CAU/DF lança Selo de reconhecimento à arquitetura de Brasília

O objetivo da iniciativa, lançada no Dia Nacional do Patrimônio Histórico (17/8), consiste em certificar edificações modernas não monumentais do Plano Piloto, que estejam em bom estado de preservação, e homenagear seus autores

(Imagem: Divulgação)

Na última segunda-feira (17/8), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU/DF), por meio de sua Comissão Temporária de Patrimônio, lança o Selo CAU/DF – Arquitetura de Brasília (imagem acima). A iniciativa, divulgada no Dia Nacional do Patrimônio Histórico e no ano em que a capital federal completa 60 anos, busca reconhecer o valor histórico das edificações modernas não monumentais do Conjunto Urbanístico do Plano Piloto, bem como de seus autores (geralmente desconhecidos), divulgando também as práticas de manutenção que as mantiveram em bom estado até o presente momento.

De acordo com Daniel Mangabeira, presidente do CAU/DF, tais edifícios, que fazem parte do cotidiano, não foram devidamente valorizados, alguns sendo inclusive alvo de reformas e decorrente distorção de suas características originais. Por isso, defende que o Selo chega para reconhecimento dos profissionais que, até o momento, preservaram essas edificações, assim como incentiva especialistas e toda a comunidade a atuarem como defensores da arquitetura moderna da cidade, alvo de constante desfiguração nos últimos tempos. Também ressalta que o Selo não tem validade de tombamento, mas valor de certificação, pelo CAU/DF, do relevante trabalho de preservação cultural.

O coordenador da Comissão Temporária de Patrimônio do CAU/DF, arquiteto e urbanista Pedro de Almeida Grilo, ressalta a importância de saber conservar o patrimônio histórico e moderno de Brasília para que as próximas gerações possam usufruir não apenas da plasticidade arquitetônica, mas também das boas técnicas construtivas de uma cidade planejada:

O Selo vem, portanto, sensibilizar a sociedade de que as reformas prediais podem e devem ser compatíveis com a preservação da linguagem arquitetônica do movimento moderno”.

A declaração é constituída por uma placa alusiva à obra, a ser fixada nas suas imediações, e vem acompanhada de certificados emitidos pelo CAU/DF e por entidades apoiadoras ao autor do projeto original (ou a um representante familiar), ao autor do projeto de reforma/restauro (caso houver), ao responsável técnico pela execução da obra e ao condomínio. A marca do Selo foi doada pelo arquiteto e urbanista Danilo Barbosa, também coordenador da equipe que criou o projeto das placas de sinalização da cidade em 1976.

Quanto à concessão, Mangabeira reforça que a ideia é fomentar a preservação sem prejuízo à arquitetura original, portanto, não serão premiados aqueles edifícios que mantém os revestimentos originais e encontram-se em mau estado de conservação. “A edificação precisa estar em bom estado de conservação, mas não necessariamente ter passado por uma reforma. Se o prédio passou por processos de manutenção, sem a necessidade de sofrer alteração, está apto a receber o Selo. Assim como edifícios que sofreram alguma reforma mais substancial, mas manteve as características originais”, explica.

A entrega do primeiro Selo CAU/DF – Arquitetura de Brasília a edificações do Plano Piloto está prevista para ocorrer após o dia 15 de outubro. Até lá, a Comissão Avaliadora, composta pelos membros da Comissão Temporária de Patrimônio do CAU/DF – Antônio Menezes Júnior, Gabriela de Souza Tenorio, Giselle Moll Mascarenhas, João Eduardo Martins Dantas, além do coordenador Pedro de Almeida Grilo – fará um levantamento das edificações que cumprem os critérios de avaliação.

Serão valorizadas as intervenções que ofereçam acessibilidade universal ao edifício, desde que respeitando sua arquitetura; resolvam de maneira adequada problemas atuais, como a inserção de aparelhos de ar condicionado e passagem de cabos; visem a sustentabilidade ambiental e conservação de energia do edifício, e estejam sem pendências administrativas em órgãos do GDF.

De acordo com Mangabeira, esta primeira edição se restringirá a edificações residenciais coletivas do Plano Piloto finalizadas nas décadas de 1960 e 1970. “Futuramente pretende-se abranger edifícios das demais cidades do DF (…) e ampliar [a certificação] para casas, edifícios comerciais e institucionais”.

A iniciativa tem o apoio do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Distrito Federal (IAB-DF), da Associação das Empresas de Arquitetura e Urbanismo de Brasília (AEarq), do Sindicato dos Arquitetos do Distrito Federal (Arquitetos-DF), da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP), da Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo – Regional Centro (Fenea), da Administração Regional do Plano Piloto, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) e da Secretaria de Turismo (Setur).

Leia também a justificativa da certificação e suas disposições gerais.