Contra apenas uma arquitetura ou o perigo de planejarmos uma sociedade democrática sob medida para nossas conveniências | Por Carlos Nelson Ferreira dos Santos

Trabalho apresentado na 32ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Entrei na Faculdade Nacional de Arquitetura em 1962. Sou arquiteto há quatorze anos. Se alguma cigana tivesse me encontrado no vestibular e me contasse o que eu iria estar fazendo agora, seria muito difícil entendê-la. Naquela época eu achava que a profissão que havia escolhido era: 1) objetiva nas suas propostas; 2) esclarecida quanto à temática de que se ocupava; 3) definida por uma série de práticas exclusivas. Além disto, entendia que era importante ser arquiteto, pois poderia aliar as minhas tendências à precisão das matemáticas com certos pendores criativos, tudo temperado por desejos de participação social. Meu entusiasmo juvenil era dos que pairam acima de críticas e recomendações amigas. Não importando as previsões desanimadoras (e não ouvi poucas), eu via a arquitetura como atividade nobre e digna, cheia de possibilidades excitantes que tinham a vantagem de ser sérias e, ao mesmo tempo, bastante divertidas.

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