As diferenças entre o monumental e o suntuoso

O que é uma obra suntuosa? Uma obra arquitetônica de boa qualidade é necessariamente cara? A obra pública tem valor cultural? Esse valor cultural justificaria custos mais altos na construção dessas obras? Quando a obra é para a periferia ela deve ser obrigatoriamente pobre? Essas foram algumas das perguntas levadas a uma série de arquitetos de São Paulo e de outros Estados, na tentativa de se saber o que pensam a respeito da polêmica recentemente instalada sobre a “suntuosidade” de algumas obras públicas, resultando em gastos desnecessários do dinheiro público.

Praticamente todos os entrevistados concordaram que suntuoso e caro não é necessariamente a mesma coisa: uma obra suntuosa é sempre cara mas uma obra cara nem sempre é suntuosa. Um hospital, por exemplo, pelos equipamentos médicos necessários, é sempre uma obra cara e nem por isso é suntuosa. Outro ponto em que houve grande concordância foi sobre a obra pública como reflexo do sistema de governo: se ele é autoritário, as obras são em geral suntuosas e monumentais. É uma afirmação de poder que, em nossa sociedade capitalista, ocorre mesmo em obras privadas como bancos e sedes de empresas. Para se mudar isso, só mudando o sistema. Nesse aspecto, como lembra Éolo Maia de Belo Horizonte, o arquiteto e a população, os reais interessados e participantes, não têm poder de decisão, servindo como “meras peças acionadas para devaneios pessoais ou de escalada política de algum grupo de interesse”.

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