Confira as recentes atualizações do Mapa de Desigualdade de São Paulo

Lançado pela Rede Nossa São Paulo, junto do Programa Cidades Sustentáveis, o documento congrega informações de 96 distritos da capital paulista, tangendo os temas: população, meio ambiente, mobilidade, direitos humanos, habitação, saúde, educação, cultura, esporte, trabalho e renda

A mais recente publicação da Rede Nossa São Paulo, realizada em parceria com o Programa Cidades Sustentáveis (PCS), oferece o panorama atualizado da capital paulista no que diz respeito às desigualdades enfrentadas no território. O novo Mapa de Desigualdade 2020 contou com lançamento oficial ocorrido no último 29 de outubro, em evento on-line e transmitido pelo YouTube e Facebook da Rede Nossa São Paulo, junto da participação dos candidatos à Prefeitura de São Paulo Bruno Covas (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Jilmar Tatto (PT) e Márcio França (PSB) – Celso Russomanno (Republicanos) foi convidado, mas não participou.

A edição desse ano é composta por indicadores correspondentes aos eixos população, meio ambiente, mobilidade, direitos humanos, habitação, saúde, educação, cultura, esporte, trabalho e renda, todos com dados provenientes de 96 distritos da cidade de São Paulo, utilizando-se de fontes públicas e oficiais, que identificam, por sua vez, prioridades e necessidades da população, podendo auxiliar na gestão e no planejamento municipal.

Os dados informam, portanto, a realidade dos distritos da capital paulista através de um “medidor de desigualdade”, que evidencia a diferença entre a melhor e a pior condição para cada um dos indicadores. Assim, ao preencher uma lacuna na difusão de informações e ampliar o conhecimento sobre os territórios da cidade, o Mapa pode contribuir para a elaboração de políticas públicas que visam a redução dos contrastes.

Durante o lançamento, a cobertura da Rede Nossa São Paulo pontuou que Guilherme Boulos enfatizou que o combate à desigualdade não se limita à desigualdade social e de renda, mas também “às várias expressões de desigualdade que existem na cidade de São Paulo, nos vários mundos que coexistem dentro do território cidade”. Para ele, “reduzir distâncias sociais, políticas e geográficas é a forma de combater a desigualdade em São Paulo”. Boulos comentou ainda que a “expulsão dos mais pobres para as periferias foi também a expulsão de negros e negras para tais regiões”.

Jilmar Tatto reiterou o posicionamento de Boulos e defendeu a geração de empregos “no território através das cooperativas”. O candidato petista falou sobre a necessidade de “fortalecer o Estado” para combater a desigualdade. “Não é privatizando, tampouco terceirizando, que você consegue ter uma política de Estado”, completou.

Por sua vez, o candidato à reeleição Bruno Covas afirmou que o Mapa “é útil na formulação de políticas públicas e importante para que o governo possa focar o seu direcionamento”. Já Márcio França defendeu que “educação de qualidade é a grande porta para diminuir a desigualdade”. O candidato destacou também os impactos da pandemia na capital paulistana e afirmou: “Quem não foi contaminado fisicamente, foi contaminado economicamente”.

 

 

Devido a limitações técnicas, a Rede Nossa São Paulo organizou um segundo evento, realizado na última quarta-feira (4/11), para abarcar demais convidados, como forma de suprir a carência de posicionamentos e comentários complementares acerca de pontos essenciais acreditados e defendidos pela própria instituição.

O espaço foi estendido, dessa forma, às candidaturas para a Prefeitura de São Paulo, que não participaram do primeiro encontro, reunindo virtualmente as figuras Andrea Matarazzo (PSD), Antonio Carlos (PCO), Levy Fidelix (PRTB), Marina Helou (Rede Sustentabilidade), Orlando Silva (PCdoB) e Vera Lucia (PSTU).

Novamente segunda a cobertura realizada pela Rede Nossa São Paulo, ressalta-se o posicionamento de Andrea Matarazzo acerca da relevância do Mapa da Desigualdade para a gestão pública, afirmando “olhar a cidade pelos indicadores piores e ter como meta os indicadores melhores”.

Já Antonio Carlos questionou o processo democrático nessas eleições e falou que o processo “é um sintoma muito claro da desigualdade existente no país”. O candidato Levy Fidelix defendeu o “emprego regionalizado”, pontuando que a “Prefeitura precisa ser promotora e organizadora da sociedade”, cabendo ao poder público “se organizar e ter a tarefa de linkar com a iniciativa privada que gera emprego”.

Por sua vez, Marina Helou falou sobre “descentralizar o poder” e apresentou a proposta de “planos locais a partir dos territórios”. “Não dá para nós acharmos que em uma cidade com doze milhões de habitantes, com tantas diferenças entre as regiões, uma única solução será o suficiente”.

Orlando Silva aponta ser necessário “tirar do papel o Plano Diretor”. Segundo ele, o Plano “é adequado” e não foi implementado por estar “em choque com o avanço da especulação imobiliária que tem tomado conta da cidade”. Por fim, Vera Lúcia abordou os diferentes tipos de opressões existentes e defendeu que “conselhos populares, a luta contra o machismo, o racismo, LGBTfobia e xenofobia devem ser medidas permanentes”.

É importante evidenciar que o mapeamento de desigualdade é formulado e divulgado anualmente pela Rede Nossa São Paulo, desde 2012, afirmando-se como estudo esperado para apresentar indicadores reais, atualizados e servir como valorosa ferramenta para gestão e planejamento municipal, auxiliando na identificação de prioridades, carências e necessidades da população e seus distritos.

 

 

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Mapa da Desigualdade 2020 – Mapas

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