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A Casa encerra gestão no Museu da Casa Brasileira

 Fundação Padre Anchieta (FPA) assumirá a instituição do Governo de São Paulo a partir de janeiro de 2022

Após 12 anos de gestão, a Organização Social de cultura A Casa Museu de Artes e Artefatos Brasileiros encerra em 31/12 suas atividades junto ao Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. A partir de janeiro de 2022 a gestão da instituição será feita, por convênio, pela Fundação Padre Anchieta.

O fim da gestão é marcado por resultados significativos conquistados ao longo da última década, considerando aumentos de 157,3% no número de visitantes presenciais, 580% nos recursos financeiros provenientes de captação, 238,7% no número de eventos da agenda cultural e 192,8% no número de funcionários entre os anos de 2008 e 2019.

 

A gestão do MCB pela A Casa Museu de Artes e Artefatos Brasileiros, por 12 anos, marca um período bastante importante na evolução e consolidação da instituição. As oportunidades que se apresentaram com a implantação do modelo de gestão através de Organização Social, aliadas à opção feita pela diretoria do museu por uma gestão compartilhada, não só entre eles, mas também com a equipe, Conselhos e Comitê permitiu uma diversidade de contribuições e um comprometimento com o museu que de outra forma não seria obtida. A evolução trouxe retornos expressivos de parceiros público, mídia e captação de recursos próprios”, afirma Miriam Lerner, diretora geral do MCB entre 2007 e 2021.

 

“Neste período de gestão pela OS, o museu pode consolidar sua posição nacional e internacional, como referência cultural e de pesquisa para os seus campos de atuação, entre o design e a arquitetura, expandidos a partir do eixo central voltado à documentação da cultura material da casa brasileira. Houve uma sólida constituição de um programa educativo único, voltado aos estudos do museu, e um processo de qualificação da equipe que permitiu a elaboração integral de projetos internos desde a pesquisa à comunicação de seus conteúdos, por meio de exposições e publicações. Destacamos também a importância da requalificação do acervo, atualizado com a elaboração da primeira política de acervos da instituição, direcionando novas incorporações, garantindo sua expansão temática e uma abordagem mais equitativa e representativa da diversidade cultural das casas brasileiras”, diz Giancarlo Latorraca, diretor técnico da instituição entre 2008 e 2021.

“Durante os anos desta gestão, o Museu da Casa Brasileira alcançou resultados expressivos na captação de recursos e se tornou referência nas instâncias de fiscalização dos recursos do estado, sempre auditados pela “Big Four”. O desenvolvimento de processos e controles financeiros e “Statements of Finance reports”, contribuíram para o modelo de gestão de Organizações Sociais de Cultura”, explica Marco Antonio Alves, diretor administrativo-financeiro do MCB entre 2013 e 2021.

Para além dos números mencionados anteriormente, nos últimos anos, a gestão da OS A Casa se destacou pela consolidação da instituição em suas áreas de vocação, por meio do fomento de discussões relevantes nas áreas do design e da arquitetura – segmentos nos quais o MCB é especializado – a partir da realização de programações e exposições que trouxeram uma ampla diversidade de enfoques sobre os temas em questão.

Entre as mostras de curta duração que se destacaram na última década, estão: A Arquitetura de Lelé: Fábrica E Invenção; Maneiras de Expor: Arquitetura Expositiva De Lina Bo Bardi; design na aviação brasileira; Alex Wollner Brasil: Design Visual; a sequência de exposições Casas do Brasil (2006 a 2020) e Ícones do Design – França/Brasil, Roberto Sambonet, Ettore Sottsass – Olivetti, Gio Ponti, dentre outras que reafirmaram o papel do Museu da Casa Brasileira como intermediário no intercâmbio cultural para além das fronteiras nacionais.

Um trabalho extenso também foi realizado junto ao acervo da instituição, por meio do desenho de uma política de acervo, baseada na qual foram incentivadas campanhas de doação, que resultaram em um acréscimo 133% no número de peças da coleção.  Os usos e costumes nas casas brasileiras ao longo dos séculos foram apresentados durante a gestão através de algumas mostras de longa duração das peças da coleção, com recortes distintos, sendo a última delas a exposição “Remanescentes da Mata Atlântica & Acervo MCB” – bem como o levantamento da própria história do imóvel que abriga o museu, por meio da mostra “A Casa e a Cidade – Coleção Crespi Prado”.

Outras iniciativas também se destacam na gestão que se encerra, entre elas: a parceria do Educativo MCB com o CAPS III Itaim Bibi, originada em 2016, e o projeto Casas do Sertão, uma exploração nas casas do sertão mineiro realizada desde 2019 em parceria com a Casa de Cultura do Sertão do Morro da Garça- MG, projeto que viabilizou a ideia de museu itinerante ao mapear os utensílios tradicionais das cozinhas nas casas do sertão, unindo a prática do educativo ao Acervo Ernani da Silva Bruno, conteúdo fundamental do museu; além de parcerias continuadas com EMEIS e escolas, dentre outras organizações do terceiro setor.

A realização do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira foi contínua no decorrer desta gestão, durante a qual recebeu inclusive importantes adequações, que permitiram a manutenção da relevância da premiação no cenário do design. Marca, igualmente, a resiliência da atual gestão, que – em meio à pandemia de Covid-19 – criou estratégias para manter a premiação viva, sobretudo durante a 34ª edição do evento, última e mais recente.

A agenda de programação paralela, com eventos de música, feiras de incentivo aos produtores criativos autônomos, cursos, palestras, dentre outros, também cresceu de forma exponencial, funcionando com um importante fator na formação e diversificação do público do museu, além de fortalecer a instituição no circuito cultural da cidade.

Um sólido programa de captação de recursos próprios foi implantando, passando, nos últimos anos de gestão pela A Casa, esta modalidade a representar 40% do orçamento total do museu, uma ação bastante importante considerando-se que o repasse feito pelo estado basicamente cobria os custos fixos da instituição, e vinha sofrendo cortes sistemáticos desde 2015. A captação própria obtida permitiu, portanto, os investimentos e a realização de toda a agenda de programação cultural por quase todo o período da gestão.