Posto Petrobrás, Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP. Arquitetos Backheuser e Pinheiro (Foto: Ludmila Ferolla)

A arquitetura dos postos de gasolina ou de como a cidade se coloriu de faixas e bandeiras | Por Cêça de Guimaraens

De repente, o tigre, a concha, a "lua oval da Esso"1 no céu do Aterro invadiram a paisagem das cidades, colorindo as formas simples dos postos de abastecimento, a disputar a preferência dos cidadãos motorizados. Desde então, a arquitetura dos postos de serviço e distribuição dos derivados de petróleo, ou simplesmente "postos de gasolina", vem sofrendo uma transformação radical.

Não é nossa intenção abordar com profundidade a qualidade da renovação formal, quase fachadística em sua elementaridade, que esse tipo de edifício atravessa, e sim levantar alguns aspectos referentes ao significado e às relações existentes entre este (significado) e o surgimento de uma tipologia dogmática afirmativa do caráter arquitetônico da edificação em análise, enquanto símbolo do processo de interação homem x cidade x mobilidade, num contexto de crise e escassez generalizadas, quando as metrópoles brasileiras se transformam em Calcutás, conforme diz Lícia do Prado Valladares. Enquanto isso, o mercado de trabalho dos arquitetos se resume aos programas mais expressivos do sistema: agências bancárias, butiques e pizzarias sofisticadas.

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