Conheça o Betoneira: podcast sobre arquitetura, cidade, pessoas e outras coisas mais

A união de três arquitetos - ninguém menos que André Scarpa, Marcelo Barbosa e Paula Otto - deu início, em 2019, à ideia de veicular abertamente podcasts que contemplassem discussões relacionadas às esferas de arquitetura e urbanismo, mas não só. O principal objetivo, explícito pelo próprio nome (Betoneira), seria misturar conversas sobre os tais nichos com assuntos tão diversos quanto seus eventuais convidados, métodos de linguagem, tons de explanação e, sobretudo, público final - longe de ser destinado unicamente aos especialistas do campo arquitetônico. Em entrevista exclusiva com a Revista PROJETO, o trio resgata o surgimento da ideia e discorre sobre os bastidores dos episódios e suas prospecções para a proposta

O processo começou recentemente, em 2019, quando o arquiteto Marcelo Barbosa (Bacco Arquitetos Associados), inspirado por “não haver algo parecido no ar”, propôs a dois companheiros de profissão, André Scarpa (André Scarpa) e Paula Otto (Arquitetura Nacional), a criação de um projeto diferente (mas nem tanto) do nicho em que usualmente se aplicam tais profissionais. A ideia seria desenvolver um novo espaço para divulgação de conteúdos relacionados a arquitetura e cidade, elementos chave de trabalho do trio, porém com a complementação de campos adicionais, não menos importantes – como filosofia, sociedade, literatura, design, cinema, música, fotografia e mais -, sempre roteirizados e produzidos por eles próprios, e equipe, no formato de podcast, um dos veículos de comunicação mais consumidos por Barbosa, que na visão pessoal do arquiteto, figura como um local “onde podemos verbalizar coisas que, na imaginação individual, serão ainda formadas”.

A diversidade não estaria aplicada somente ao enredo, mas ao público a que se destina, assim como à linguagem. Tudo tão amplo que seria capaz de aproximar-se, de maneira abrangente, daqueles que não partilham de especializações arquitetônicas, retratando tanto os diferentes eixos temáticos quanto os próprios profissionais que se emprenhariam em realizá-los. “Daí surgiu o nome Betoneira, uma ideia do André. Assim como esse equipamento faz as misturas numa obra, o novo podcast seria um espaço para mesclar esses vieses de discussão”, pontua Paula.

Na verdade, quando o Marcelo veio com a ideia, eu não era ligado a esse formato. Depois, o que achei mais interessante é que poderia ser uma forma de consumir conteúdo de maneira mais leve, ‘liberto das telas’, dando a possibilidade de ouvir, mas sem precisar estar ‘parado’ necessariamente”, revela Scarpa.

Assim que decidido pela efetivação do projeto, os arquitetos deram início aos primeiros passos, incluindo elaboração de identidade visual e trilha sonora própria, e as gravações, feitas também a partir de 2019, principiaram por roteiros mais bem definidos, sem grandes aberturas. Na sequência, pelo curso natural, os encontros trouxeram para si o notório aumento de fluidez, refletido nas falas e progressivas inscrições pessoais do trio, que se mostrou à vontade com o compartilhamento ao público, assim como pelas contribuições de convidados de outros campos profissionais.

De acordo com os arquitetos, a primeira intenção teria sido inaugurar o projeto nas plataformas digitais no período do Carnaval de 2020 com um tema que aproximasse a conversa a expressões culturais. Entretanto, mediante ao advento pandêmico, o adiamento da estreia resultou na gravação (presencial e à distância) de outros tantos episódios que, numa seleção, compilou três assuntos para primeira veiculação no último mês de setembro (21, 22 e 23), respectivamente: “Home-office ou home-vida: como é a sua casa na pandemia”; “Mulheres invisíveis e a miopia urbana”; e “Por que a casa do vilão é sempre mais bonita?”.

Quisemos lançar os três ao mesmo tempo justamente para dar a impressão desse nosso panorama de abrangência. Por isso, o primeiro tematiza uma situação vivida (e ainda em experiência); o segundo, um assunto mais sério; e o terceiro, apesar de muito relevante, como algo mais descontraído”, explica Scarpa.

