‘Biennial of the Biocene: Change the Green to Blue’

A 15ª Bienal de Cuenca, no Equador, estende a programação até o próximo 28 de fevereiro, abordando temas derivados da crise climática e ecossocial, a partir de três linhas de pensamento principais. Confira!

Foto: Cortesia da Bienal de Cuenca

 

Até o próximo 28 de fevereiro, está aberta à visitação a 15ª Bienal de Cuenca, Equador, que, nesta edição, pauta-se pelo eixo “Biennial of the Biocene: Change the Green to Blue’ (em português, “Bienal do Biocene: Mudança do Verde para o Azul”). Sob direção executiva de Katya Cazar, e curadoria de Blanca de la Torre, o evento aborda temas derivados da crise climática e ecossocial, a partir de três linhas de pensamento:

Conhecimento ancestral e tradicional, resgatando a tradição das comunidades e saberes indígenas, atentando-se ao conhecimento biocultural, isto é, tradições culturais associadas à biodiversidade;

Ecofeminismo crítico, seção que se vincula à anterior sobre a recuperação do conhecimento acerca de pachamama, assim como a ecodependência e o aprendizado intercultural como forma de aprimoramento;

“Escenarios futuribles” em defesa da arte como veículo eficaz para construir futuros prováveis ​​e possíveis, alimentados pela especulação de utopias e alternativas.

Essas linhas de pensamento se aproximam da tese do curador sobre Biocene, que aborda um conceito alternativo ao de Antropoceno – ao contrário da infinidade de conceitos alternativos, o Bioceno apela a uma nova era que coloca a vida no centro.

O subtítulo “Cambiar el verde por azul” (em tradução ao português “Mudança do Verde para o Azul”) alude ao “greenwashing”, prática que tem se apropriado da cor verde. Conforme aponta o descritivo do evento:

 

A água que estamos esgotando não é verde, nem os territórios devastados pelas políticas extrativistas e pela ação antrópica. O racismo ambiental, a perda da biodiversidade, o colonialismo corporativo, tudo isso faz parte de uma narrativa ambiental, muito mais vasta do que aquela que nos fez acreditar no verde como a cor da ecologia”

 

Para se aproximar de uma bienal sustentável, emoldurada por tais linhas de pensamento, a primeira ação foi reduzir o número de artistas participantes: menos espaços e todos próximos uns dos outros. A intenção é que nenhum visitante precise utilizar nenhum meio de transporte para conhecer os locais, de modo a aproveitar a visita a pé e dedicar mais tempo a cada empreendimento. “Procura fugir das bienais indigestas, onde nunca há tempo para ver tudo e respondem a um ritmo frenético”, continua o descritivo. Além disso, 70% dos artistas selecionados são mulheres, o maior percentual de artistas do sexo feminino em relação às edições anteriores da Bienal de Cuenca.

Desde o início, várias diretrizes foram estabelecidas para satisfazer a pegada ecológica ao longo do ciclo de vida do projeto. O envio de obras de arte foi reduzido ao mínimo; a maior parte é produzida no local, priorizando materiais e processos locais que respeitem o meio ambiente. O foco tem sido colaborar com os artesãos e trabalhar com a comunidade, evitando materiais poluentes e reutilizando dispositivos de exibição. Um plano de resíduos também foi desenvolvido e a maior parte dos materiais será doada às comunidades – madeira, metais, tecidos, estruturas -, sendo as poucas sobras biodegradáveis.

 

Atribui-se importância aos processos invisíveis, pois a Bienal não se preocupa em criar um evento artístico de fachada, mas sim um que realmente represente uma mudança de paradigma e uma transição para outras formas de produzir e consumir cultura e conhecimento. Depois de séculos consumindo o planeta, é hora de construí-lo”, finaliza.

 

Artistas participantes

Karina Aguilera Skvirsky, María Thereza Alves, Eugenio Ampudia, Vasco Araújo, Augusto Ballardo, Ana Teresa Barboza, Ursula Biemann, Rossella Biscotti, Tania Candiani, Carolina Caycedo, Elizabet Cerviño, Pamela Cevallos, Juana Córdova, Natalia Espinosa, Regina José Galindo, Basia Irland, Fabiano Kueva, Glenda León, Cristina Lucas, Mary Mattingly, Rosell Meseguer, Asunción Molinos Gordo, Amor Muñoz, Sandra Nakamura, Nohemí Pérez, Marjetica Potrč, Wilfredo Prieto, Paúl Rosero, Avelino Sala y Eugenio Merino, Adán Vallecillo, Marie Velardi, Cristian Villavicencio y Juan Zamora.

 

Saiba mais

www.blog.bienaldecuenca.org