Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal recebem o Pritzker 2021

Neste 16 de março, a dupla de arquitetos franceses é anunciada vencedora da maior comenda da arquitetura mundial pela prática "de um trabalho que responde às emergências climáticas e ecológicas do nosso tempo, bem como às urgências sociais, em particular no âmbito da habitação urbana"

Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal © Laurent Chalet

 

A boa arquitetura é aberta – aberta à vida, aberta para aumentar a liberdade de qualquer pessoa, onde qualquer pessoa pode fazer o que precisa. Não deve ser demonstrativo ou imponente, mas deve ser algo familiar, útil e bonito, com a capacidade de sustentar silenciosamente a vida que nele ocorrerá”, Anne Lacaton.

Nesta terça-feira (16) a dupla de arquitetos Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal passa a integrar o quadro de laureados pelo Prêmio Pritzker de Arquitetura. Segundo o júri da edição 2021, “eles não apenas definiram uma abordagem arquitetônica que renova o legado do modernismo, mas também propuseram uma definição adequada da própria profissão de arquiteto. As esperanças e sonhos modernistas de melhorar a vida de muitos são revigorados por meio de um trabalho que responde às emergências climáticas e ecológicas do nosso tempo, bem como às urgências sociais, em particular no âmbito da habitação urbana. Eles conseguem isso por meio de um poderoso senso de espaço e materiais que juntos criam uma arquitetura tão forte em suas formas quanto em suas convicções, tão transparente em sua estética quanto em sua ética”.

Por meio do projeto de habitações privadas e sociais, instituições culturais e acadêmicas, espaços públicos e planejamentos urbanos, Lacaton e Vassal exprimem o reexame da sustentabilidade pelo respeito a estruturas pré-existentes e, ao priorizar liberdade de uso, são capazes de beneficiar o indivíduo social, ecológica e economicamente, auxiliando na evolução de uma cidade.

Este ano, mais do que nunca, sentimos que fazemos parte da humanidade como um todo – é preciso construir um senso de coletividade, seja por questões de saúde, políticas ou sociais. Como em qualquer sistema interconectado, ser justo com o meio ambiente, ser justo com a humanidade é ser justo com a próxima geração”, comenta Alejandro Aravena, Presidente do Júri do Prêmio Pritzker de Arquitetura. “Lacaton e Vassal são radicais em sua delicadeza e ousados ​​em sutileza, equilibrando uma abordagem respeitosa, porém direta, do ambiente construído”.

Tom Pritzker, presidente da The Hyatt Foundation, que patrocina essa que se faz como a maior honraria do setor, exprime que “Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal sempre entenderam que a arquitetura empresta sua capacidade de construir à comunidade e à toda a sociedade (…). O objetivo de servir a vida humana por meio de seu trabalho, demonstração de força na modéstia e cultivo de um diálogo entre o antigo e o novo, amplia o campo da arquitetura”.

 

 

Anne Lacaton (1955, Saint-Pardoux, França) e Jean-Philippe Vassal (1954, Casablanca, Marrocos) se conheceram no final dos anos 1970 durante seu treinamento em arquitetura na École Nationale Supérieure d’Architecture e de Paysage de Bordeaux. Lacaton fez mestrado em Planejamento Urbano na Universidade de Bordeaux Montaigne (1984), enquanto Vassal se mudou para o Níger, na África Ocidental, para atuar em planejamento urbano. Por meio de visitas, o encontro de ambos era frequente em território africano e foi justamente nesse interim que frutificaram suas condutas arquitetônicas, profundamente influenciadas pelo cuidado com os escassos recursos das paisagens desérticas do país.

Transformação é a oportunidade de fazer mais e melhor com aquilo que já existe. A demolição é uma decisão fácil e curto prazo. É também um desperdício de muitas coisas – energia, material, história e, além disso, tem um impacto social muito negativo. Para nós, é um ato de violência”, pontua Lacaton.

Eles estabeleceram a Lacaton & Vassal em Paris no ano de 1987 e, desde então, demonstraram ousadia por meio do design de novos edifícios e projetos transformadores. Durante mais de três décadas, o portfólio da dupla permeia por diferentes usos e escalas de projeto, todas delineadas pela defesa da justiça social e da sustentabilidade, priorizando a generosidade do espaço e a liberdade de uso por meio de materiais econômicos e ecológicos.

Nosso trabalho é resolver constrangimentos e problemas, e encontrar espaços que possam criar usos, emoções e sentimentos. Ao final desse processo e de todo esse esforço, deve haver leveza e simplicidade (…)”, explica Vassal.

Dentre as obras significativas da dupla, incluem-se Paillote Straw Matting Hut (Niamei, Níger, 1984); Latapie House (Floirac, França, 1993); House Cap Ferret (Cap Ferret, França, 1998); House Bordeaux (Bordéus, França, 1999); École Nationale Supérieure d’Architecture de Nantes (Nantes, França, 2009); 53 Unidades Habitacionais em Edifícios Baixos (Saint-Nazaire, França 2011); Transformação de Bloco Habitacional La Tour Bois le Prêtre (Paris, França, 2011); Transformação Palais de Tokyo (Paris, França 2012); Habitação Estudantil e Social Ourcq-Jaurès, (Paris, França, 2013); FRAC Nord-Pas de Calais (Dunquerque, França, 2013); Teatro Polivalente (Lille, França, 2013); Transformação de 530 Moradias, bloco G, H, I, com Frederic Druot e Christophe Hutin (Bordéus, França, 2017); Edifício Residencial e Comercial (Chêne-Bourg, Genebra, Suíça, 2020); e mais.

 

 

 

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pritzkerprize.com