A noite na cidade de cristal | Por Eduardo Subirats

Da perspectiva histórica de nossa idade tardia contemplamos os sonhos vanguardistas da metrópole moderna, mesclando distância cética e nostalgia. As visões de uma cidade cosmológica, geométrica, luminosa, desenvolvidas por Taut e Sheerbart, Le Corbusier ou Hilberseheimer, se nos apresentam como uma doce utopia. Nossa concepção de cidade, ao contrário, é amarga, contraditória e conflitiva. É a consciência moderna que melhor assume esta tensão histórica e reconhece sua divergência, sem abandonar sua crítica. Sabemos que o progresso contém um processo de regressão, que a racionalização da cultura traz consigo um princípio de irracionalidade, e que a era tecnológica é uma era de destruição.

O interesse atual pelo expressionismo nasce dessa situação histórica e dessa consciência. O expressionismo nos atrai como fenômeno universal, provavelmente como a mais rica e universal de todas as manifestações artísticas e filosóficas do século XX. O expressionismo nos atrai porque conjuga a expressão subjetiva, a visão de uma realidade sem rumo, da angústia, com o impulso revolucionário, transcendente ou escatológico de uma utopia social. Uma definição elementar do expressionismo, considerado em sentido amplo como fenômeno característico da civilização ocidental moderna, deve assinalar precisamente estes dois aspectos fundamentais: a visão negativa, crítica e também pessimista, inclusive niilista, da história e da vida humana e, por outro lado, o desejo utópico de transcender a realidade histórica através da arte e da arquitetura.

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