Reunidos na África do Sul, arquitetos da UIA apoiam Rio 2020

Escolha da cidade-sede ocorrerá dia 10 de agosto

Arquitetos de todo o mundo estão escrevendo em um mural branco de Durban, na África do Sul, mensagens de apoio à candidatura brasileira para sediar, no Rio de Janeiro, o 27º Congresso da União Internacional de Arquitetos, previsto para ocorrer em 2020. Desde 3 de agosto, a cidade africana está acolhendo a 25ª edição do evento que é trienal – Seul será a próxima sede. Após o seu término, em 7 de agosto, os cerca de 350 delegados da UIA se reunirão para escolher o anfitrião de 2020, cujo nome deve ser anunciado dia 10 de agosto.

Intitulada “Todos os mundos. Um só mundo. Arquitetura 21”, a candidatura brasileira concorre – sob o comando do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) – com Paris e Melbourne, na Austrália. Formalmente, o Brasil recebeu o apoio da África do Sul em junho passado; informalmente, obteve o dos Estados Unidos, um dos países com maior quantidade de delegados na UIA, ao lado da China.

A partir de argumentos diversos, representantes do IAB e do CAU e importantes arquitetos brasileiros têm perspectivas convergentes sobre a importância de o Brasil abrigar o congresso. Utilizá-lo como plataforma para discutir os rumos da profissão em escala nacional, em suma, é o ponto comum às opiniões favoráveis.

“Nesses seis anos, até 2020, teremos dois congressos brasileiros de arquitetura, duas bienais e eventos regionais, como os Arquimemórias, que poderão servir de palco para refletirmos sobre o reencaminhamento da arquitetura e do urbanismo no Brasil, iniciado com a criação do nosso conselho próprio, há três anos, e contextualizado nas exigências da sociedade por melhorias urbanas”, analisa Sérgio Magalhães, presidente do IAB nacional.

Já Pedro da Luz Moreira, que preside o IAB/RJ, enfatiza que nossa forma de desenvolvimento urbano tem muito a contribuir para a reflexão sobre o futuro das cidades. “Com a África do Sul, que está sediando o congresso de 2014, podemos estabelecer um diálogo sul-sul na pauta sobre as diferentes formas de ocupação dos territórios”, declara o arquiteto.

Ex-presidente da UIA (2002/2005), Jaime Lerner rememora o congresso de Istambul, de 2005, para citar que a “contribuição maior do evento é o seu tema e a forma como ele invade a cidade. Os arquitetos e estudantes de arquitetura poderão vivenciar as transformações urbanas e arquitetônicas do Rio de Janeiro, que, em 2020, já terá sediado os Jogos Olímpicos”.

Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR, alerta que 2020 será ano de extrema importância para a arquitetura e o urbanismo brasileiros: “Brasília fará 60 anos; o IAB, cem; e a lei que instituiu o CAU completará uma década de existência. Podemos tirar partido dessa sinergia para discutir a renovação da profissão no Brasil”.

Público de 20 mil visitantes é o que se costuma esperar nos congressos da UIA. “Somos 115 mil arquitetos no Brasil hoje; seremos 200 mil em 2020. São muitos os desafios que teremos de enfrentar a curto e a médio prazos para reconquistar nossa relevância social”, conclui Pinheiro.