Paris, principais traçados haussmanianos

As idéias nebulosas: O que pode a arquitetura nas megalópoles? | Por François Chaslin

Estará a cidade se tornando uma nova selva, hábitat natural do homem em vez de um produto cuidadosamente organizado de sua cultura? Os temas candentes da megalópole ainda não são suficientemente percebidos pelo imaginário dos arquitetos contemporâneos - sobretudo os da Europa, que vivem bem longe das cidades gigantescas de países como o Brasil ou o Japão.

Acabrunhados pela dificuldade de sua tarefa, espantados quando consideram a quantidade e variedade de planos elaborados e tantas experiências abortadas em um século ou dois de urbanismo, frustrados pela falência do voluntarismo dos últimos decênios, os arquitetos parecem ter perdido a fé na sua capacidade de inventar a forma física das aglomerações. Paradoxalmente, enquanto não cessam de celebrar a cidade, de invocar numa litania os indefiníveis valores abrangentes da urbanidade, eles não mais percebem claramente de qual objeto falam quando se referem à cidade. Não será um resíduo dos séculos, uma sobrevivência frágil destinada a ser, cedo ou tarde, submersa por um fenômeno novo, irreprimível, a megalópole?

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