O croqui e a paixão | Por Guilherme Mazza Dourado

No limiar entre pura criação artística e manifestação da vontade arquitetônica, o esboço de arquitetura captura as fantasias e os sonhos de materializar intenções de forma e espaço. Linguagem inteligível e ao alcance de todos e ao mesmo tempo de poucos, pelo sutil jogo de dissimulação de conteúdos expressos em simples riscos, numa síntese da complexidade do ofício de arquitetar.

Há pouco tempo, Octavio Paz escreveu sobre as sutis afinidades entre erotismo e poesia, concluindo que “o primeiro é uma poética corporal e a segunda uma erótica verbal”. Existem relações igualmente sutis entre desenho de arquitetura e paixão. Ambos estão em permanente diálogo. O desenho se materializa porque a paixão impulsiona a fantasia. Por sua vez, a paixão se transfigura e se mostra visível nas formas que vão sendo construídas sobre o papel. Se o desenho não agrada os sentidos e não transpira emoção, a paixão está ausente.

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