Centenário do IAB homenageia Vicente Wissenbach, pioneiro em jornalismo de arquitetura no Brasil

Na última terça-feira (26), data de comemoração dos 100 anos do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Wissenbach recebeu especial agraciamento em função de seu importante papel como difusor da Arquitetura e do Urbanismo nacionais, a começar pela fundação do jornal Arquiteto e da própria revista PROJETO!

Foto: Mariana Boro / Reprodução ArqSC

 

Em meio à extensa programação comemorativa dos 100 anos do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), parte da tarde desta última terça-feira (26) foi dedicada a homenagear o veterano jornalista Vicente Wissenbach como referente figura difusora da Arquitetura e do Urbanismo do país, protagonizando, dentre outras ações de prestígio, o Jornal Arquiteto e a subsequente Revista PROJETO.

Após quase 49 anos de existência – se considerados os primeiros cinco anos do jornal Arquiteto -, a Revista PROJETO é fruto da mente pensante e inquieta de Wissenbach que, em 1972, deu início à empreitada desse jornal específico da categoria com o objetivo claro de defender a arquitetura – na época, em processo de institucionalização -, por meio de coberturas jornalísticas de eventos e congressos do setor. Em ação pró digitalização de acervos do meio, o IAB disponibiliza em seu portal as edições do Jornal Arquiteto para consulta.

Arquiteto surgiu em 1972, quando já não existia mais revista de arquitetura no Brasil. Até a revista Acrópole tinha fechado. Propus ao Alfredo [Paesani, 1931-2009] fazer um boletim para o sindicato [Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (Sasp)]. Conversei também com o Fábio [Penteado, 1929-2011] e ambos aceitaram. O Alfredo era um nome forte no sindicato [foi um dos fundadores do Sasp, em 1971] e o Fábio, no IAB [Instituto dos Arquitetos do Brasil, do qual foi presidente nacional e depois do departamento São Paulo]. Montamos um conselho editorial e determinamos que o Arquiteto fosse um jornal nacional. Começou com a tiragem de 5.000 exemplares, distribuídos [em São Paulo] pelo sindicato e servindo à divulgação das grandes causas dos arquitetos. Como a da regulamentação e a da valorização da profissão. Nossa intenção era contar ao leitor aquilo que o arquiteto fazia além de projetos de casas. Éramos um veículo de defesa da atividade e, assim, a nossa linha editorial era dar cobertura às atividades das instituições. O jornal, portanto, não publicava projetos. Um dos momentos marcantes desse início foi a cobertura que fizemos do 9º Congresso Brasileiro de Arquitetos [em 1976]. Todos os dias publicávamos as resoluções do congresso, fechando a edição à uma da manhã e entregando o jornal às 6 horas nos hotéis onde estavam hospedadas as delegações”, depôs Vicente Wissenbach à Revista PROJETO, em 2019.

 

 

Sabe-se que o espaço para publicações de obras aconteceu somente a partir de 1976, através do encarte ‘revista PROJETO’ somado ao periódico, mais tarde (1979) assumido como revista de circulação independente que, de acordo com os preceitos iniciais, permanece até hoje com o compromisso de retratar a excelência diversa da produção arquitetônica nacional.

Imagem: Acervo Revista PROJETO

Nosso contrato [no jornal] com o IAB e com o sindicato era de cinco anos. A partir do quarto ano, porém, começou a haver divergências entre as instituições e um ano antes do fim do contrato, para contornarmos a situação, começamos a publicar a revista PROJETO na forma de um encarte de 16 páginas. (..) A primeira capa da revista autônoma era sobre projetos industriais, matéria escrita pelo [Siegbert] Zanettini, o que anunciava claramente a nossa intenção de sermos plurais. A publicação foi então ganhando corpo e chegamos a ter tiragem de 25 mil exemplares, dos quais 20 mil eram para assinantes e 5.000 exemplares avulsos vendidos nas bancas. Firmamo-nos como a revista do arquiteto, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, e eram os arquitetos os maiores divulgadores da revista”, continuou Wissenbach.

 

 

Na trajetória do jornalista, a PROJETO foi seguida pela criação das revistas D&I – Design & Interiores, Obra, Cadernos Brasileiros de Arquitetura – todas sequencialmente vendidas em decorrência do Plano Collor. Já em 1996, fundou a Finestra Brasil, anos depois comprada pela PROJETO, assim como a própria D&I – Design & Interiores (razão pelo nome ‘PROJETO Design’ durante longo período).

Neste interim destaca-se a cobertura jornalística de Wissenbach e equipe, por meio da Revista PROJETO, dos inúmeros congressos do IAB, bem como sua participação especial no júri (até então composto exclusivamente por arquitetos) da Bienal de Arquitetura de Buenos Aires, fundada em 1985, por Jorge Glusberg (1932-2012), na Bahia. A ponte entre Brasil e Argentina foi importante feito para o histórico do evento – que, em 2019, completou 17 edições – assim como potencializou a divulgação da arquitetura nacional no exterior.

 

No Centro de Estudos Brasileiros, em Buenos Aires, foram expostos quarenta painéis da Mostra de Arquitetura Brasileira Atual, organizada anteriormente pela revista Projeto, em 1983 | Foto: Acervo Revista PROJETO

 

Ainda é possível evidenciar o nome de Wissenbach como um dos pioneiros em retratar a produção nacional de recém-formados em Arquitetura e Urbanismo. O Prêmio Opera Prima da Revista PROJETO, atualmente em sua 29ª edição, passou a dar espaço aos formandos de maneira sólida, mediante avaliações feitas por júris de peso – situação capaz de abrir “portas para o primeiro emprego, inclusive”, complementou o jornalista.

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