A equipe, que conta com diversos profissionais para realização do projeto, já congregou, dentre os episódios publicados, a contribuição da designer, arquiteta e pesquisadora Maria Cau Levy, e do poeta, prosador, artista gráfico e editor brasileiro, Joca Reiners Terron, participante do último título lançado (9/10), “Narrativas urbanas”.

Para o que se segue, espera-se divulgar quinzenalmente um novo capítulo sempre em variadas plataformas – a saber: Spotify, Podcasts Apple, Google Podcasts, Overcast, Breaker, Pocketcasts e Radiopublic, sem contar a prospecção de um site de amparo ao projeto, complementando com referências, transcrições e outros.

Lançamos sem divulgar previamente e agora vemos o real crescimento dessa proposta, recebendo devolutivas que classificam o conteúdo como despretensioso, bem humorizado, mas muito profissional”, finaliza Paula Otto. (Por Daniela Bueno Elston).

Episódios publicados

1.

Ninguém aguenta mais ficar em casa. Ao mesmo tempo, nunca foi tão importante pensar sobre esse lugar: a nossa casa. Afinal, é aqui que agora a gente faz tudo. Por isso, Betoneira nasce perguntando: o que vai mudar no nosso jeito de morar? Será que todo mundo vai querer fugir pro meio do mato? E qual o papel da arquitetura nisso tudo? Vem com a gente nesse papo descontraído mas sério, filosófico mas divertido, arquitetônico mas pra todo mundo.

2.

Você sabia que os famosos sintomas de um ataque cardíaco acontecem na maioria das vezes somente nos homens? Você já parou pra pensar quais são os critérios utilizados pra definir um ser humano “padrão”? No segundo episódio do Betoneira, trazemos a convidada especial Maria Cau Levy pra discutir o papel das mulheres no mundo contemporâneo e a forma como elas se relacionam com as cidades.

3.

Quando uma casa modernista aparece em um clássico do James Bond, a gente já sabe: não é gente do bem que mora ali. O terceiro episódio do Betoneira questiona por que a casa do vilão é sempre mais bonita que a do mocinho. O que isso significa na prática da arquitetura e no nosso subconsciente? Vem com a gente assistir, ou melhor, escutar esse filme.

4.

Quando lemos um livro somos transportados para outras realidades onde nossa imaginação fica responsável por visualizar personagens e construir cenários minuciosamente projetados pelo autor da obra. No quarto episódio do Betoneira convidamos Joca Reiners Terron para explorar tudo o que acontece quando o escritor vira o arquiteto! Dá o play e vem com a gente neste passeio literalmente literário!

 

Sobre André

André Scarpa formou-se pela FAUP em Portugal, onde trabalhou com António Madureira e Álvaro Siza. Em São Paulo trabalhou no escritório Nitsche Arquitetos. Em 2018 criou escritório próprio onde se dedica a projetos, fotografia de arquitetura e roteiros para passeios arquitetônicos.

Sobre Marcelo

Marcelo Consiglio Barbosa é paulista, arquiteto formado pela FAU/Mackenzie em 1984, mestre em Projeto de Edificações pela FAU/USP (2001) e doutor pela FAU/Mackenzie (2012).É sócio junto com Jupira Corbucci da Bacco Arquitetos Associados, escritório especializado em projetos de infraestrutura como aeroportos, escolas e urbanismo. em 2017 lançou o livro “Adolf Franz Heep – Um Arquiteto Moderno” pela editora Monolito. Não é “gente de bem”, acredita em final feliz e atualmente sai pouco de casa.

Sobre Paula

Paula Otto é gaúcha formada em arquitetura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É sócia-fundadora, junto com Eduardo e Elen Maurmann, da Arquitetura Nacional, com sedes em Porto Alegre e São Paulo. O escritório trabalha da micro à macro escala – do objeto ao predião. Paula já trabalhou também com cenografia, teve uma marca de moda e foi jurada do reality show Missão Design no GNT. Acredita que a boa arquitetura é atemporal. Atualmente, coleciona gatos e plantas, além de acumular karma positivo sempre que possível.

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