Brasil requer 30 milhões de novas moradias até 2030, segundo ABRAINC

O estudo recente da Associação indica queda de 1,5% no déficit habitacional do país e redução no número de moradias precárias

Perspectiva eletrônica do conjunto Léo Commissari (2010), no Jardim Silvina Audi, em São Bernardo do Campo. O projeto é assinado pelo escritório Boldarini Arquitetos Associados (Imagem: Boldarini Arquitetos Associados)

Foi anunciada em 29 de setembro de 2020, durante evento on-line, a recente pesquisa elaborada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) que objetiva projetar a demanda brasileira sociodemográfica por novas habitações para a presente década. Segundo o resumo das perspectivas, o estudo indica haver necessidade de 30,7 milhões de residências até 2030, considerando o crescimento médio de 3% na constituição de novas famílias no Brasil.

Em pormenores, destacam-se as formações familiares com renda entre 3 e 10 salários mínimos, que demandarão 14,4 milhões de residências. Além dessa parcela, famílias com renda de até três salários mínimos necessitarão de 13 milhões de novos domicílios e aquelas com renda superior a 10 salários mínimos de renda, 3,3 milhões.

Apesar da ampla necessidade, os resultados são positivos de maneira geral, apontando redução do déficit nacional em 1,5% entre 2017 e 2019, cujos principais motivos consistem no aumento do ônus (gasto) excessivo com aluguel, bem como no recuo da coabitação e da precariedade das residências – sabe-se que a carência de moradias de 7,918 milhões, registrada em 2017, passou para 7,797 milhões no ano passado e que a diferença positiva foi proveniente da redução de 9,3% no número de habitações precárias no país, que recuaram de 963 mil para 874 mil no período.

 

Déficit habitacional em 2019 (Imagem: ABRAINC)
Alterações no déficit habitacional entre 2004 e 2009 (Imagem: ABRAINC)

 

A queda reflete o efeito das políticas públicas para expansão popular no país, com foco na redução do déficit para família mais pobres. É importante que o Estado brasileiro tenha acesso a esse tipo de informação para tomar a decisão de seguir subsidiando a construção de habitação popular no país”, afirma o presidente da ABRAINC, Luiz Antonio França.

Deve-se lembrar que o panorama é referente ao cenário nacional. Neste sentido, o Nordeste apresenta maior redução positiva no déficit dos últimos 15 anos, isso porque tal região passou da carência de 2,8 milhões de moradias, em 2004, para 2,3 milhões em 2019. Já no Sudeste, o cenário é oposto e menos otimista, uma vez que a necessidade subiu para 3,1 milhões (2019), contra os 2,9 milhões de unidades registrados em 2004.

Distribuição regional brasileira do déficit habitacional entre 2004 e 2019 (Imagem: ABRAINC)

 

Especificamente à categoria de ônus excessivo com aluguel, o crescimento de 2% corresponde aumento do grupo anterior em situação de locação residencial por famílias com renda de até três salários mínimos. O significado é que tal parcela compromete mais de 30% do rendimento mensal para morar. Somente esta modalidade representa 3,345 milhões de moradias do déficit habitacional do país em 2019, ante 3,279 milhões em 2017.

 

Dinâmica entre 2017 e 2019 (Imagem: ABRAINC)

 

Em complemento promissor ao cenário da construção civil brasileira, o resultado do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado na última quarta-feira (30/9) pelo Ministério da Economia, aponta resiliência do setor nos últimos meses, significando caminhos oportunos para a produção construtiva: “A Construção Civil é um termômetro importante da economia e o Caged vem confirmando, mês a mês, que, mesmo com o impacto da pandemia, o setor tem sido persistente na geração de empregos. No acumulado do ano, a Construção soma saldo de 58 mil contratações (…). Os números da construção dão ânimo para as incorporadoras sigam confiantes e contribuindo para que a economia volte a crescer a partir de 2021”, finalizou França.