Concurso Parque Olímpico Rio 2016: Aecom leva o ouro

Aecom leva ouro no Parque Olímpico Rio 2016

A proposta urbanística do Parque Olímpico para os Jogos no Rio de Janeiro, em 2016, será desenvolvida pelo escritório Aecom Architecture, que tem sua base em Londres, com unidades e projetos em várias partes do mundo. O projeto foi selecionado em uma competição internacional promovida pela prefeitura com a colaboração do IAB/RJ e da União Internacional de Arquitetos (UIA).O resultado da disputa foi divulgado na segunda quinzena de agosto.

Os jurados Jorge Wilheim, Gabriel Durand Hollis, Nuno Portas, John Baker, Luis Millet, Flávio Ferreira e Sérgio Dias, consideraram a solução inscrita em nome do arquiteto William Hanway (norteamericano que reside em Londres) a melhor entre 58 trabalhos, 41 deles provenientes de outros países, tais como o do austríaco Coop Himmelb(l)au e do holandês Mecanoo. O prêmio para o vencedor foi de 100 mil reais. O trabalho inscrito por Ron Turner, dos Estados Unidos, ficou com a segunda posição (50 mil reais) e Tomás Antônio Fernandes Salgado, de Portugal, conquistou o terceiro lugar (25 mil reais).

 

1º lugar
Esplanada pública para multidões

 

Inscrita por William Hanway, a proposta do Aecom teve ainda a participação de Daniel Gusmão, Joaquim Pujol, Sam Wright, Jonathan Rose, Andrew Jones, Graham Goymour, Ken Carmichael, Keyvan Rahmatabadi, Stefan Hiller e Fred Labbe.

Na ata da competição, a comissão julgadora avaliou que os acessos para leste e oeste foram bem resolvidos, destacando ainda a entrada separada de público e de atletas em cada equipamento mediante a adoção de uma via exclusiva que também alimenta os estacionamentos.

“A esplanada pública oferece espaço adequado para multidões e dá-lhe uma vivência intensa e uma visão quase total do parque”, observaram os jurados. Eles também elogiaram a engenhosa solução para a transformação das quatro quadras quando da instalação do Comitê Olímpico Internacional.

Para Hanway, o Parque Olímpico do Rio de Janeiro proporcionará desenvolvimento urbano de padrão internacional, não só promovendo o melhor em design, tecnologia e cultura, mas também satisfazendo as demandas urgentes e vitais de seus moradores, empresas e meio ambiente.

Para o arquiteto carioca Daniel Gusmão, que faz parte da equipe vencedora, um dos principais méritos da proposta é a valorização do terreno na Barra da Tijuca, sobretudo pela manutenção da paisagem da orla e acolhimento dos pedestres.

A setorização, detalha Gusmão, procurou aproximar os edifícios esportivos dos residenciais, segundo ele para evitar que aconteça no Rio o que houve em Atenas depois dos Jogos Olímpicos de 2004: na capital grega, a área das competições teria ficado marginalizada. “Nossa proposta é um parque olímpico de padrão internacional, abrangendo estruturas permanentes e temporárias sobre as quais uma nova rede de ruas e praças da futura cidade irá se assentar”, discorreu Hanway.

“Lançando mão de nossa experiência, queremos assegurar que o investimento e a energia focada na Barra promovam o maior benefício possível a longo prazo”, completou.

 

Implantação: 1. Terminal BRT / 2. Passeio olímpico / 3. Esportes aquáticos / 4. Arenas multiuso / 5. Velódromo / 6. Tênis / 7. Arena ginástica/basquete / 8. Praça de convivência / 9. Centro de transmissão / 10. Centro de imprensa / 11. Hotel de imprensa
12. Central de satélites / 13. Estacionamento/ parada de ônibus

 

2º lugar
Bom aproveitamento imobiliário

 

Embora liderada pelo escritório norte-americano SWA Group, a equipe classificada em segundo lugar tem um nome bem ao espírito carioca: o Grupo Aquele Abraço foi constituído por Ron Turner, Gerdo Aquino, Aníbal Coutinho, Antônio Paulo Cordeiro, Miguel Pinto Guimarães, John Leys, Mark R. Merkelbach, Randy Schulze e Vicente del Rio.

Cordeiro e Coutinho são sócios do escritório Coutinho Diegues Cordeiro, e Guimarães, titular do estúdio Miguel Pinto Guimarães Arquitetos Associados.

Também neste caso a comissão julgadora avaliou como adequadamente resolvidos os acessos para leste e oeste e considerou que a esplanada pública – que se abre gradualmente, alcançando todos os equipamentos – proporcionava boas condições de vivência para os usuários.

Observaram, no entanto, que o sistema viário e a infraestrutura do modo legado não eram definidos com clareza. O júri destacou o bom aproveitamento imobiliário da proposta, mas notou que não há plena utilização da vista para a lagoa.

 

3º lugar
Diretriz para desenvolvimento sustentável

 

O grupo de arquitetos do escritório português Risco (Tomás Salgado, Nuno Lourenço, Carlos Cruz, Jorge Estriga e Manuel Grade Ribeiro) trabalhou em parceria com paisagistas do estúdio NPK (Leonor Cheis e José Veludo), também de Portugal.

Os integrantes do júri avaliaram a proposta como correta e de fácil implantação. “Porém, sem o ambiente de vivência espetacular apresentado pelos projetos anteriores”, escreveram em ata, lembrando ainda que a disposição dos campos de hóquei poderia ser melhor.

Os autores afirmam que, com o trabalho, procuraram definir uma diretriz para o desenvolvimento sustentável do distrito de Jacarepaguá. Para resolver o modo jogos, criaram um parque claramente delimitado, com portas e acessos bem definidos; no modo legado, sugerem um plano piloto e não um projeto acabado.

Morfologicamente, seria uma rede sem limites precisos, que se insere na cidade existente. “Os dois modos devem coexistir no mesmo espaço, em tempos diferentes, mas sem demolir e fazer tudo de novo”, ponderam eles em memorial.