Foto: Via @mrosenbaum

‘Cobogó da Mundaú’ estimula economia circular em Alagoas e concorre a prêmio internacional

O projeto, cujo nome faz referência a uma lagoa do bairro Vergel, em Maceió, converte o descarte de conchas do fruto do mar tipicamente alagoano, o Sururu, para a base de produção das tais peças vazadas. A iniciativa de integração entre ser humano e meio ambiente, por meio do design, a partir do estímulo à economia circular local, é ainda apreciada pelo Prêmio Human City Design Award 2020, que a classifica dentre os 10 finalistas da edição

O Prêmio Human City Design Award anunciou recentemente os 10 finalistas da edição de 2020, dentre os quais destacam-se dois brasileiros: o Projeto Cobogó da Mundaú – desenvolvido por Marcelo Rosenbaum e Adriana Benguela, em parceria com Rodrigo Ambrósio -, e o Design Meets The Corre / Fa.vela, por Gustavo Greco Lisita.

A premiação, criada há cinco anos pelo Governo Metropolitano de Seul e pela coreana Seoul Design Foundation, tem o objetivo de estimular relações harmoniosas entre ser humano e meio ambiente, através de iniciativas que apresentem o design como solução criativa para problemas sociais complexos – uma forma de extrapolar as vertentes do setor e contribuir para o desenvolvimento da humanidade.

Sentimos honrados e celebramos o reconhecimento deste projeto. Estar entre os 10 finalistas, é motivo para comemorarmos com toda a nossa rede de parceiros, apoiadores e responsáveis pelo desenvolvimento do ‘Cobogó da Mundaú’, que nasceu com o desenho colaborativo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Prefeitura de Maceió e Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS)”, afirma Rosenbaum.

Apoiado ainda pelo Human Cities EU Network, World Design Organization (WDO), The UNESCO Creative Cities Network, Cumulus, The Silk Road Universities Network (SUN) e Korean Federation of Design Associations, o certame anunciará os vencedores no próximo 8 de março.

O Projeto Cobogó da Mundaú

A iniciativa atenta para o pequeno bairro do Vergel, em Maceió, onde se insere a Mundaú, lagoa cuja orla é ocupada por cinco favelas habitadas por uma população que vive abaixo da linha de pobreza. Ademais, como parte integrante do típico cardápio alagoano, está o Sururu, um molusco considerado patrimônio imaterial pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC) de Alagoas desde 2014, do qual se valem os moradores do bairro para comporem a fonte de renda gerada a partir da pesca.

 

A lagoa Mundaú, no Vergel, Maceió | Foto: Ricardo Wolffenbüttel

 

O dado importante consiste no processo de descarte das conchas. Apenas nesta comunidade, anualmente, são inutilizadas 300 toneladas do conteúdo que, de pronto acumulado ao ar livre, segue para lixões próximos, a um alto custo diário, por ação da prefeitura de Maceió.

 

Conchas de Sururu | Foto: Ricardo Wolffenbüttel

 

Visto como rica oportunidade, Rosenbaum, Benguela e Ambrósio – convidados, em 2019, pelo projeto Maceió Mais Inclusiva Através da Economia Circular, iniciativa do BID LAB (Laboratório de Inovação do Grupo BID), junto de IABS, Prefeitura de Maceió e uma rede de iniciativas parceiras – buscaram, portanto, desenvolver produtos a partir das conchas do Sururu, a fim de gerar oportunidade de renda e estabelecer um modelo econômico de desenvolvimento social na comunidade do Vergel.

Com esse objetivo, e pautados na ferramenta do DESIGN-BIOMA, o resultado é um produto que assume a identidade local e valor compartilhado por toda a cadeia envolvida durante o desenvolvimento, especialmente a comunidade que passa a fazer parte do novo negócio social.

Digno de nota, a integração com os moradores locais foi mediada pela ONG Mandaver, responsável pela conexão do trio com o artesão Itamácio Alexandre, figura ilustre para o embasamento da proposta. Reconhecido pela produção de “caqueiras” – nome alagoano dado aos vasos de cimento -, Alexandre é dono da própria técnica aplicada no processo de feitio dos vasos – baseia-se em contraformas de areia criadas a base de moldes elaborados pelo próprio artesão a partir de materiais reciclados.

Produzindo o cobogó

Conforme o panorama, a proposta buscou absorver a potencialidade produtiva de Itamácio Alexandre e somente substituir a areia dantes utilizada pelas conchas de Sururu agora trituradas – ambas matérias-primas com propriedades calcárias e, portanto, compatíveis à produção da massa cimentícia, de acordo com pesquisa de apoio ao projeto realizada pela Universidade de São Paulo (USP).

 

 

O novo agregado corresponde a 62,5% do Cobogó da Mundaú, esse com design que remete ao próprio formato da concha do Sururu. Após confeccionadas, as peças são vendidas diretamente à Portobello, representante comercial, desenvolvedora técnica e sistêmica, além de responsável por embalagem e comunicação oficial do produto, em breve distribuído em todos os pontos de venda da marca.

 

Apresentação do Cobogó Mundaú na Expo Revestir 2020 | Foto: Via Pointer