(Foto: Ricardo Zerrenner/Riotur)

CAU/RJ critica mais uma perda do IPHAN (dessa vez no estado)

São recorrentes as duras queixas prestadas pela entidade frente às nomeações de profissionais sem capacidade técnica e experiência para cargos estratégicos no Iphan

A última ocorreu na quinta-feira passada (18) quando, em nota publicada no final daquela tarde, o Fórum de Patrimônio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ) se opôs à mudança da superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio de Janeiro.

A exoneração de Manoel Vieira deu lugar à nomeação de Olav Antonio Schrader, conforme publicadas no Diário Oficial da União de 18 de junho de 2020. No caso, Vieira é arquiteto e urbanista, conselheiro do CAU/RJ com vasta experiência no campo da preservação do patrimônio. Já Schrader não apresenta experiência alguma no campo do patrimônio – ao contrário, graduado em Relações Internacionais, este é responsável por administrar imóveis no bairro de São Cristóvão o que, para os representantes do Fórum de Patrimônio do CAU/RJ, não dá a ele as qualificações necessárias para ocupar a responsabilidade em relação aos bens protegidos na esfera federal.

Isso porque faz parte das atribuições coordenação, planejamento, operacionalização e execução das ações do Iphan no estado, além da supervisão técnica e administrativa dos Escritórios Técnicos e por zelar pela gestão dos planos e políticas de promoção e proteção do patrimônio cultural. Por isso, defende-se a ocupação do cargo por profissionais capacitados e habilitados, como arquitetos e urbanistas, ou outras profissões que possuam formação e habilitação no campo da preservação do patrimônio.

Em parte da nota, destaca-se: “O movimento de desmonte e a tentativa de gerar a imobilidade do Iphan em situações que afetam não só os bens por ele protegidos, mas que envolvem contextos urbanos, manifestações culturais, paisagens e natureza protegidas, bem como, sítios arqueológicos, parece ser o foco da atual gestão na esfera federal, que se habituou a indicar profissionais de campos do conhecimento distantes das questões específicas referentes aos cargos”.

Em abril, o Fórum de Patrimônio do CAU/RJ se posicionou contra a nomeação da blogueira Monique Baptista Aguiar para o cargo de coordenadora técnica do Iphan-RJ e, no mês seguinte, divulgou nota de repúdio por, novamente, nomear um leigo para a Diretoria nacional do Iphan, a servidora do Ministério do Turismo, Larissa Peixoto (reportada pela Revista PROJETO).