(Foto: Daniela Toviansky)

Entrevista – Gabriela de Matos

Na busca de dados sobre gênero e raça em meio a uma profissão elitizada, Gabriela de Matos surpreende com as suas conquistas. O projeto que ela concebeu é uma resposta ao incômodo que sentiu durante a universidade por ser a única estudante negra no curso. Em 2018, oito anos após receber seu diploma pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e continuando a desconhecer outra arquiteta negra, foi que ela resolveu dar voz ao seu incômodo através da criação do Arquitetas Negras. Com o projeto, descobriu que não estava sozinha: já mapeou 662 profissionais de arquitetura pelo Brasil e tem validado algumas das suas hipóteses sobre o assunto, tais como o baixo salário recebido por elas. Constatação que, se cruzada com dados obtidos pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), mostra que arquitetas negras recebem, em média, 13 vezes menos do que arquitetos homens.

A voz de Gabriela de Matos se dissemina em várias frentes na sua profissão: eleita arquiteta do ano pelo Departamento Rio de Janeiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) em 2020, Gabriela dá aulas na Escola da Cidade, é vice-presidenta do Departamento São Paulo do instituto (IAB-SP), cursa  mestrado e tem escritório próprio. Nesta entrevista feita por videoconferência, ela fala sobre o Arquitetas Negras, os resultados do mapeamento feito com o projeto e a necessidade de haver mais dados para entendermos melhor a pirâmide social e racial da arquitetura – e agir.

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