícios mais importantes do século – foi então em 1977 quando Rogers estabeleceu a Richard Rogers Partnership, renomeada como Rogers Stirk Harbour + Partners em 2007.

Passou a ser reconhecido por uma arquitetura experimental, tecnológica, explorativa de materiais – principalmente aço e vidro -, e altamente funcional. Além do Pompidou, são de sua autoria o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em Estrasburgo, o Terminal 4 do Aeroporto Madrid-Barajas, o Millennium Dome, em Londres, o 3 World Trade Center, em Nova Iorque, o Edifício Lloyd’s, em Londres [Richard Rogers e Associados: Edifício do Lloyd’s, Londres, publicada originalmente na revista PROJETO edição 126 – Outubro 1989].

 

O Centre Pompidou, em Paris © Cortesia Rogers Stirk Harbor + Partners

 

Essas e outras expressões renderam ao arquiteto o recebimento de grandes premiações arquitetônicas, dentre elas a Royal Gold Medal, em 1985, a Medalha de Ouro do American Institute of Architect’s, em 2019, o Praemium Imperiale for Architecture, em 2000, e o Prêmio Pritzker, maior comenda da profissão, em 2007 [Entrevista – Richard Rogers: Prêmio Pritzker em 2007, o arquiteto ítalo-britânico fala sobre seus mais de 40 anos de profissão, publicada originalmente em PROJETODESIGN edição 374 – Abril 2011].

Seu estúdio também ganhou o Prêmio Stirling, a maior homenagem do Reino Unido, conferido ao Aeroporto Barajas de Madrid, em 2006, e posteriormente ao Maggie’s Centre, em Londres, em 2009.