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Brasileiros se destacam na competição internacional Kaira Looro 2021

O certame buscou por propostas de uma ‘Casa das Mulheres’, no Senegal, África, a fim de promover igualdade de gênero como essência no desenvolvimento rural da região

Desde 2016, a Kaira Looro Architecture Competition se firma como instituição sem fins lucrativos que promove concursos de design abertos a estudantes e jovens arquitetos com o objetivo de descobrir novos talentos e adotar modelos arquitetônicos sustentáveis ​​com fins humanitários, melhorando as condições de vida de países em desenvolvimento.

Na edição deste ano, o desafio foi pelo projeto de uma “Casa das Mulheres”, proposta que, através da arquitetura de espaços simbólicos, ecológicos e inspirados nas tradições locais, deveria promover atividades de sensibilização, formação e desenvolvimento da equidade entre gêneros.

Dentre os 50 selecionados de 2021, estão duas equipes brasileiras, uma inclusa nas cinco Menções Especiais – assinada pela equipe Clara Maria Barbosa Teodoro, Daniel Arruda Weinstein Teixeira, Maria Isabela Neves Ferreira, Mateus Leandro Silva, e os orientadores Bruno de Albuquerque Ferreira Lima e Lúcia Veras, da Universidade Federal de Pernambuco -, e outra integrante aos 20 finalistas mundiais, encabeçada pelos arquitetos Adenir Filho e Marcela Luana Sutti.

Ambas se destacam pela qualidade do projeto arquitetônico, processo de construção, materiais, adaptabilidade e integração ao contexto – critérios sobremaneira avaliados pelo comitê científico do concurso, ainda durante a fase de pré-seleção, bem como pelas posteriores considerações do júri, nesse ano composto pelos renomados Kengo Kuma, Benedetta Tagliabue, Salimata Diop Dieng, Urko Sanchez, Oulimata Sarr, Lehau Victoria Maloka, Agostino Ghiradelli e Azzurra Muzzonigro.

Abaixo é possível conferir mais informações sobre as propostas.

 

Menção Especial

Instituição Universidade Federal de Pernambuco
Equipe
Clara Maria Barbosa Teodoro, Daniel Arruda Weinstein Teixeira, Maria Isabela Neves Ferreira, e Mateus Leandro Silva
Orientadores Bruno de Albuquerque Ferreira Lima e Lúcia Veras

De acordo com o memorial do projeto, o intuito do projeto foi criar uma arquitetura versátil, adequada para suprir diversas atividades coletivas que fortaleçam os encontros, os diálogos, os aprendizados, a memória coletiva e as iniciativas já existentes no vilarejo de Baghère, no Senegal, e, além disso, criar um ambiente em que as mulheres se sintam seguras e empoderadas.

 

 

A arquitetura desempenha um papel crucial na abertura de um novo mundo de oportunidades para as mulheres, capaz de conceber espaços que fomentem a inclusão e a participação social, econômica e política desse grupo”, afirma a equipe.

 

A implantação da construção envolve uma árvore isolada da massa arbórea do terreno, e, através da configuração de uma malha estrutural de 2,5 x 2,5 metros, gera-se uma espacialidade com usos sugeridos – as folhas das janelas podem transformar-se em mesas, e configurar uma sala de aula para formação e capacitação de mulheres, um auditório para a organização de assembleias, uma feira livre, ou um local de encontro comunitário e manifestações culturais. Dessa maneira, é possível atender as usuárias desde a formação técnica à produção de renda, a partir da atividade agrícola-comercial, construindo uma rede comunitária autossuficiente e inclusiva.

 

 

Finalista

Equipe Adenir Filho e Marcela Luana Sutti

 

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A volumetria longitudinal projeta a rampa para além de seus limites e conduz o fluxo do edifício para o átrio central e público da casa, espaço de livre ocupação com o objetivo de “disseminar a consciência, promover encontros, trocar experiências e divulgar a voz das mulheres”, afirma a dupla.

Justapostas ao átrio estão as duas salas de atividades coletivas que, embora possam se conectar a ele, também permitem atividades reservadas; já a ligação com o exterior se dá por um pequeno logradouro. Em suma, os espaços são abertos, mutáveis ​​e permeáveis, com zonas de difusão.

O projeto leva em consideração os princípios da sustentabilidade. A implantação se orienta aproximadamente 15 graus para oeste, garantindo proteção contra a radiação solar nas fachadas amplas durante as horas mais quentes, e contra os fortes ventos sobretudo na temporada de monções. Já a solução de materialidade concilia iluminação natural e resfriamento interno – com grande inércia térmica, a taipa proporciona temperaturas internas agradáveis, e, acima das paredes, as ripas de bambu garantem ventilação permanente e proporcionam efeito difuso de iluminação.

A proposta também reaproveita águas pluviais e prioriza técnicas de construção vernaculares, tanto do entorno quanto de produções comunitárias, o que reduz custos de transporte e fortalece o comércio local.

A sustentabilidade social neste projeto é garantida pela redução das disparidades de gênero e pela promoção da melhoria da qualidade de vida das mulheres. Inspirada nas tradições de construção locais e projetada para ser construída pela comunidade, a Open Women’s House requer o uso de materiais de construção naturais como terra, madeira e bambu”, destaca a dupla em memorial descritivo da proposta.

 

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Saiba mais

www.kairalooro.com