(Foto: José Moscardi)

Shopping Center Iguatemi: o retrato da evolução do varejo

A última reforma do Shopping Iguatemi recolocou para a arquitetura nacional uma série de discussões sobre o próprio conceito desse tipo de centros comerciais, que aos poucos vai implementando em todo o país novas concepções de praça: praças confinadas, praças privatizadas. As vantagens e os problemas são muitos, e a discussão que permanecia latente fez-se aflorar. O problema é simples. O Iguatemi foi o primeiro empreendimento do gênero a se converter em sucesso, transformando-se imediatamente em referência para o que veio depois, nesta área, em todo o país. Além disso, depois de sucessivas reformas, em que foi se adaptando às diversas tendências internacionais dessa espécie de empreendimento, o Iguatemi sofreu agora certamente sua maior transformação. Para o bem ou para o mal, ela está aí. E é dessa discussão que se espera avançar nas reflexões sobre esse tipo de centro comercial.

Assim como o geólogo estuda as diferentes fases da história natural do planeta examinando as sucessivas camadas de rochas superpostas, talvez um hipotético estudioso do futuro detecte algumas mudanças ocorridas no comércio varejista das cidades brasileiras através das camadas resultantes das sucessivas reformas do Shopping Center Iguatemi, em São Paulo. Surgido como um investimento incerto, obteve sucesso crescente. De uma quase singela imitação da rua passou a monumento, enquanto outros shoppings eram criados tendo-o como referência, positiva ou negativa, sem conseguir o mesmo desempenho em cifrões. A cidade à sua volta cresceu e modificou-se, influenciando e sendo influenciada por sua presença. E, como moderna esfinge do consumo, continua propondo questões: sou a melhor solução para a distribuição varejista para as cidades brasileiras? Devo me sobressair agressivamente ou passar despercebido? Devo ficar fora do tempo e do espaço, numa dimensão paralela onde só existe o comprar? Decifra-me… ou não.

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